Um novo estudo contra os transgênicos

As contaminações de lavouras convencionais por organismos transgênicos continuaram a pipocar em 2007. Segundo um novo relatório internacional do Greenpeace, divulgado ontem, 39 novos casos de contaminação e cultivo ilegal de variedades geneticamente modificadas ocorreram em 23 países em 2007. Por Bettina Barros, para o jornal Valor Econômico, 29/02/2008.

Elaborado em parceria com a GeneWatch UK, o relatório já identificou 216 ocorrências em 57 países desde 1996, quando as plantações transgênicas foram iniciadas comercialmente. A maior parte envolve produções de arroz e milho, mas soja, algodão, canola, mamão papaia e peixes também aparecem na lista.

“As contaminações são a ponta do iceberg”, diz Doreen Stabinsky, do Greenpeace Internacional, referindo se ao fato de que o relatório aponta apenas contaminações detectadas ou reveladas ao público. “Precisamos definir padrões internacionais de responsabilização para enquadrar as empresas de biotecnologia”.

Segundo as ONGs, o documento é um alerta a agricultores e consumidores, dada a falta de monitoramento global para este tipo de contaminação. Mas é também a resposta dos ambientalistas ao avanço das sementes transgênicas pelo mundo já são 114 milhões de hectares, tendo o Brasil alcançado a maior expansão em área no ano passado.

Dos 39 incidentes no ano passado, 28 referem se à contaminação de sementes, alimentos ou ração. As outras 11 são plantações ilegais, geralmente em campos experimentais em países onde a variedade não foi aprovada.

Conforme o Greenpeace, o número de ocorrências é pequeno porque o relatório abrange só casos de contaminação e plantio ilegal confirmados pelos governos. Ainda assim, a lista é maleável a cada ano surgem novas confirmações, que são acrescentadas ao documento. É o caso de 2006. No fechamento do ano havia apenas 24 casos de contaminação. No ano passado surgiram outros 21, que elevaram a conta para 45.

De acordo com o grupo, a contaminação ocorre por ineficiência no controle de qualidade para evitar a polinização cruzada ou a mistura de culturas convencionais e transgênicas após a colheita. No Brasil, houve um caso de contaminação de algodão transgênico no Paraná.

“O arroz aparece em 25% do total de casos de contaminação, mesmo não havendo plantio comercial de arroz transgênico aprovado ainda no mundo”, diz o documento. A contaminação se deu por três variantes tolerantes a herbicidas da Bayer CropScience (LL62, LL601, LL 604), além do arroz Bt63 produzido na China.

Ver a íntegra do estudo em http://www.gmcontaminationregister.org

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