Lanche da Escola, um problema tamanho famíla, artigo de Américo Canhoto

Lanche da Escola, um problema tamanho famíla

[EcoDebate] Lanche, cardápio de escola e de PF de boteco é tudo igual; quem viu um; viu quase todos – tal e qual algumas músicas de cantores e grupos famosos: quem ouviu uma ouviu todas – ou políticos em campanha eleitoral: quem ouviu, viu ou assistiu ás promessa de um; viu e assistiu á de todos – ás vezes; o que varia é o preço a pagar…

Com algumas pequenas variações os cardápios dos PF de boteco – Segunda: virado – Terça: carne ensopada – Quarta: feijoada – Quinta: macarrão com frango – Sexta: peixe – Sábado: feijoada de novo – Domingo: come em casa.

Claro que alguns permitem além do básico arroz com feijão uma ou mais opções de “mistura” e a saladinha de duas rodelas de tomate e duas folhas de alface.

Lanches de mata fome: Os tradicionais “Jesus me chama”: salgadinhos fritos (coxinha, quibe, risolis… – e os “assados” (enroladinhos e Cia ltda) – as “tranqueiras” de todas as marcas estão sempre á disposição a preços módicos; ou não; depende da grife. Claro que prá engolir essas coisas, é preciso a ajuda de líquidos (nunca água) com gás ou sem gás.

Cardápios de escola também se parecem: Segunda: carne moída com purê de batata – Terça: macarronada com frango – Quarta: salsicha ao molho – Quinta: peixe-frito e batata-frita – Sexta: ovo frito – lasanha ou macarrão de novo – opcional : “chikenitos” – Sábado e Domingo: a família que se vire…

A saladinha e os legumes é item opcional – a tal da sobremesa; essa não falta; pois é material de propina para negociar o comer tudo; principalmente a saladinha básica. O “suquinho” ou o “refri” prá empurrar goela abaixo os alimentos; e até as gororobas; esse é um item essencial

O diferencial é a criatividade de cada um em transformar o basicão cultural da dieta em novidade…

Mais comemos do que nos alimentamos; comer é ato instintivo, ação primária de sobrevivência; desde que tenhamos o alimento. Hoje, na era da razão; esse descuido representa perigo á sobrevivência; pois, o instinto não é mais sozinho um aparato eficaz na alimentação; é preciso raciocínio para comer; é vital observar, selecionar e disciplinar, o que, de que maneira e, em que momentos devemos nos alimentar. Claro que sem gerar mais estresse – trocar, muito de vez em quando, um prato nutritivo e chique por dois zoíudos (ovo frito) com arroz branco não mata ninguém…

Segue uma dieta quem busca saber receber do alimento o que atenda suas necessidades de evolução física e ética; já observa, raciocina e percebe as limitações do seu organismo; daí em diante respeita-se e vive mais e melhor. Esse já pode ser considerado um ser quase humano.

Repetindo colocações em artigos anteriores não compreendidas por muitos leitores; pela interação manifestada ou não:

O ato de viver é troca interminável; mas essa percepção nos escapa nas lides do cotidiano; quando nos alimentamos sem nos prepararmos para receber o que o alimento tem a nos oferecer significa reter ou adoecer, receber é estabelecer uma relação de troca e, se o experimentamos como fenômeno unilateral; que se limita a algo a nos ser dado; nós nos separamos da realidade da troca que representa em última instância, a vida.

Identificar bem cedo os mais problemáticos é fácil; basta observar as crianças comendo o lanche da escola – algumas negociam ou até praticam bullyng de comida com outras ao exigir ou trocar o lanche que a mãe mandou de casa.

Quando comemos de forma compulsiva não observamos nada – é isso que aprendemos nos primeiros anos de vida – tanto na vida em família quanto na escola e na vivência em sociedade.

Disseminado e incentivado desde as civilizações antigas o vício alimentar sempre foi danoso à saúde, mas hoje ele se torna rapidamente mortal; devido aos excessos e à química – pela falta de qualidade humana das gerações que se sucedem fabricando “tranqueiras” com o “saudável” objetivo de lucrar muito.

Esse é um problema generalizado e cada vez mais globalizado.

