Maioria das pessoas espera compromisso muito maior das empresas com questões ambientais

 

Para 93% dos brasileiros as questões ambientais são iguais ou mais preocupantes que as questões de saúde

Por Fabiana Andrade

Seis em cada dez brasileiros esperam iniciativas muito mais consistentes das empresas para proteger o meio ambiente.

O índice é o maior entre os oito países participantes da pesquisa BCG Survey on COVID 19 and Environment, realizada pelo Boston Consulting Group (BCG) com mais de 3 mil pessoas na China, nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Índia, Indonésia e África do Sul. Os brasileiros são também os mais engajados. Para 93%, as questões ambientais são iguais ou mais preocupantes que as questões de saúde. Na média dos países analisados, esse índice é de 76%.

Para Jorge Hargrave, diretor do BCG e especialista no tópico de mudanças climáticas, as empresas precisam acompanhar as mudanças de comportamento do consumidor e aplicar medidas que vão ao encontro dessa tendência. “O consumidor tem, mais do que nunca, o poder de exigir das empresas a adoção de práticas mais sustentáveis. As empresas que atenderem a essa demanda com mais rapidez terão mais chances de se destacar no curto e no médio prazos”, afirma o executivo.

O estudo também revela aumento da preocupação com questões ambientais no cenário da pandemia. Em âmbito global, 70% dos entrevistados estão mais conscientes sobre os impactos e as ameaças provocadas pela degradação ambiental aos seres humanos, em comparação ao período pré-crise de coronavírus. O levantamento ainda indica que a população brasileira está quase tão preocupada com a poluição quanto com questões de saúde, com 80% extremamente receosos com doenças infecciosas, ao mesmo tempo em que 72% têm o mesmo sentimento em relação à poluição atmosférica.

No que se refere ao combate à pandemia, as respostas dos profissionais de saúde, de organizações não governamentais e das agências globais de saúde são classificadas de maneira mais favorável do que a de governos e empresas. Profissionais de saúde tiveram sua atuação classificada por 83% dos entrevistados como boa ou ótima, ao passo que para as grandes empresas o índice de aprovação ficou em 45%.

De acordo com Jorge Hargrave, a adoção de práticas mais sustentáveis foi uma das tendências aceleradas pela pandemia. “O cuidado com o meio ambiente também é observado na esfera individual. Além de esperar um compromisso maior das empresas com questões ambientais, as pessoas também revelaram uma preocupação maior em agregar mais práticas sustentáveis no dia a dia”, afirma. Segundo a pesquisa, aproximadamente 40% dos entrevistados globalmente pretendem incorporar condutas sustentáveis na rotina, enquanto um terço dos entrevistados já realizam essas ações regularmente. Por fim, para 54% a recuperação econômica e a abordagem das questões ambientais devem ser igualmente priorizadas.

Outra pesquisa recentemente publicada pelo BCG revela que empresas podem incorporar práticas ambientais e reduzir suas emissões a um baixo custo ou até mesmo gerando economia. “Nossa experiência global em projetos indica que empresas intensivas em energia podem reduzir em até 40% suas emissões, gerando retorno financeiro positivo. Além de reduzir custos ao adotar essas medidas, as empresas investirão em diferenciais competitivos”, conclui Jorge.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/07/2020

 

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