Mudanças lentas, como o derretimento de massas polares, intensificam o aquecimento promovido pelos gases de efeito estufa

degelo no Ártico

Aquecimento amplificado – – Mudanças lentas no cenário terrestre, como o derretimento de massas de gelo, ampliam o aquecimento promovido pela emissão de gases de efeito estufa. A conclusão é de uma pesquisa [High Earth-system climate sensitivity determined from Pliocene carbon dioxide concentrations] publicada neste domingo (20/12) na revista Nature Geoscience, logo após a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15).

O estudo investigou um outro período de aquecimento global, ocorrido há cerca de 4,5 milhões de anos. Segundo o trabalho, uma pequena elevação nos níveis de dióxido de carbono atmosférico esteve associada com um aquecimento global substancial durante o Plioceno Inferior.

O estudo destaca que a sensibilidade da temperatura da Terra a aumentos nos níveis de dióxido de carbono é maior do que as estimativas feitas por modelos climáticos que incluíam apenas mudanças mais rápidas.

O dióxido de carbono e outros gases estufa acumulam o calor na atmosfera, promovendo o aumento nas temperaturas atmosféricas e na superfície dos oceanos. Respostas relativamente rápidas ao processo incluem alterações nos níveis e no comportamento do vapor de água atmosférico, das nuvens e do gelo marinho.

Ana Christina Ravelo, professora de ciências oceânicas na Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos Estados Unidos, um dos autores do estudo, destaca que essas alterações de curto prazo provavelmente disparam mudanças de longo prazo em outros pontos, como na extensão dos mantos de gelo continentais, na cobertura vegetal e na circulação oceânica profunda, que levam a um aquecimento global adicional.

“A implicação é que esses componentes mais lentos no sistema terrestre, uma vez que têm tempo de se alterar e de se equilibrar, podem amplificar os efeitos de alterações pequenas na composição de gases estufa na atmosfera”, disse.

Os pesquisadores usaram amostras obtidas a partir de perfurações no fundo do mar em seis diferentes locais pelo mundo para reconstruir os níveis de dióxido de carbono nos últimos cinco milhões de anos no planeta.

Eles verificaram que durante o Plioceno Inferior e Médio (de 5 milhões a 3 milhões de anos atrás), quando as temperaturas médias globais estavam de 2º C a 3º C acima das atuais, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera era semelhante aos níveis atuais, ou 30% maior do que os valores pré-industriais.

“Uma vez que não há indicação de que o futuro se comportará de modo diferente do passado, podemos esperar alguns graus a mais de aquecimento mesmo se mantivermos as concentrações de dióxido de carbono nos níveis atuais”, alertou Mark Pagani, professor de geologia e geofísica na Universidade Yale e outro autor do estudo.

O artigo “High Earth-system climate sensitivity determined from Pliocene carbon dioxide concentrations”, de Ana Christina Ravelo e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Geoscience , doi:10.1038/ngeo724, clicando aqui.

Reportagem da Agência Fapesp publicada pelo EcoDebate, 22/12/2009

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