Governo inicia operação contra desmatamento na Amazônia

Operação contra desmate só é menor que a montada para o Pan e a desocupação de Serra Pelada, nos anos 80. O desmatamento na Amazônia brasileira virou caso de polícia. Enquanto avalia os números sobre as áreas de floresta derrubada e formula políticas de médio e longo prazos, o governo prioriza a operação de vigilância armada sobre a Amazônia, a ser desencadeada dentro de uma semana. Por Vannildo Mendes e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo, 30/01/2008

A Polícia Federal (PF) começa a se mobilizar para um “arrastão policial”, como disse ontem o diretor-geral do órgão, delegado Luiz Fernando Corrêa. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, acompanhada do ministro interino da Defesa, o comandante do Exército general Enzo Peri, faz hoje um sobrevôo no noroeste de Mato Grosso, na divisa com o Estado do Amazonas, onde os índices de desmatamento são alarmantes.

A Polícia Federal já começou a mandar para locais estratégicos da Amazônia centenas de policiais. Vão se juntar a integrantes da Força Nacional de Segurança Pública e Polícia Rodoviária Federal, num total de 780 homens, que vão reforçar a maior mobilização realizada pelo atual governo para conter o avanço do desmatamento na Amazônia.

A ministra Marina e o general Peri, acompanhados também do secretário-executivo do Ministério da Agricultura, do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e dos chefes da PF, do Incra e do Inpe, desembarcam nesta manhã na base do Cachimbo e sobrevoam Mato Grosso de helicóptero. Por volta das 13 horas aterrissam em Sinop e fazem uma reunião especial de avaliação do que vão ver.

MOBILIZAÇÃO

O contingente de segurança armada enviado à Amazônia é o terceiro maior mobilizado pelo governo federal nos últimos 20 anos, ficando atrás apenas dos 2.200 policiais utilizados nos Jogos Pan-Americanos, no ano passado, e os mais de 2 mil acionados na desocupação do garimpo de Serra Pelada (PA), na década de 80. A mobilização do Pan durou seis meses e a de Serra Pelada, cerca de dois anos.

Por sua experiência acumulada na Amazônia, a PF coordenará as ações, que serão desencadeadas na segunda quinzena de fevereiro. Deverão ser reprimidos todos os tipos de crimes ambientais. Os policiais vão devassar madeireiras, abordar caboclos com motosserra sem licença, combater garimpos ilegais, apreender carregamentos de madeira, prender grileiros e pistoleiros profissionais que atuam na região a seu serviço. “Temos larga experiência acumulada nesses anos de combate à corrupção e ao crime organizado. Agora vamos colocar a gestão ambiental no nosso sangue”, disse Corrêa.

NOVAS BASES

O ponto alto da operação programada pelo governo para conter a devastação ambiental na região será no dia 21 de fevereiro. Na data, já deverá estar em curso o conjunto de ações policiais, que devem se estender por tempo ainda a ser definido, mas não inferior a seis meses.

A PF vai instalar 11 novas bases operacionais e ampliar em 25% seu efetivo na região. Para essas bases, serão enviados imediatamente no total 800 homens, contando cerca de 300 novos policiais aprovados em concurso, formados pela Academia Nacional da PF.

Elas estarão distribuídas em municípios do Pará (6), Mato Grosso (4) e Rondônia (1), Estados campeões do desmatamento. “O propósito do governo é estrangular o crime ambiental e pôr fim a essa escalada do desmatamento”, disse o delegado.

As ações policiais na Amazônia vinham sendo planejadas há meses pela PF, segundo Corrêa, por tudo que a região representa para o Brasil e o mundo em termos de meio ambiente. “O olhar do mundo todo está voltado para esse patrimônio da humanidade, que nós temos de cuidar”, observou.

A atuação da PF, conforme destacou, será articulada com os demais órgãos de governo que atuam na defesa da região, como o Ibama, Ministério do Meio Ambiente, Incra e Funai. “Teremos uma ação mais proativa e não só por demanda desses órgãos. Vamos produzir, por exemplo, inteligência sobre desmatamento, exploração ilegal de madeira e minérios.”

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