Podem os pequenos mamíferos terrestres bioacumularem metais pesados?

 

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Podem os pequenos mamíferos terrestres bioacumularem metais pesados?

Por Felipe Santana Machado

A bioacumulação, e consequente biomagnificação, é um processo de absorção de substâncias que se acumulam progressivamente em diferentes níveis tróficos de uma cadeia alimentar.

Existe uma tendência natural de acúmulo dessas concentrações à medida que há novo nível da cadeia trófica, de forma que os predadores terão níveis maiores do que suas presas. E por esse motivo que a maior parte dos artigos científicos de bioacumulação e biomagnificação tanto na América do Sul, quanto em outros continentes têm enfoque em animais de médio e grande porte.

Entretanto, estamos no sexto evento de extinção em massa da biodiversidade global que é primariamente desenvolvida por ação humana diante da super-exploração de recursos naturais. Esse evento é conhecido como “extinção do antropoceno” (antropos – homem, ceno – era geológica) e tem maior efeito sobre os animais de grande porte. Alguns trabalhos tem enfatizado um processo de “ratização” de ambientes naturais, em que somente animais de pequeno porte (menores de 1kg) sobrevivem, principalmente roedores e marsupiais. Diante desse contexto, pouco se sabe dos processos de bioacumulação para esses pequenos mamíferos que são fauna relictual em ambientes altamente fragmentados e/ou antropizados.

Recentemente (dezembro de 2020) o Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi: Ciências Naturais publicou o artigo “A brief report on the bioaccumulation of small terrestrial mammals: a suggestion for a new line of research in Brazil” que mostra o efeito de cádmio e chumbo em uma espécie de marsupial, o Gracilinanus microtarsus, demonstrando elevados níveis desses elementos em diferentes tecidos em todo o corpo do animal. Este animal estava em área de influência de uma mineração que está em processo de recuperação/restauração ambiental.

O manuscrito sugere que novas pesquisas devem ser desenvolvidas, uma vez que esses animais podem acumular esses metais e dispersá-los na natureza de diferentes formas: pela morte distante da fonte de acumulação dos metais ou por serem presa de outros maiores predadores que também dispersariam esses elementos. Essa é uma linha de pesquisa ainda incipiente no Brasil, pois é desenvolvida fortemente para animais aquáticos como peixes e mamíferos marinhos (havendo poucos trabalhos de bioacumulação em morcegos).

Vale a pena frisar que essa nova linha de pesquisa no Brasil tem ligações diretas com os maiores desastres ambientais brasileiros, o rompimento das barragens de minério das cidades de Mariana e Brumadinho, que liberaram toneladas de rejeito de minério em algumas das principais bacias hidrográficas do estado de Minas Gerais. Logo, esses trabalhos poderiam auxiliar no entendimento da descentralização dos rejeitos das margens dos rios afetados para distancias cada vez maiores do ponto de deposição.

O artigo pode ser lido na íntegra diretamente pelo link da editora do Museu Paraense Emílio Goeldi “http://editora.museu-goeldi.br/bn/artigos/cnv15n3_2020/brief(machado).pdf ou pelas redes sociais profissionais dos autores do manuscrito “https://www.researchgate.net/publication/347608633_A_brief_report_on_the_bioaccumulation_of_small_terrestrial_mammals_a_suggestion_for_a_new_line_of_research_in_Brazil_Breve_relato_sobre_bioacumulacao_em_pequenos_mamiferos_terrestres_uma_sugestao_para” ou “https://www.academia.edu/44758023/A_brief_report_on_the_bioaccumulation_of_small_terrestrial_mammals_a_suggestion_for_a_new_line_of_research_in_Brazil_Breve_relato_sobre_bioacumula%C3%A7%C3%A3o_em_pequenos_mam%C3%ADferos_terrestres_uma_sugest%C3%A3o_para_nova_linha_de_pesquisa_no_Brasil”.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/01/2021

 

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