Os projetos de plantios de eucalipto no estado do Maranhão, artigo de Mayron Régis

Os projetos de plantios de eucalipto no estado do Maranhão
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[EcoDebate] O estado do Maranhão pertence às áreas de transição. A maioria dos estudos cita de raspão essa característica fundamental desse estado. Um ou outro estudo bota um pouco mais de lenha no fogo da cozinha para requentar a panelada de informações cientificas que esfriou. A forma como os grandes projetos de infra-estrutura e de produção de bens primários e de bens semi-elaborados pretendem desenroscar os muitos aspectos da realidade social, ambiental e econômica dessa região tende a ser impermeável.

O mapa acima foi fornecido pelo professor Expedito Barroso, da Universidade Estadual do Maranhão, em Imperatriz. Ele diz respeito a áreas novas e áreas não tão novas onde a Suzano Papel e Celulose racionava informações sócio-ambientais e econômicas para o seu projeto de reflorestamento com eucalipto. Segundo a empresa, os quase 400 mil hectares nas regiões oeste e sudoeste, dos cocais e do Baixo Parnaiba supririam a demanda mundial crescente por celulose, mas, principalmente, a demanda da China. Um país que cresce vertiginosamente de 8 a 10% por ano precisa de muito papel.

Boa parte da pesquisa cientifica vive no reino da estatística e no reino dos índices. A pesquisa cientifica capitaliza para si os valores que as empresas providenciam para o levantamento de informações dos estudos de impacto ambiental. Os estudos de impacto ambiental poderiam insuflar a sociedade a rechaçar projetos como hidrelétricas, como siderúrgicas, como plantas de celulose e etc.

Subtende-se, nos preâmbulos entre empresa, pesquisadores e órgão de licenciamento ambiental, que os estudos cumprem mera formalidade temporal, legal e litúrgica . Dentre os vários pesquisadores da academia acionados pela Suzano para as coletas de dados, o professor Expedito Barroso taxou a proposta da empresa como uma coisa anódina, típica de companhia das bananas, como no livro “Cem anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Marques. Que pesquisadores se gabariam por um estudo de impacto ambiental pronto em um mês?

Com quantos hectares de eucalipto se faz uma pesquisa decente? Um dos integrantes da equipe de pesquisadores do Eia-Rima do projeto da Margusa, de 2006, declarou que a STCP, na epoca contratada da Gerdau, pedia para retirarem pontos polêmicos do estudo. Em agosto de 2009, a STCP e da Idesa, empresas de consultoria contratadas pela Suzano, em Imperatriz, oeste do Maranhão, agraciaram as organizações da sociedade civil com uma bateria de perguntas.

O dia, daquele mês de agosto, encerrou-se e as organizações cobraram o envio do relatório da reunião para os respectivos endereços eletrônicos, contudo até o mês de janeiro de 2010 nada foi enviado. Agosto de 2009 pra frente, as informações prestadas pela sociedade civil de Imperatriz se petrificaram em sigilos de segurança empresarial.

Na região Tocantina, a Suzano comprou 80 mil hectares de plantios de eucalipto da Vale do Rio Doce. Com esses plantios, a Vale produzia ferro-gusa nos seus fornos em Açailândia que ficam do lado do assentamento Califórnia. Os assentados ocuparam a guseria da Vale em 2008 para chamar atenção dos impactos socioambientais ocasionados pela queima incessante de eucalipto nos fornos. Nessa parte do Maranhão, sobra pouca alternativa para a agricultura familiar e para os agroextrativistas. A produção de arroz nas propriedades dos agricultores familiares morre pela grande quantidade de agrotóxicos no lençol freático. E o extrativismo do babaçu compete com as carvoarias pelos cocos de babaçu.

Esses 80 mil hectares faziam parte do projeto Celmar, da Vale do Rio Doce. Plantios de eucalipto para celulose. Com a crise no setor, os plantios nos municípios de Açailândia, Cidelândia e etc foram direcionados para a indústria de ferro-gusa na região. Uma parte do minério de ferro é exportada. A outra parte vai para as guserias de Marabá, Açailândia, Santa Inês e Bacabeira que precisam de mais e mais áreas de mata nativa e de monocultura de eucalipto para acinzentarem seus fornos de ferro-gusa.

Mayron Régis, assessor Fórum Carajás, colaborador e articulista do EcoDebate.

EcoDebate, 18/01/2010

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