Reutilização de Pneus da Confecção de Artefatos de Decoração

 

Reutilização de Pneus da Confecção de Artefatos de Decoração

Puff Sustentável: A Importância da Reutilização de Pneus da Confecção de Artefatos de Decoração como Políticas Públicas em Porto Velho – RO

Por Izabel Cristina da Silva e José Austerliano Rodrigues

[EcoDebate] A ocupação do planeta está ocorrendo de forma marcadamente insustentável, especialmente desde a Revolução Industrial, que tem exigido medidas drásticas que vão além das que são comumente propostas para se alcançar a sustentabilidade, sendo que a posição da humanidade como espécie dominante no planeta vem sendo atacada por ameaças severas, resultantes dos próprios excessos, particularmente durante os últimos 200 anos.

É de amplo conhecimento da maioria da população e problema a ser enfrentado por todos: governos, organizações e cidadãos de modo geral. Pandemia, fome, miséria, agressões ao ambiente natural, problemas econômicos, entre outros problemas socioambientais, são diariamente noticiados nas diversas mídias (mídias sociais, jornais, revistas, televisão, rádio, Internet, entre outros meios), contribuindo de algum modo para o aumento da conscientização das pessoas para a gravidade do problema e a urgência em enfrenta-lo.

A população mundial foi aumentando exponencialmente desde a década de 1950 e já atingimos mais de 7 bilhões de pessoas e seremos, possivelmente, 10 bilhões pessoas em 2050; as cidades, crescendo desordenadamente e sem políticas governamentais adequadas a essa nova realidade nas diversas áreas socais, como lixo, meio ambiente, educação, transporte, saúde, segurança, entre outras.

Os Resíduos como pneus usados são lentamente degradados no ambiente e raramente reciclados no Brasil. Os depósitos inadequados e descartes desordenados propiciam criadouros para vetores como mosquitos, que são vetores para diferentes infecções que incidem no nosso território, particularmente na Região Amazônica. A confecção de puffs sustentáveis utilizando pneus usados cria uma peça de mobiliário sustentável e responsável, enquanto ajuda a mitigar o problema de saúde pública, podendo gerar emprego e renda para populações carentes e a reciclagem de pneus para confecção de artefatos de decoração é uma atividade que vem sendo desenvolvida em diversas regiões do Brasil e, dentre essas, no Estado de Rondônia.

O objetivo deste artigo é demonstrar a importância da reutilização de pneus na Vila Princesa em Porto Velho como forma de atividade ecologicamente correta. A metodologia baseou-se na pesquisa bibliográfica e na pesquisa de campo demonstrando que os artefatos produzidos, a partir da reutilização de pneus, contribuem para a renda da comunidade estudada assim como evita a proliferação de doenças e a emissão de poluentes na atmosfera.

No Brasil, 100 milhões de pneus velhos estão depositados em aterros, terrenos baldios, rios e lagos, segundo estimativa da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos. Anualmente, dezenas de milhões de pneus novos são fabricados no País e outros 20 milhões que são descartados, frequentemente de forma não planejada. Em 2001, foram 45 milhões – cerca de 15 milhões exportados e 30 milhões destinados ao consumo interno (FAPEMIG, 2014).

Sua principal matéria-prima, a borracha vulcanizada, mais resistente que a borracha natural, não se degrada facilmente e, quando queimada a céu aberto, contamina a atmosfera com carbono, enxofre entre outros poluentes. Esses pneus abandonados constituem um problema de saúde pública, pois acumulam água das chuvas, formando ambientes propícios à disseminação de doenças como a dengue e a febre amarela, filariose linfática (elefantíase) e malária (Região Norte) veiculadas por mosquitos Aedes sp. Culex sp. e Anopheles sp.

Além disso, o armazenamento inadequado dos pneus propicia ambiente favorável à infestação por insetos (vetores mecânicos) e roedores, que transmitem doenças ao homem através da mordedura, fezes e urina (leptospirose, gastrenterites etc.).