Mesmo na vida contemporânea, nós ainda permanecemos na fase oral individual e coletiva; inclusive, muito dos rituais nos quais cada festividade tem suas comidas especiais ainda persistem; a maioria das sociedades valoriza demais uma mesa farta e variada; e isso é reforçada pelos conceitos da sociedade consumista, que apregoa o “quanto mais se come melhor”; para quem vende é claro; e como a maior parte dos consumidores é constituída por avessos ao ato de pensar e refletir firmou-se o conceito: quanto mais se come mais saúde se tem – Ou estes primores: “Desta vida só se leva o que se come, e o que se bebe! Graças a Deus não perco jamais o apetite!”.

Como não poderia deixar de ser; nesta fase de final de ciclo; os problemas e as soluções são globalizados – daí a ação da mídia é determinante para melhor ou pior:

Importação e exportação: quem pode mais $; chora menos (empréstimos).

Na sociedade de consumo a mídia criou mais um paradoxo: a imagem do bebê rechonchudo; corado; cabelo encaracolado; olhos azuis; este é o padrão do bebê vencedor que só bebe determinada marca de leite; que só come a papinha tal; toma a vitamina não sei das quantas; ele é a imagem da saúde vendendo saúde a ser copiada; depois, coroando o paradoxo essa mesma mídia cria a imagem do adulto vencedor: esbelto, bronzeado; e tenta vender-lhe o medicamento emagrecedor X, a dieta Y – Isso nos lembra alguma coisa?

Estamos á beira de uma catástrofe no processo de humanização? Talvez; pois, pensamos lento e a informação chega de forma cada vez mais rápida.

Em se tratando de respeitar nossa natureza; nós desprezamos o leite materno; e nos submetemos aos apelos consumistas; então, “entupimos” nossas crianças com proteínas lácteas e vitaminas suplementares: originando as alergias, disfunções, obesidade etc. Em alguns lares quando, em se tratando de “encher a pança”, a criança não atende aos anseios do grupo familiar a mãe é responsabilizada pela estrutura física da criança; é claro que isso promove discórdia familiar, cobranças; além disso, gera mágoas e ressentimentos difíceis de serem superados.

Dieta mata-fome estilo “Jason”:

Tornamos nossa fome algo destruidor e imortal. Tentamos matá-la o tempo todo; mas, no próximo capítulo (refeição) ela ressurge cada vez mais perigosa e viciadora…

No estilo de vida em que estamos imersos, inevitavelmente, a criança em idade escolar é vítima dos apelos da mídia do consumo; e da inércia dos adultos: família, escola e sociedade. Elas estão sendo “chipadas” – pois, diariamente centenas de “chips” entram no seu organismo as transformando zumbis da comida; pois afetam seu cérebro com o vírus da preguiça mental.

Exemplo, da rotina de um escolar do período da manhã: ele é acordado; e nesse momento diz não ter fome, vai para a escola e lá come lanches e guloseimas; dependendo do horário, “matou” o almoço; pois ao chegar á sua casa pouco participa da refeição; pois claro; não está com fome – mas, sofre pressão da família para comer; daí “belisca só o que gosta” exacerbando o desastroso apetite seletivo – mais á tarde está “morrendo de fome” e come outro lanche ou “tranqueiras industrializadas” e tenta matar o “Jason” com um salgado “django” ou com um isopor com gosto que lembra bacon e com cheiro de chulé; daí repete-se no jantar o ocorrido no almoço. – e logo, péssimos e cada vez mais perigosos hábitos alimentares se instalam.

No momento atual esse é um problema cada vez mais grave, devido ao estilo de vida que gera o estresse crônico e um estado mórbido de ansiedade que acaba sendo “afogado” na comida ou na bebida (sucos; refri e só depois: álcool). Nessa situação, há uma desenfreada correria atrás de carboidratos (açúcar doce e salgado – alimentos feitos com açúcar, farinha de trigo, chocolate) que enquanto estão sendo metabolizados acentuam a ação da serotonina; um mediador químico neurológico que gera a sensação de bem estar – mas, o preço a pagar é muito alto: “epidemia” de diabetes e obesidade nas crianças.

Feito um “Rambo” o lanche na escola “detona” a necessária e vital disciplina alimentar das crianças – e a platéia de adultos fica só assistindo, comendo pipoca e bebendo e torcendo…

Com a agravante da péssima qualidade nutricional deste tipo de alimento; pois nas cantinas das escolas publicas e privadas campeia o interesse comercial; não importa sob que disfarce de justificativas dos interessados em explorá-la comercialmente.

