Importância da biodiversidade na medicina tradicional

 

 

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Artigo de Cristiano Caveião e Vinicius Bednarczuk de Oliveira

[EcoDebate] A biodiversidade possui importância em várias áreas, como por exemplo: agricultura, indústria têxtil, produção de cosméticos, produção de medicamentos e é claro, não podemos deixar de citar a medicina.

O conceito de tradicional é complexo, não é possível compreender somente como “não ser moderno”. Trata-se de um termo abrangente, sendo a soma total de conhecimentos, habilidades e práticas baseadas nas teorias, crenças e experiências de diferentes culturas, explicáveis ou não, utilizadas na manutenção da saúde, bem como na prevenção, diagnóstico, melhoria ou tratamento de doenças físicas e mentais. As suas ligações com a biodiversidade são vistas por meio de uma longa tradição de poderes de cura atrelados aos sistemas naturais da Terra e isso remete as plantas medicinais e espécies animais.

A biodiversidade apresenta suma importância, visto que ela pode ser utilizada para amplas finalidades:

  • Pesquisas: descoberta de aspectos não conhecidos de doenças ou até mesmo para a delimitação de componentes que servem para a elucidação de processos orgânicos e também vinculados a mecanismos patológicos;

  • Desenvolvimento de medicamentos e técnicas médicas: as variadas substâncias e propriedades que são encontradas em animais e plantas demonstram grande potencial terapêutico, que podem ser utilizadas como a base de novas medicações ou ainda para uso em tecnologias relacionadas com a cura de patologias;

  • Melhoramento genético: possibilidades de união adequada de genes que são provenientes de espécies diferentes e que possam gerar novos organismos os quais são mais fortes e adequados para melhorias no ramo da medicina.

Os organismos internacionais (Organização Mundial de Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde), na década de 1970, passaram a vislumbrar as práticas medicinais qualificadas. Esses interesses perpassaram por diversos debates públicos que foram transformados em políticas públicas, sendo uma delas a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos de 2006, que se configura em uma institucionalização do saber popular e tradicional, pela disseminação do conhecimento da biodiversidade nacional e no fomento à indústria farmacêutica nacional.

Em 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a sua primeira estratégia de medicina tradicional, desde então diversos países membros vem ampliando nos seus sistemas de saúde o uso da Medicina Tradicional. As estratégias da OMS visam auxiliar os países a:

  • Desenvolver políticas nacionais de avaliação e regulação das práticas medicina tradicional;

  • Criar uma base de dados mais fortes sobre a segurança, eficácia e qualidade dos produtos e práticas da medicina tradicional;

  • Garantir a disponibilidade e acessibilidade da medicina tradicional, incluindo os medicamentos fitoterápicos essenciais;

  • Promover o uso terapêutico da medicina tradicional por fornecedores e consumidores;

  • Documentar medicamentos e remédios tradicionais.

As inter-relações apresentadas entre sociedade e natureza, e a importância da saúde ambiental para a saúde humana, chamam a atenção para o fato de que a perda da biodiversidade pode acarretar efeitos indiretos sobre o bem-estar.

Não é possível considerar isoladamente a saúde humana, pois ela tem dependência com a qualidade do ambiente em que as pessoas vivem, ou seja, para as pessoas serem saudáveis, precisam de ambientes saudáveis.

Assim, a perda da biodiversidade reduz todas as fontes de matérias-primas, como por exemplo as plantas medicinais, impedindo a descoberta de novas drogas, provocando uma perda de modelos médicos, afetando a propagação de doenças humanas, e consequentemente ameaçando a produção de alimentos e a qualidade da água.

Por estes e tantos outros motivos, reforça-se a importância de conservarmos a nossa biodiversidade não somente pensando no presente, mas também colaborando com as gerações futuras.

Autores:

Cristiano Caveião é Enfermeiro, Doutor em Enfermagem pela Universidade Federal do Paraná, coordenador da área da Saúde do Centro Universitário Internacional Uninter.

Vinicius Bednarczuk de Oliveira é farmacêutico, Doutor em Ciências Farmacêuticas, coordenador dos cursos de Farmácia e Práticas Integrativas e Complementares do Centro Universitário Internacional Uninter.

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