Comunidades quilombolas denunciam degradação dos recursos hidricos no Baixo Parnaiba

Mata Roma/Maranhão, 04 de agosto de 2009 –Documento em Defesa dos Recursos Hídricos da Região de Mata Roma

Representantes das comunidades Murici, Areal, Onça, Santa Rosa, Bom Sucesso, Cajueiro, Guadelupe, Boqueirão do Gado, Caridade, Primeiros Campos, Currais I, Tucuns ,Santa Luzia, São João, Nicolau Tabatinga, Cidade Nova, Anajá, Ananás, Centro dos Jonas, Centro dos Jerônimo, Mata Alta, Santa Elvira, Mucuim, Olho D’Água, Mata do Brigadeiro, Muquém e Tabatinga do Município de Mata Roma, Estado do Maranhão, reunidos nos dias 18 e 19 de julho de 2009, em atividade de educação ambiental, tendo como uma das discussões o aterramento de nascentes dos rios e do riacho que banham o município decidiram elaborar este documento solicitando providências para que não percamos esse bem precioso que é a água.

DOS FATOS

O município de Mata Roma é banhado pelo rio Preto, riacho Estrela, rio Munim e rio Muquém, fontes de água e alimentação para as famílias, especialmente as comunidades tradicionais. O riacho Estrela e o rio Muquém são afluentes do rio Preto e esse do rio Munin, beneficiam os povoados além das sedes dos municípios de Buriti, Anapurus, Mata Roma e São Benedito do Rio Preto . Além da alimentação e abastecimento de água, os rios tem sua importância para a cultura, lazer e a economia, nos seus cursos há várias áreas denominadas “banhos” espaços onde as famílias da região se encontram aos finais de semana, para a prática de esporte. É fonte de renda para pescadores artesanais, agricultores familiares e irrigantes.

Em diagnóstico rápido foi identificada diversidade de espécies de flora e fauna inclusive recursos pesqueiros, são exemplos de recursos pesqueiros:jeju, traíra, piau, lope, piaba larga, pataca, cascudo, sarapó, bate papo, cachimbo, joão duro, escama dura, cará, branquinha, piau, piranha, flecheira e camarão. Como espécies da flora de mata ciliar: juçara, bacaba, butiti, buritirana, ingá, angelim, azeitona, ingarana, junco, aguapé, mamorana; aninga, membeca, ameixa, oiticica, assa peixe, mirim, murici, maria mole, mulundu, marajá, cipó rabo de macaco, pau d’agua anajá, camaçari. Espécies da fauna encontradas no ecossistema: jacaré, sucuri, catirina, siricora, socó, garça, siriema, martim pescador, morcego, lagartixa, camaleão, sapo.

Essa riqueza está ameaçada pela fronteira da soja, as propriedades estão situadas próximas a essas fontes de água. O desmatamento das suas nascentes vem comprometendo a quantidade da água e a infiltração de agrotóxicos utilizados pelas empresas de soja vem comprometendo a qualidade da água. No caso do riacho Estrela duas de suas nascentes situadas nos município de Buriti e Anapurus foram desmatadas e aterradas pela SLC Agrícola, empresa de capital holandês que explora soja e que detêm uma grande quantidade de área no Estado do Maranhão.

DA SOLICITAÇÃO

  • Levantamento de todas as nascentes da região;
  • Proteção das nascentes a região, no cumprimento da LEI 4.771/65;
  • Recuperação das duas nascentes do riacho Estrela;
  • Recuperação das matas ciliares em processo de degradação;
  • Identificação das espécies da mata ciliar que estão em processo de desaparecimento bem como das espécies alimentícias utilizadas pelos agricultores e agricultoras familiares em suas roças tradicionais a exemplo do feijão, arroz, milho e mandioca;
  • Apoio a melhoria dos sistemas tradicionais de agricultura bem como a comercialização dos produtos.

* Colaboração do Fórum Carajás, para o EcoDebate, 07/08/2009

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