Para deter o avanço desse resíduo sólido, é preciso reciclar. No entanto, a reciclagem dos pneus sem condições de rodagem é consideravelmente dificultada uma vez que a vulcanização confere a este material alta resistência química e física, fazendo da reciclagem um processo complexo e ainda sem retorno econômico.

No Brasil, o problema da reciclagem de pneus é uma atividade que pode ser considerada ecologicamente correta. Pneus inteiros são reutilizados como muros de arrimo, produtos artesanais ou na drenagem de gases em aterros sanitários. Ressalta-se que essas utilizações poderiam ser ainda maiores, porém os processos de reciclagem utilizados no Brasil ainda não permitem outros tipos de aplicações de maior valor agregado.

Vale salientar que iniciativas inovadoras, envolvendo a população têm o mérito da responsabilidade socioambiental, gerando emprego, renda e reduzindo o impacto ambiental. Neste artigo partiremos do princípio de Anísio Teixeira, onde considera que “a educação é fundamento da democracia”, e a importância da popularização do conhecimento como essencial para o pleno exercício da cidadania (Moreira, 2006) e até para o desenvolvimento local e regional (ALBAGLI, 2006).

Em Porto Velho, existem vários pontos de descarte de pneus usados e não há, ainda, uma política sistemática de aproveitamento de tais materiais ou de gestão pública da questão. No Bairro Nacional, por exemplo, existe um ponto de descarte localizado ao longo da Estrada do Belmont, que vem afetando os moradores do entorno a mais de uma década. Nessa localidade, no período da seca, os próprios moradores ateiam fogo e no período chuvoso os pneus servem de criadouro de insetos e vetores de doenças, fazendo com que a população permaneça desassistida na busca de soluções, visto que gestores públicos não têm demonstrado empenho em apresentar soluções para aquele caso.

As soluções passam pela capacitação da população para enfrentar o problema, visando gerar soluções e daí a importância da educação sustentável.

Nesse sentido, é possível verificar a realidade da Vila Princesa (leia-se Lixão de Porto Velho) onde existia um galpão que foi totalmente queimado e destruído em um incêndio, onde era utilizado para o armazenamento dos pneus usados, construído pelo Banco do Brasil em parceria com a comunidade, que funcionava de forma precária. A Prefeitura de Porto Velho, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente – SEMA tem uma parceria com uma empresa privada que coletam os pneus e é responsável pela destinação final dos mesmos.

Há que se verificar as ações sistemáticas e de longo prazo, desenvolvidas pelo poder público para evitar o problema. Uma alternativa poderia ser a capacitação da população para fiscalizar no sentido de orientar tais moradores para o aproveitamento sistemático dos pneus visando, diminuir a deposição e gerar emprego e renda para a população.

Nesse sentido a “educação sustentável” ocupa uma posição de destaque na implantação de políticas públicas, que promovam o desenvolvimento sustentável regional. A implementação de estratégias eficazes de educação sustentável, dependem do entendimento desta população sobre o indissolúvel binômio saúde-ambiente.

Tem-se na “educação sustentável” um instrumento para o aproveitamento racional dos recursos e particularmente enfocando a destinação de resíduos sólidos (neste caso pneus) através da implementação de atitudes práticas que permitam a profilaxia de doenças, tais como a dengue, a febre amarela, o controle de parasitoses bem como das verminoses intestinais (ACKA et al., 2010).

Portanto, o marketing sustentável pode contribuir para isso através da educação sustentável (sensibilização das pessoas), desenvolvendo para tanto ações mercadológicas responsáveis, éticas e sustentáveis.

Izabel Cristina da Silva. Especialista em Análise Ambiental pela UNIR e Membro do GEITEC/ UNIR – RO. Idealizadora e Fundadora do Museu do Babaçu em Porto Velho/RO. E- mail: pedradesantoantonio@gmail.com.

José Austerliano Rodrigues. Doutor em Marketing Sustentável pela UFRJ e Especialista Sênior em Sustentabilidade, com ênfase em Sustentabilidade e Marketing, com interesse em pesquisa em Marketing Sustentável, Sustentabilidade de Marketing, Responsabilidade Social e Comportamento do Consumidor. E-mail: austerlianorodrigues@bol.com.br.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/08/2020

 

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