Inevitavelmente; ao longo do tempo surgem carências no organismo da gurizada: falta de vitaminas e sais minerais em razão da dieta desbalanceada. E para piorar, as crianças ansiosas ou com o centro da fome “desregulado”, passam a sofrer de gula; TOC alimentar; diabete, obesidade, etc.

O que fazer?
A solução seria fácil e simples; mas predomina a má vontade em reciclar hábitos; não se investe tempo e esforço na reeducação dos adultos para dar bons exemplos; as dificuldades alegadas para mudar são infantis e descabidas; em todos os segmentos da sociedade; sem distinção. Criam-se empecilhos e “montanhas de dificuldades” para mudar condutas sabidas como inadequadas; apenas para preservar interesses de todos os tipos e por preguiça: falta de consciência – a grande doença da humanidade.

O PAPEL DO ESTADO

A criança vai á escola para comer ou para estudar?

Entre nós, as duas coisas, parte importante da solução do problema de corrigir a dieta cabe aos servidores públicos ou “Estado”; já que, um grande número das crianças da rede publica só faz refeições “decentes” na escola; pois, em casa não há variedade nos nutrientes que o organismo da criança necessita; não apenas por falta de recursos financeiros; mas, principalmente pela falta de senso crítico; subproduto da educação que grassa entre nós.

Por que o Estado não funciona?
Por que não se resolve de vez o problema da instituição de uma dieta correta?

Não se trata pura e simplesmente de competência; apenas faltam boa vontade e clareza nos interesses aos encarregados de licitar, comprar e preparar os alimentos – Mas, que fique claro: eles não estão sendo julgados; na maior parte dos casos, a família faz pior – a diferença é que a família não tem facilidades nem recursos para aprender a se reciclar; nem ganha ou lucra para isso. – nessa condição natural; não importa desculpas e justificativas; todos nós iremos prestar contas á consciência.

No assunto em pauta; antes de tudo; é preciso reeducar o funcionalismo; pois, tal e qual a família; as pessoas encarregadas de comprar e preparar as refeições tende, de forma não consciente, a oferecer á criança apenas o que gosta de comer – um dos grandes desafios na vida humana é a mudança de hábitos. No caso em questão juntam-se os interesses pessoais ou de grupos á preguiça e aos maus hábitos de todos.

Deixando de lado as “maracutaias” dos pregões, licitações; desperdício; pagamentos e recebimentos; jogo de poder, etc.

O mais importante é colocar a saúde da criança acima dos interesses – E, principalmente parar para pensar e observar para evitar, por exemplo, a atitude pouco sensata de oferecer leite com achocolatado para as crianças com doenças alérgicas – aquelas que vivem com o nariz escorrendo; as que sofrem de constantes crises de bronquite; pneumonias; e outras doenças infantis de fundo alérgico.

Vamos fazer uma brincadeira:
Um método simples de se criar bons hábitos de alimentação é: servir diariamente ás crianças um “filé á cubana”.

Muitas pessoas em cargos de mando são adeptas da autocracia que se vive lá – Nada contra nem a favor; mas o exemplo de como as coisas funciona lá pode ser usado com ganhos; cá – dentre eles a disciplina mais ou menos compulsória até que a disciplina estilo JQ: “Filo por que quilo” se institua; naturalmente; passo a passo.

Nino!
Quer comer coma! – Não quer fique com fome! – Amanhã e depois de amanhã será a mesma coisa! – Em su casa vai ser a mesma coisa!

Nestas bandas; em se tratando de saúde coletiva; o funcionário público em tarefa de nutrir as crianças teria papel fundamental de “cubanizar” de forma inteligente e voluntária a reciclagem dos hábitos: detonar com o desastre evolutivo chamado apetite seletivo – que, como dissemos em nosso livro “Quem ama cuida”; afeta todo nosso desenvolvimento psicológico durante a existência.

Tanto lá quanto cá:
Quem tem fome: come – quem está mais ou menos com fome: escolhe.

Claro que é complicado desentortar a árvore que já se desenvolveu torta; embora sempre seja possível dar uma “podadinha” aqui e outra ali para melhorar os hábitos (colocar a criança maior para repensar a dieta) – daí que o trabalho de formação de bons hábitos depende muito da competência e da boa vontade do pessoal das creches.

