Embrapa Amapá analisa amostra de solos da Reserva Extrativista do Cajari

Embrapa Amapá analisa amostra de solos da Reserva Extrativista do Cajari
Foto Embrapa

Localizada no extremo norte da Amazônia brasileira, estado do Amapá, a Reserva Extrativista do Rio Cajari (Resex) é guardiã de uma riqueza florestal que sustenta o secular extrativismo da castanha-do-brasil e de outros produtos florestais não-madeireiros. Nesta área, a Embrapa Amapá realizou, durante uma semana, coleta de amostras de terra para analisar a fertilidade de áreas de castanhais. O passo seguinte é relacionar os resultados da análise com a produção de castanhas da mesma área. O trabalho é realizado pelo pesquisadores Nagib Jorge Melem Júnior e Marcelino Guedes, os estagiários Ezaquiel de Souza Neves e Emanuelle Raio Pinto (foto) e o assistente Adjard Loureiro Dias.

A coleta faz parte das atividades do Projeto Kamukaia, uma rede de pesquisa coordenada pela Embrapa Acre, com estudos também nos estados do Amapá, Rondônia, Roraima, desde a fase inicial. Este ano, passaram a integrar a rede, as unidades da Embrapa do Pará e do Amazonas.

A equipe local transportou até Macapá (AP) 360 amostras de terra, coletadas nas proximidades das castanheiras, que depois de analisadas nos aspectos físico e químico, terão os dados cruzados com os resultados dos índices de produtividade. O monitoramento da produção acontece há três anos. “Coletamos em três parcelas (delimitações) de nove hectares cada, instaladas desde o início das atividades do Projeto Kamukaia (2005), tanto na área de projeção da copa quanto fora da área de abrangência das castanheiras”, disse Nagib Melém Júnior. As amostras estão sendo analisadas no laboratório da Embrapa Amapá.

O pesquisador Marcelino Carneiro Guedes explica que na análise química serão avaliados nutrientes como cálcio, magnésio, potássio, fósforo; além da acidez, pH E alumínio, e no aspecto físico serão analisados a textura, a densidade e a porosidade dos solos dos castanhais Os mesmos métodos e amostragem são feitos nos demais estados de abrangência do Kamukaia. “A intenção é comparar diferenças e semelhanças entre os estados e verificar se existem padrões de variação na produção de castanhas em função da qualidade do solo, e se estes padrões podem ser generalizados para a
Amazônia”, explicou o pesquisador.

O termo Kamukaia é derivado das palavras de língua indígena Wapixana: kamuk e aka, que significam produtos da floresta. Iniciado em 2005, o Projeto Kamukaia – Manejo Sustentável de Produtos Florestais não Madeireiros na Amazônia, está em sua segunda fase. O objetivo é consolidar informações de ecologia e manejo de espécies florestais com uso não-madeireiro que auxiliem na recomendação de práticas de manejo sustentável para a Amazônia. No Amapá, os trabalhos do Kamukaia envolvem os pesquisadores Marcelino Guedes, Francisco Pereira e Jorge Segóvia (na primeria fase), Nagib Melém Júnior, Ana Euler e Claudio Carvalho, além do analista Walter Paixão e de equipes de apoio de laboratório e de campo.

Iniciação Científica

O projeto Kamukaia busca, além do conhecimento básico, a formação de pessoal, por meio da participação de estudantes de graduação e pós-graduação. Cinco trabalhos de iniciação científica, duas dissertações de mestrado em Biodiversidade Tropical, sobre “Estrutura populacional e produção das castanheiras” (já defendida) e outra sobre
“Ecologia e manejo de andirobeiras”, são desenvolvidas no âmbito do Kamukaia. Os trabalhos mostram dados ligados ao conhecimento gerado pela rede de pesquisa científica.

Está em etapa de impressão uma publicação com os resultados da primeira fase do Projeto Kamukaia, que será disponibilizada para técnicos da extensão rural, estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais de diversas áreas, contendo informações sobre fenologia, estrutura populacional, regeneração natural e caracterização de sistemas de produção para a andiroba, castanhado-brasil, copaíba, unha-de-gato e cipó-titica.

Com relação às pesquisas feitas no Amapá, estão registrados estudos sobre a regeneração natural de castanha-do-brasil em área de Capoeira no Amapá (Paulo Marcelo Paiva e Marcelino Carneiro Guedes), registros de cutia em castanhais na colocação Marinho, da Reserva Extrativista do Rio Cajari (Elizandra de Matos Cardoso Cláudia Regina da Silva), produção de sementes e óleo de andiroba em área de várzea do Amapá (Marcelino Carneiro Guedes Érick Barbosa Souto, Cleuziane Correa e Henrique Szymanski Ribeiro Gomes) e crescimento de raízes e sanidade de cipó-titica submetido à exploração no Estado do Amapá (José Francisco Pereira e Marcelino Carneiro Guedes).

Dulcivânia Freitas DRT/PB 1.063)
Embrapa Amapá

EcoDebate, 16/07/2009

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