Amazônia: Estudo aponta a importância das unidades de conservação para frear a transformação de mata em savana

Reservas ajudam a impedir a savanização da Amazônia

Infográfico AE

Reservas ajudam a impedir a savanização da Amazônia – O respeito às unidades de conservação e às terras indígenas já demarcadas na Amazônia Legal – cerca de 37% da região – garantiria a permanência da floresta e impediria o processo de transformação da mata em savana. A conclusão é de um estudo publicado ontem pela revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Os pesquisadores estimam que há um “ponto sem retorno” – em inglês, “tipping point” – do desmatamento, além do qual a floresta não seria sustentável e sofreria um processo de savanização, tornando-se parecida com o cerrado, mas com menor biodiversidade. No estudo publicado hoje, os cientistas tentaram verificar qual porcentual de devastação marcaria o colapso da vegetação amazônica. Matéria de Alexandre Gonçalves, do O Estado de S.Paulo, com informações complementares do EcoDebate.

Em primeiro lugar, os cientistas criaram um modelo matemático para simular o comportamento do clima regional. O sistema recebia vários dados de entrada, como o porcentual de cobertura vegetal, características locais do solo e condições atmosféricas mais comuns em cada período do ano. Depois, fornecia como resposta a previsão da precipitação de chuva para cada coordenada do mapa.

Alimentaram o modelo com os dados disponíveis dos anos 1997 a 2001. Para testar, conferiram se as previsões pluviométricas para 1997 correspondiam às chuvas observadas naquele ano. Verificaram assim que o modelo traduzia com razoável fidelidade o comportamento do clima e da chuva na Amazônia e podia ser usado para prever cenários futuros.

Os pesquisadores mudaram então um dos dados de entrada: o porcentual de cobertura vegetal. Como controle, consideraram a situação atual – em que 17% da floresta já desapareceu – e um cenário de total devastação – 100% da mata derrubada. Testaram, então, o que aconteceria se 63% da vegetação desaparecesse e só sobrassem as árvores das unidades de conservação e reservas indígenas – cerca de 2,3 milhões de quilômetros quadrados.

Apesar dos danos para a biodiversidade e para as populações tradicionais, segundo o modelo, os fragmentos protegidos de mata não entrariam em colapso com o desmatamento. Também foi testada uma situação intermediária, em que o desmatamento estaria limitado a 27% da floresta.

“Percebemos que haveria uma variação relativamente pequena no regime de chuvas, mesmo se só sobrassem as áreas de preservação”, explica o engenheiro florestal Claudio Belmonte de Athayde Bohrer, coautor do artigo e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF). “Com algumas exceções, seria insuficiente para provocar uma alteração na vegetação.” A região localizada entre a Transamazônica e o Rio Amazonas sofreria a maior diminuição nas chuvas. Mas, em outras áreas, haveria aumento da precipitação (mais informações nesta página).

“As atuais unidades de conservação oferecem uma proteção mínima”, afirma Bohrer. “Mas é preciso que o governo garanta sua efetividade.” Ele considera essencial que as populações indígenas preservem a mata que existe nas suas terras. Para o principal autor do artigo, Robert Walker, da Universidade Estadual de Michigan, as reservas são “”uma ótima ideia brasileira””. “”Mas a lei precisa ser colocada em prática com rigor””, ressalva.

Um estudo divulgado no ano passado em Manaus pelo pesquisador Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontou que a devastação de % da floresta poderia ocasionar processos de savanização no leste e no sul da Amazônia.

Para maiores informações transcrevemos, abaixo, o release da Michigan State University

Amazon conservation policy working in Brazil, MSU-led study finds

EAST LANSING, Mich. – Contrary to common belief, Brazil’s policy of protecting portions of the Amazonian forest from development is capable of buffering the Amazon from climate change, according to a new study led by Michigan State University researchers.

The study, to be published in the Proceedings of the National Academy of Sciences, contends state and federal governments in Brazil have created a sustainable core of protected areas within the Amazon. And even if the remaining Brazilian Amazon is deforested, the climate will not significantly change – thereby protecting the Amazon’s ecosystems.

“The thought has been that if you deforest up to a certain point in the Amazon, the forest will completely lose the ability to recover its tropical vegetation – that you will basically convert it to a desert, especially in the south and southeastern margins of the basin,” said Robert Walker, MSU professor of geography and lead researcher on the project.

“But our research shows that if you protect certain areas of the Amazon, as the Brazilian government is currently doing, the forest will not reach a tipping point, which means we can maintain the climate with levels of deforestation beyond which was originally thought.”

Roughly the size of the 48 contiguous states, the Amazon River Basin is home to the world’s largest rainforest, most of it in Brazil, and is the largest freshwater source on Earth. The Amazon is made up of a wide variety of exotic plant and animal life, including macaws, jaguars, anteaters and anacondas.

In Brazil, the government has set aside about 37 percent of the Amazon basin as protected area, Walker said.

Meanwhile, about 17 percent of the Brazilian Amazon has been deforested since the opening of the basin to development in the mid-1960s, he said.

Critics warn the Amazon is close to a tipping point in which the continued stripping of forests will stem rainfall and turn the tropical region into scrubland. Because trees pull moisture from the ground and release it back into the atmosphere, leading to rainfall, cutting them down threatens this “vegetative recycling” process, Walker said.

Walker and fellow researchers from Brazil and the United States conducted three years of atmospheric computer modeling on the region. Their study assumed the worst-case scenario – that all of the Brazilian Amazon not protected by the government would be deforested.

Even under this scenario, their findings indicate rainfall levels would not decrease to the point of changing the landscape and harming the ecosystems within the protected areas.

“Some people think the tipping point is going to occur at 30 percent to 40 percent deforestation,” Walker said. “Our results suggest this is not the case; that you can have quite a bit of deforestation – perhaps up to 60 percent – before you get to the crash point.”

The study also assumes the government-protected forests would not be altered beyond their current condition.

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The research was supported by a grant from NASA and conducted under the auspices of the Large-scale Biosphere/Atmosphere Experiment in Amazonia, an international project led by the Brazilian Ministry of Science and Technology.

Joining Walker on the research team were Nathan Moore, Cynthia Simmons and Dante Vergara from MSU, and researchers from the University of Florida, Kansas State University, Hobart and William Smith Colleges in New York and the Universidade Federal Fluminense in Brazil.

[EcoDebate, 17/06/2009]

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