O futuro da arqueologia brasileira está na Amazônia

[Reportagem de Camile Liguori, para o EcoDebate] Famosa por possuir uma das maiores concentrações de diversidades de espécies animais e vegetais do mundo, a Amazônia também pode se orgulhar por outro motivo menos óbvio. A região foi revelada como um dos mais importantes centros arqueológicos do país e vem sendo desvendada desde então. É o que mostra o professor Eduardo Goes Neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.

“Há um quadro diferente emergindo que mostra que a Amazônia foi bastante ocupada no passado e que essas populações antigas modificaram sua paisagem”, afirma o professor. Estudos e análises têm mostrado que a região não é só uma formação natural e que na verdade possui sítios arqueológicos de até 10.000 anos a serem explorados.


A terra preta da região amazônica, mesmo possuindo um alto nível de umidade, tem a capacidade de conservar em ótimas condições de vasos de cerâmica a ponteiras de metal. Há indícios de que esse tipo de solo tenha sido manejado e produzido de maneira proposital por povos antigos.

Pouco divulgada no Brasil, a arqueologia depende diretamente de financiamentos da FAPESP (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo) ou ainda de empresas privadas que apoiem as escavações. Uma lei nacional prevê trabalho arqueológico preliminar antes de qualquer tipo de construção, incluindo usinas e gasodutos. Os entornos de Belo Monte, por exemplo, já passaram por uma escavação preventiva, porém caso o projeto saia do papel serão necessárias novas pesquisas.

A profissão de arqueólogo não é regulamentada e por isso passa por dificuldades na formação de novos profissionais. O número atual de trabalhadores na área ainda é pequeno, falta especialização e prática. “Um arqueólogo não fica sem emprego no Brasil, ainda mais se tiver disponibilidade para viajar para a região amazônica”, diz Neves. A demanda por trabalhadores é tão grande, devido a quantidade de obras sendo realizadas, que o professor chega a cogitar a necessidade de trazer arqueólogos estrangeiros para trabalharem no país.

Camile Liguori é aluna do curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Esta reportagem integra o Projeto Repórter do Futuro, no módulo Descobrir a Amazônia – Descobrir-se Repórter.

EcoDebate, 22/06/2010

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