Brasil: pensando o futuro, artigo de Laércio Bruno Filho

Brasil

[EcoDebate] O Brasil se projeta no cenário internacional como o país que em médio prazo deve atingir o patamar de economia desenvolvida. Atravessou o pior momento da recente crise global de forma praticamente incólume, sabiamente utilizando suas reservas financeiras e oportunamente estimulando o consumo interno, apesar de algumas distorções, como por exemplo, o altíssimo custo interno do dinheiro. Mas enfim sobreviveu bem à crise.

Quando comparado á alguns outros países desenvolvidos ainda profundamente envoltos na recessão econômica, como por exemplo Espanha, , que tem alto índice de desemprego (ultrapassando 11%)ou Inglaterra cujo PIB encolheu 0,4 % no ultimo trimestre, nota-se que o país estabilizou sua economia e retoma o crescimento de forma surpreendente e promissora.

Fatores Contribuintes

Energia
A divulgação da descoberta do Pré-Sal funcionou como um empurrão para frente,uma mola propulsora da auto-estima econômica para o País e aos brasileiros,atraindo bilhões de dólares em investimento produtivo.

Projeções técnicas apontam que dentro dos próximos 10 anos a riqueza vinda do pré-sal já esteja à tona e convertida em volumosos recursos financeiros fundamentais ao desenvolvimento e o crescimento sustentável do país. Inclusive já oferecendo visões de um futuro economicamente mais estabilizado e amplo , com grande geração de novos negócios, serviços, produtos e tecnologias. Principalmente na área de infra-estrutura que edificará o suporte necessário à logística da extração do petróleo, o refino e sua distribuição trazendo junto toda a cadeia de serviços e produtos correlatos.

Esporte, Educação Turismo e Serviços

A Copa do mundo de 2014.
O Brasil vai movimentar dezenas de bilhões de dólares na construção da infra-estrutura esportiva, logística, hoteleira e na educação e capacitação profissional da população. Já hoje o BNDES sinaliza com oferta de recursos que serão direcionados, entre outros, à modernização do segmento aeroportuário.Haverá intenso ingresso de capital externo por conta do fluxo de visitantes resultando em grandes lucros para o país.

Sendo uma atividade produtiva que não polui,o Turismo exige em contra-partida um criterioso preparo da mão de obra envolvida na sua operação.

Serão necessários profissionais adequadamente capacitados no atendimento ao turista; domínio de línguas estrangeiras; incorporação de valores sociais como cidadania, conhecimento da cultura local – historia e costumes brasileiros e comprometimento com a preservação do meio-ambiente.

Este conjunto de habilidades incorporados de forma integrada e simultânea, distribuídos de forma fisicamente equânime nos pontos críticos, as cidades-sedes, edificará o sucesso do evento. Haverá ganhos concretos de imagem e reputação perceptíveis em nível mundial.

No ano de 2014 o Brasil será a grande vitrine para o mundo.

Olimpíadas de 2016.
O país será novamente o centro da atenção mundial tendo a grande oportunidade para apresentar-se como nação socioambiental educada e tecnicamente capacitada. Mostrando padrões educacionais adequados, contemporâneos com as demandas de nação economicamente desenvolvida. Rede de ensino formal capilar distribuída em todo o território eliminando o analfabetismo funcional. Enfase à ética e redução da corrupção. Distribuição de renda mais equitativa.

Formas inovadoras de contratação e prestação serviços, criação de novas indústrias e produtos ampliação a oferta de empregos para a população.

E quem sabe, o país incorpore o esporte e a educação socioambiental como fatores-chave adicionais para alcançar e manter o desenvolvimento sustentável.

A Questão Climática
Restam apenas algumas semanas que nos separam da Conferencia Climática, em Copenhagen.

O Brasil deveria se posicionar como líder na questão climática. Por conta de suas fortes vantagens comparativas: extensão territorial continental, crescente importância geopolítica e econômica e gigantescas (e ameaçadas) reservas de recursos naturais.

Este posicionamento significa liderar o grupo dos países em desenvolvimento, encabeçando as discussões sobre as exigências e pleitos feitas pelos países e as respectivas negociações necessárias. Assumir agressivas metas próprias de redução das suas emissões (que em sua maior parte são de desmatamento) servindo como exemplo às demais nações, principalmente as grandes emissoras.

A sustentação desta posição se daria por conta de uma coalizão internacional bem articulada com todos os países em desenvolvimento,BRIC inclusive. Formação um bloco único, mesmo considerando-se suas enormes diferenças, com o poder de pressionar e barganhar em favor da contenção do aquecimento global ao mesmo tempo em que preservando crescimento sustentável.

Os mais pobres são os que mais sofrerão com os impactos causados pelo aumento da temperatura: escassez de alimentos, epidemias, desaparecimento gradual de água potável e para agricultar, êxodo de populações; aliados á dificuldade de acesso à ecnologias, conhecimento e analfabetismo, culminando com a relutância na transferência de recursos financeiros para adaptação ao novo clima por parte dos países ricos, o que só agrava o estado de pobreza. Indicadores já amplamente divulgados pelos estudos científicos do IPCC, OMS e ONU.

No cenário global, climático, não existe um líder definido.

Dúvidas pairam sobre esta questão. Todos esperam pelo posicionamento dos EUA, que sabidamente “sofre” muita pressão interna quando se trata do controle interno de suas emissões de GEE. Existe um fortíssimo lobby que é contra reduções de emissões maiores que 20%, ano base 2005, alegando alto impacto negativo na economia americana.

Os demais países europeus não estabelecem um consenso sobre metas e no Japão o segmento industrial duvida do atingimento às metas anunciadas.

“Momentum”
As recentes posições declaradas por entidades brasileiras como a Manifestação publica do Agronegócio e da Industria Paulista (Fiesp); a lei aprovada pela Assembléia Legislativa Paulista estabelecendo metas de redução e controle dos gases efeito estufa em nível estadual, o posicionamento da industria da carne em controlar o desmatamento, do Estado do Amazonas , do Mato Grosso e do Pará em reduzir e punir o desmatamento e incentivar a conservação da floresta em pé, dos gestores públicos se reunirem para discutir metas de controle de emissões,representam todos, sinais concretos que são muito bem vistos e interpretados pela comunidade internacional.

O país inteiro aguarda apenas um sinal verde, apontando quais as medidas pragmáticas a serem seguidas e metas factíveis realizáveis, para abraçar a questão climática.

E este sinal deve partir do governo e sociedade, simultaneamente e em comum acordo.

Cabe ao Brasil, uma vez que possui os pré-requisitos originais reconhecidos e respeitados em nível mundial, se posicionar e trabalhar de forma habilidosa o contexto diplomático afim de modelar o papel de líder climático e incorporá-lo.

O país assumindo esta posição formal perante a comunidade internacional, evoluiria para um estágio socioambiental muito mais avançado em relação às outras potencias em desenvolvimento, como China, Índia e Rússia.

E, para se tornar uma nação desenvolvida este posicionamento é muito significante.

Os eventos programados para os próximos anos representam passos edificantes na grande jornada que deve culminar com o Brasil tornando-se a próxima nação desenvolvida, ainda na primeira metade deste século, ocupando o lugar que lhe cabe no contexto mundial.

Assim, a liderança climática é um fator de vital importância.

* Colaboração de Laércio Bruno Filho para o EcoDebate, 04/11/2009

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