Peregrinação do e-lixo até a sua adequada destinação final, artigo de Carol Salsa

Lixão eletrônico em Guiyu, China. Foto ©2006 Basel Action Network BAN)
Lixão eletrônico em Guiyu, China. Foto ©2006 Basel Action Network BAN

[EcoDebate] Acompanhando as manchetes na internet, a partir de 25/02/2005, sobre a trilha seguida pelo e-lixo no mundo, destacamos a remessa dos eletrônicos pelos Estados Unidos , PCs inúteis, para nações pobres.

“ Computadores e outros equipamentos enviados dos Estados Unidos para países em desenvolvimento, para serem utilizados em lares, escolas e empresas, são em grande parte inúteis ou não têm conserto, e estão criando um enorme problema ambiental em alguns lugares mais pobres do mundo. A informação está no relatório The Digital Dump: Exporting Reuse and Abuse to África, lançado pela organização não-governamental Basel Action Networked (BAN) , que tem sede em Seattle. A ONG critica duramente a estratégia dos Estados Unidos para livrar-se do seu lixo tecnológico”.

Veja fotos dos lixões eletrônicos: http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI725002-EI4799,00.html

Em 27/11/2006 um encontro promovido pela ONU discute o destino do e-lixo no Quênia, representado pelo acúmulo de aparelhos obsoletos, principalmente em países da África e Ásia. Delegados de 120 países reuniram-se para discutir medidas de combate à “ crescente ameaça “ representada pelo lixo tóxico. O principal foco dos cinco dias de negociação foi o problema cada vez maior do chamado “e-lixo”, ou lixo eletrônico – computadores, telefones celulares e televisores vendidos principalmente para países em desenvolvimento, onde muitos desses equipamentos são jogados ou queimados a céu aberto.

Na China, 80% das crianças de uma aldeia costeira já apresentavam altas taxas de chumbo no sangue, como conseqüência direta da contaminação pelos componentes tóxicos destes PCs velhos.

Em 19/01/2007, o lixo eletrônico toma o lugar do arroz. Moradores de Guiyu, no desenvolvido litoral chinês, abandonaram o cultivo de arroz, que era o meio de subsistência, em prol de um negócio muito mais lucrativo, mas que prejudica a saúde e o meio ambiente: a reciclagem do lixo eletrônico do resto do mundo.

Cerca de 70% dos resíduos eletrônicos do planeta vão para a China. Violando a Convenção de Basiléia, boa parte desses dejetos vindos de países desenvolvidos têm como destino o porto de Nanhai, na província do Cantão, sudeste do país.

Entre os trabalhos rotineiros está o de desmonte de placas-mãe em um fogareiro caseiro de carvão em busca dos cobiçados chips, que contêm ouro. Ou também fundir as carcaças dos computadores para transformar o PVC tóxico em peças que se destinam a objetos que, curiosamente, voltam ao mundo ocidental: as flores de plástico.

Em janeiro de 2007 uma notícia conforme dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente( PNUMA) acusava que o planeta produzia entre 20 e 50 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos.

Os ambientalistas chineses afirmaram que não haveria solução definitiva sem passos como o dado pela União Européia. O bloco proibiu, em 2006, o uso de chumbo, mercúrio, cádmio, cromo hexavalente, bifenóis policromados e éter de bifenol policromado nos aparelhos eletrônicos.

Em 22/01/2007, uma empresa francesa, a Ecomicro, com sede em Bordeaux, alegava ser a única no país que, anualmente, transformava cerca de 1,5 mil toneladas de computadores em componentes separados com o fim de reciclá-los.

Em 14/02/2008, um artigo de Anthony De Palma, veiculava que “ A cidade de Nova York estava mais próxima de adotar uma das mais severas leis de reciclagem de eletrônicos dos Estados Unidos, a despeito de fortes objeções da indústria e do prefeito Michael Bloomberg.

Em 06/03/2007, a ONU determina o que fazer com o lixo eletrônico:uma nova aliança liderada pela ONU determinava diretrizes mundiais para a disposição de produtos, a fim de proteger o meio ambiente contra as montanhas de lixo eletrônico como computadores, celulares e televisores que são descartados.

Um artigo da Invenção Tecnológica publica que a fabricação de cada computador consome 1.800 quilos de materiais, artigo de Agostinho Rosa, em 09/03/2007.

Finalmente, no Brasil, o jornal Estado de São Paulo divulgou em 15/05/2009, que a USP criou um centro para reciclar eletrônicos. A implantação do centro de reciclagem teve orçamento previsto de R$ 180 mil, que serão usados para adequação do local e compra de ferramentas, como balanças, compactadora e trituradora. A estimativa do projeto é atingir a marca mínima de 500 equipamentos eletrônicos por mês. No País, há pelo menos 50 milhões de computadores em uso e, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, ( ABINEE), cerca de 10 milhões de unidades são vendidas ao ano – atualmente , a vida útil de um computador é de quatro anos, em média.

Até o final do ano, a população será atendida na 2ª fase do projeto que tem futuro garantido num mercado onde reina grande ameaça à saúde pública.

Carol Salsa, colaboradora e articulista do EcoDebate, é engenheira civil, pós-graduada em Mecânica dos Solos pela COPPE/UFRJ, Gestão Ambiental e Ecologia pela UFMG, Educação Ambiental pela FUBRA, Analista Ambiental concursada da FEAM ; Perita Ambiental da Promotoria da Comarca de Santa Luzia / Minas Gerais.

[EcoDebate, 21/05/2009]

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