Reação ecológica no Brasil, artigo de Maurício Gomide Martins

[EcoDebate] Um fato que reputo como de excepcional importância para o Brasil e o mundo ocorreu no oeste de Mato Grosso no final de dezembro de 2008.

Sinteticamente, foi noticiado no jornal da TV Globo na noite de 27.12.2008. Só. Corri atrás de notícias mais pormenorizadas, mas nada encontrei nos principais jornais do Brasil, inclusive “O Globo”. Pela internete também nada encontrei. Como sempre, a mídia se ausenta em informações importantes, porque contrárias aos interesses econômicos. Essa notícia era para ser veiculada com fartura, objeto de análises, comentários, com grande repercussão mundial. Mas, como não houve a jogada de uma menina pela janela… Constitui o fato um vívido reflexo dos impactos ambientais que a civilização, em holocausto ao progresso, causa em todos os recantos do planeta.

Os índios daquela região, qual ninho de marimbondos ameaçados, se uniram e atacaram ferozmente o campo de obras de preparo para a construção de uma usina hidroelétrica que, com aprovação do governo, iria trazer mais progresso para o Estado.

Queimaram tudo o que encontraram: as construções pioneiras, alojamentos, escritórios, veículos, motores estacionários, instalações elétricas e todo o conteúdo. Não mataram ninguém. Seu objetivo era destruir somente a estrutura já instalada, bens materiais representativos do progresso dos insaciáveis civilizados.

Apesar de a planta industrial se localizar fora das reservas indígenas, os índios alegaram que as atividades estavam impactando o meio ambiente em que vivem. As obras estavam causando o rareamento dos peixes, dispersão de caça e poluição dos rios, fatores que constituem o conjunto vivencial a que chamamos meio ambiente. Eles, que vivem em contato direto com esses fatores e deles dependem para satisfazer a simples necessidade básica da alimentação, sentiram na própria pele as conseqüências do chamado desenvolvimento.

Não tiveram outra opção senão a de reagirem. E o fizeram de forma radical para que não ficassem dúvidas nos burocratas de que os males que estavam causando representam a exclusão de vivência dos homens que habitam aquela região. Isso nos dá a lição também de que a atividade industrial localizada afeta, direta ou indiretamente, todo o planeta. O que comprova a tese de que soluções básicas devem ser globais e não nacionais, pois que, em assuntos ambientais, não existem países; existe o globo terrestre.

Tal como ocorreu na ilha de Bougainville, as reações de nosso homem dependente direto da Natureza foram simplesmente uma luta pela sobrevivência. Legítima e justa, portanto.

Fica o exemplo de que essa é a linha natural de atitude dos homens quando enxergam, no momento do impacto ambiental, que ou agem ou perecem. Indica claramente o que ocorrerá no mundo quando a semântica de desenvolvimento, crescimento, progresso mudar para o seu verdadeiro sentido: destruição e morte.

Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista, colaborador e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

EcoDebate, 24/03/2010

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