Morte de macacos no Acre mostra que febre amarela é uma questão de saúde pública

 

Morte de macacos no Acre mostra que febre amarela é uma questão de saúde pública

Doença infecciosa aguda causada por um vírus transmitido por mosquitos vetores, a febre amarela é uma doença endêmica no Brasil, principalmente na região amazônica.

Apesar da devastação causada pela pandemia da covid-19 em todo o mundo, as zoonoses e arboviroses continuam sendo um tema relevante para a Vigilância Epidemiológica, os serviços de saúde e a população.

Prova disso foi uma notícia divulgada, na semana passada, sobre um morador da zona rural de Plácido de Castro (AC), que encontrou macacos guaribas caídos na mata aparentando estar agonizando por falta de ar. Apesar de ser um local endêmico para a ocorrência de febre amarela, os vídeos feitos pelo morador publicados em redes sociais logo geraram especulações de que os primatas poderiam ter sido acometidos pela covid-19.

Devido à repercussão, a Sociedade Brasileira de Primatologia divulgou uma nota – subscrita também pela Sociedade Brasileira de Mastozoologia, pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Institute for Zoo – ressaltando “que a febre amarela é endêmica da região e o vírus está em período de maior circulação, portanto essa é a suspeita inicial”.

Médicos-veterinários atuaram no caso

Um episódio como esse ocorrido no Acre traz à tona, mais uma vez, a importância do papel do médico-veterinário no controle e prevenção de zoonoses. Os médicos-veterinários Seleucia Nobrega, do Núcleo de Zoonoses da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), e Everton Arruda, do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf), estiveram no local onde os guaribas foram encontrados.

Os dois profissionais foram responsáveis pela necropsia de dois animais e pelo envio de material para análise no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), para encaminhamento ao Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA). Ainda não há previsão de retorno das análises, mas a hipótese mais provável, segundo os profissionais, é de que se trate de febre amarela.

“No Idaf, seguimos os preceitos da saúde única. No caso da febre amarela, macacos são sentinelas, ou seja, eles ‘avisam’ sobre a presença do vírus. É importante saber que ao andar na mata e encontrar um primata não humano caído, a suspeita é de epizootia e é preciso notificar. Sem controle, uma zoonose, como a febre amarela, pode causar não só mortes de animais e prejuízos à saúde humana, mas também desequilíbrio ambiental. Os animais têm papel importante como espalhadores de sementes, por exemplo”, explica Arruda.

Prevenção: proteger os macacos e vacina

Quando, da mesma forma que ocorreu no Acre, primatas não humanos são encontrados agonizando na mata, é preciso alertar os serviços de vigilância do município. “É muito importante reforçar a informação de que apenas mosquitos, e não os macacos, transmitem a febre amarela. Eles são importantes indicadores da presença do vírus em determinada região, servindo como guias para a elaboração de ações de prevenção”, assinala Nélio Morais, presidente da Comissão Nacional de Saúde Pública do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNSPV/CFMV).

A principal forma de prevenção contra a febre amarela é a vacinação, disponível nos postos de saúde de todo o país. Desde 2017, o esquema vacinal do Brasil contempla uma única dose da vacina contra a febre amarela durante a vida, a partir dos 9 meses de idade, alinhado ao que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Além disso, outras medidas de proteção individual são recomendadas, como o uso de repelentes de insetos, usar roupas compridas e largas ao ingressar na mata e usar mosquiteiros nas áreas onde a incidência do vírus é endêmica.

Leia mais sobre o tema no site do CFMV – Nota explicativa dos médicos-veterinários Francisco Edilson F. Lima Júnior (membro) e Nélio Morais (presidente) da Comissão Nacional de Saúde Pública do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNSPV/CFMV).

 

Fonte: Conselho Federal de Medicina Veterinária

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/03/2021

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