Greenwashing: O querer e o não querer, artigo de Maurício Gomide Martins

Greenwashing

“O querer e o não querer foram postos numa balança.O querer por vontade e o não querer por vingança.”

[EcoDebate] Depois que, em fevereiro de 2007, foi amplamente divulgado o relatório dos cientistas reunidos no Painel da ONU, pelo qual ficou evidenciada a degradação do planeta pela ação gananciosa do homem, o assunto ECOLOGIA – em vez de ser abordado com a seriedade e gravidade de sua evidência – tornou-se ponto de apoio para a publicidade comercial em geral.

Dá nojo, angústia e revolta o uso que estão fazendo desse tema. Isso se chama manipulação de emoções. Esse recurso comercial, chamado também de estratégia de venda, não é novidade na área econômica, mas chegar a esse ponto – fazer apelo comercial com a desgraça planetária – é o maior dos crimes que podemos conceber. Só podemos entender esse abuso como mais um ato de paranóia do lucro; lucro acima de tudo, tudo, até da própria vida. Seria, a nosso ver, o estágio último da decadência humana, a inconsciência de ser, o desconhecimento absoluto da razão espiritual de nossa existência. Enfim, a negação suprema de nossa origem divina.

Desde a divulgação do mencionado relatório, vem-se intensificando o uso de tal recurso. Citamos alguns desses atos criminosos: diversos bancos criaram novos planos financeiros, chamando-os de ecoinvestimento, ecofinanciamento, ecofidelidade, ecocliente e outros nomes apelativos da espécie. Vários anúncios em revistas e jornais destacam que suas atividades (metalurgia, mineração, fundição, etc.) estão em harmonia com os interesses ecológicos. A Petrobras atualmente veicula abundantemente que suas atividades não agridem a ecologia. Algo mais poluente e destruidor que o petróleo? Estão aumentando as ressalvas, nos anúncios das indústrias, de que suas atividades são ecologicamente corretas. Está virando moda rebatizar as palavras com o prefixo “eco”, na suposição de que isso lhes dá a autenticidade de bom caráter. É o criminoso escondendo as mãos.

A propósito, lembramo-nos de um filme antigo, chamado “A montanha dos 7 abutres”, que demonstra como e por que é usado o artifício comercial da mentira e hipocrisia, calcado no sentimento dos bons de coração, apenas para atingir o paroxismo febril do lucro. Há pouco tempo, a mídia comoveu o Brasil até a exaustão, explorando o sofrimento de câncer incurável do Dr. Laureano, um médico nordestino que foi em vida um filantropo. Viu-se recentemente, durante mais de 30 dias, o esgotamento de todo o combustível emocional da tragédia com o avião da TAM.

Enfim, nessa ânsia pelo lucro tudo vale. Até a adoção da hipocrisia que incorpora tanto o QUERER como o NÃO QUERER. A escolha é sempre o lucro.

Ambientalistas: acautelem-se com os vendilhões do templo.

“Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.

* Colaboração de Maurício Gomide Martins para o EcoDebate, 14/12/2009

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