AÇÃO DA ESCOLA PARTICULAR

Boa parte das crianças, hoje, vai muito cedo para a escola: berçários e educação infantil. Embora na escola particular seja mais fácil individualizar a dieta; essa atitude só ocorre quando “a vaca já foi pro brejo”; ou seja: o organismo da criança já está detonado com alergias e outros problemas – e assim mesmo, a contra gosto de todos os envolvidos – como se aquilo fosse o fim do mundo – Tadinho do Zezinho! – Não vai mais poder comer suas “bolachinhas” nem tomar seu “todinho” – De vez em quando pode? – Né? – Adivinha de quem é essa fala – Ganha um doce quem disser: é a vovozinha!

Na escola privada também não há adequação de dieta; seja pela transmissão de hábitos dos envolvidos (escola e família que mete o bedelho) quanto por questão de logística – onde o núcleo central do problema é $ (é preciso agradar á família para manter o plantel de alunos).

Seria papel importante da escola de educação infantil colaborar na reciclagem de hábitos da família; caso as pessoas fossem mais capacitadas e o fator financeiro não fosse tão crucial.

Quando a criança faz suas refeições na escola, a preocupação dos pais é apenas: a criança comeu bem (quer dizer na linguagem da maioria: muito)? – Não há interesse, pela falta de cultura, em saber o que a criança comeu? – É comum: os pais duvidam que a criança se “alimente” tão bem na escola conforme vem no relatório (muitos manifestam isso durante as consultas); pois, no final de semana em casa é uma “guerra com tortura e tudo” para que “comam”.

Numa sociedade onde todo mundo se faz de louco para satisfazer os interesses; e manter as aparências (no ensino, uns fingem que aprendem e outros fingem que ensinam) sobreviver no mercado da educação não é fácil; não.

Mesmo profissionais capacitados e interessados sofrem para criar situações de mudança de hábitos.
Um problema crucial é o cardápio da escola – o menu – que obrigatoriamente se torna um PF por uma questão também de logística.

O cardápio como “isca” para atrair alunos:
Muitas famílias sem que percebam escolhem a escola para os filhos não apenas baseados no ambiente físico e na pedagogia – mas, também pelo cardápio que bata com seus hábitos e preferências – Aí da escola que inove no cardápio; as famílias são absurdamente tradicionalistas na dieta; daí, poucos alunos – e – depois portas fechadas. Mas, não tem problema; tem lugar prá todo mundo no mercado da educação: escola de educação infantil é tal e qual Pet Shop – em cada esquina tem ao menos uns dois.

O PAPEL DA FAMÍLIA
Qual a origem da postura: “Só gosto disso!” – “Não suporto aquilo” (especialmente para os que detêm condição $ de escolha). – Nesse caso; por nunca ter-lhe sido permitido viver plenamente a sensação real de fome a criança tem o tempo todo o apetite parcialmente satisfeito; isso gera o apetite seletivo – e desse modo, faz-se do ato de comer apenas uma fonte de prazer; mesmo que inventemos desculpas e justificativas, sabemos que, das muitas das vezes em que nos alimentamos, nós o fazemos por outras razões; que não a fome; violando uma lei básica da vida.

Devemos aprender e a ensinar rejeitar no apetite o prazer físico como um fim em si mesmo; pois, nessa forma de escolher; nós sofremos, naturalmente, as conseqüências desta escolha na forma de doenças de instalação rápida ou tardia.

Nem tanto na escola; mais em casa; a pressão emocional verbalizada ou não; canalizada sobre a criança para que coma é intensa e doentia – e – favorece o apetite discriminatório com anorexia nervosa. Exemplo: Mãe pressionada por paradigmas alimentares transfere sua ansiedade para a alimentação do filho que desenvolve apetite seletivo; cada refeição torna-se sessão de tortura; o adulto serve ou “faz o prato” da criança; o que não deixa de ser uma forma de impor o quanto ela tem que comer; isso reforça a reação de defesa do livre-arbítrio dela que se recusa; a repetição a leva a perceber a fraqueza do adulto e passa a manipulá-lo; usa a chantagem emocional reforçada pela atitude do adulto que passa a premiar o ato fisiológico de comer. “Se comer tudo, eu te dou isto, se comer determinado alimento, te dou aquilo”!. Ou chegando a apelar para agressão física ou verbal. “Se não comer pelo menos isto, vou buscar a cinta e vou te deixar de castigo! Breve o local de refeição da casa torna-se campo de batalha com estratégias e tudo; cada qual luta com as armas que tem a disposição.

