Governo lança plano para combater o desmatamento do Cerrado

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, apresenta o primeiro monitoramento do desmatamento do Cerrado brasileiro, onde, desmata-se uma área de 20 mil quilômetros quadrados a cada ano, o dobro do que é desmatado na Amazônia (10/09/2009). Foto: Antonio Cruz/ABr
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, apresenta o primeiro monitoramento do desmatamento do Cerrado brasileiro, onde, desmata-se uma área de 20 mil quilômetros quadrados a cada ano, o dobro do que é desmatado na Amazônia (10/09/2009). Foto: Antonio Cruz/ABr

* O atual ritmo de devastação do Cerrado é de cerca de 20 mil km² por ano – o dobro do da Amazônia *

O governo lançou ontem (10) um plano para combate ao desmatamento do Cerrado, que até 2011 pretende frear o ritmo de devastação do bioma, que já perdeu 48,2% da vegetação original – quase um milhão de quilômetros quadrados (km²). Somente nos últimos seis anos, o desmatamento atingiu 127 mil km² do Cerrado, de acordo com dados divulgados ontem (10) pelo Ministério do Meio Ambiente.

O atual ritmo de devastação do Cerrado é de cerca de 20 mil km² por ano – o dobro do da Amazônia, que este ano deve registrar desmatamento inferior a 10 mil km².

Os números são do monitoramento por satélite que analisou imagens de 2002 a 2008 e mostra o avanço do desmate na região, pressionado pela expansão das lavouras de cana-de-açúcar, soja, pecuária e pela produção de carvão.

“Os dados mostram realidade muito cruel. Hoje em dia se desmata no Cerrado o dobro do que se desmata na Amazônia. Não queremos que o Cerrado de hoje vire a Mata Atlântica”, comparou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

A Mata Atlântica percorria o litoral brasileiro de ponta a ponta e se estendia do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, ocupando 1,3 milhão de quilômetros quadrados. Atualmente restam apenas 20% de sua extensão original

O governo listou os 60 municípios que, juntos, foram responsáveis por um terço do desmatamento no bioma entre 2002 e 2008 e que serão alvos prioritários das ações de fiscalização e controle.

De acordo com o levantamento, o desmate recente no Cerrado está concentrado no oeste da Bahia – na divisa com Goiás e Tocantins – e no norte de Mato Grosso. As áreas coincidem com as regiões produtoras de grãos e de carvão.

A devastação do Cerrado também ameaça a oferta de recursos hídricos do país. Considerado “a caixa dá água do Brasil”, o bioma concentra as nascentes das bacias hidrográficas do São Francisco Araguaia-Tocantins e do Paraná-Paraguai.

“Se você desmatar mais essas bacias, vai ter menos água, menos energia renovável, menos hidrelétricas. Não estamos preocupados apenas com os bichinhos, com a biodiversidade, estamos preocupados com o desenvolvimento do Brasil”, disse Minc.

Além das ações de repressão, o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento do Cerrado (PPCerrado) prevê medidas de ordenamento territorial, criação de unidades de conservação e implementação de planos de bacias. A previsão orçamentária para o plano até 2011 é de R$ 400 milhões.

Segundo Minc, a resistência de ruralistas para reduzir o desmatamento no Cerrado vai ser maior que a enfrentada pela área ambiental na Amazônia. “A briga vai ser maior: a gritaria vai ser maior, porque no Cerrado as atividades econômicas estão muito mais consolidadas. A guerra vai ser muito mais difícil do que a outra, que já não é mole”, aposta.

Amanhã (11), o ministro participa de uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para fechar fornos ilegais de carvão no Cerrado. O plano vai estar em consulta pública a partir de ontem na página do Ministério do Meio Ambiente na internet. http://www.mma.gov.br/sitio/

Reportagem de Luana Lourenço, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 11/09/2009

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