Nós tornamos a vida um paradoxo prá lá de maluco – Será que em se tratando de hábitos alimentares: Sorte de quem é criado em escolas publicas bem dirigidas (algo cada vez mais raro); pois fica um pouco liberto dos obsessores da dieta – Será?

Na vida em família: somos lentos nas mudanças e continuamos “fazendo o prato” dos filhos segundo o que e quanto foi ditado pela cultura e pela mídia e não importa a idade deles; tenham três ou trinta anos; mas, a marca produzida na infância é tão profunda que, muitas vezes passadas décadas; ainda se mantêm.

Remédio?
Disciplina.
Claro que esse é um assunto divertido, gostoso, extenso e polêmico; pois, o ato de comer é o recurso pedagógico mais democrático á nossa disposição para progredir – mas, só para criar um motivo de discussão, é bom tentarmos responder a algumas questões simples e primárias:

Recreio da escola é prá brincar ou comer?

Lutar contra a maré, ás vezes, é divertido; noutras cansa e dá um prejú lascado.

A idéia de brincar de avatar do discernimento para enfrentar o “lanche rambo” que enfrenta a “fome Jason” e se torna um “duro de matar da preguiça de pensar”; não dá “Oscar de profissional da hora” – apenas, o prêmio “noinha tupiniquim”.

Explico a trama dessa comédia/drama; que se desenvolve no nosso universo das cobaias:

Ontem atendi uma criança cuja queixa principal da mãe – não da criança era a seguinte:
– Dr! – Essa criança está com um problema sério de falta de apetite; e tenho medo que vá ficar com anemia ou problemas mais graves! – a família inteira está me cobrando (leia-se: vó e tias)! – Não sei mais o que fazer! – Estou desesperada: capricho tanto; mando só o que ele gosta; mas, mesmo assim; o lanche da escola está voltando quase inteiro! – É um absurdo que essa criança não goste de comer! – Não sou médica; sou (…); mas acho que é problema de “vermes” e falta de vitamina! – Gosto muito do senhor e da sua forma de esclarecer; mas, estou sendo pressionada – Não sei o que fazer! – O primo dele, meu sobrinho é um ano mais novo, come feito uma “lima nova”; está mais forte, do tamanho dele e com 3 kg a mais; eu não ligo prá isso; mas, todo mundo fica comparando; e eu não agüento mais as cobranças da família. Reconheço que meu filho não adoece como meu sobrinho que está com o colesterol bem mais alto do que o do meu; graças a Deus (?) – mas, se ele continuar não comendo; vai ficar doente; e, sei lá se algo mais grave não pode acontecer…

Confesso que ainda deixo muito a desejar como profissional da vertente que escolhi: educação em saúde – Até que estou “melhorando” ouvi todas as queixas sem interromper.

Perguntei o que ela mandou de lanche; e que ele não comeu.
– Fiz o que ele gosta: 2 bisnaguinhas com requeijão e manteiga; um suquinho, uma barrinha de cereais e um chocolate – fruta nem mando mais; pois volta tudo – E sabe o que ele comeu? – apenas uma bisnaguinha e tomou o suco; e até a barrinha de cereais e o chocolate voltaram; isso é grave – pois, criança gasta muita energia (?)…

Confesso que tenho muito que melhorar a forma de abordagem.
– Sorte dele! – Imagine se tivesse comido todas essas “tranqueiras” e não tivesse brincado!
– Resumindo: mais um paciente “perdido” – tanto no atendimento; quanto pior: mais uma vítima do sistema; talvez mais um número a engrossar as estatísticas das crianças que morrerão antes dos seus pais…

Cansei; como diz a molecada de hoje: ema, ema, ema – cada um com seus ‘probremas’…

Mas; resumindo:

SE VOCÊ FOSSE UMA CRIANÇA DA ATUALIDADE CRIADA NUM REGIME DE CONFINAMENTO E ENGORDA – NA HORA DO RECREIO PREFERE BRINCAR OU COMER?

Américo Canhoto: Clínico Geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Usa a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico.

* Colaboração de Américo Canhoto para o EcoDebate, 19/03/2010

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4 comentários em “Lanche da Escola, um problema tamanho famíla, artigo de Américo Canhoto

  1. O que me aborrece muito é saber que poucos pais vão ler essa matéria.
    Parabéns Dr Américo! Este texto é uma ótima reflexão. Vou divulgar.

Comentários encerrados.

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