Bandeira Verde, um programa das Capitais Brasileiras pela Biodiversidade, artigo de Bernardo Egas

 

produção de mudas
Produção de mudas no Horto Carlos Toledo Rizzini, no Parque Natural Municipal do Bosque da Barra. Foto: André Santos/ Prefeitura do Rio

A Covid-19, ainda longe de ser superada, atingiu diretamente o cotidiano de todos. Cedo ou tarde, viveremos um ‘novo normal’ e, qualquer que seja, exigirá renovado compromisso com as questões ambientais. Por isto, em meio a tantas dificuldades, acredito que a Semana do Meio Ambiente não deve ser esquecida, servindo como sinalização de nosso futuro.

2020 é considerado pela ONU o ‘Ano da Biodiversidade’ e o CB27 – Fórum de Secretários de Meio Ambiente das Capitais Brasileiras está alinhado com essa diretriz, lançando a pedra fundamental daquilo que entendemos ser uma importante iniciativa de conservação de espécies ameaçadas: o Programa Bandeira Verde!

Esta iniciativa propõe a criação de uma rede de intercâmbio de espécies em extinção, feita pelas capitais em todo território nacional, com apoio dos Jardins Botânicos de cada cidade, da academia e dos grandes especialistas dessa área.

O Horto Municipal Carlos Toledo Rizzini, localizado na Barra da Tijuca, será a base operacional do projeto. Atualmente, este horto é responsável pela produção de 34 espécies ameaçadas de extinção e, após a reforma iniciada nesta semana, contará com estrutura ainda mais adequada para a produção de mudas em larga escala e a realização de protocolos detalhados de armazenamento e conservação de sementes, bem como a produção de conhecimento das etapas relativas à confecção de mudas de cada espécie.

Identificaremos estas espécies dentro do território de cada município, gerando conhecimento sobre a marcação destas matrizes, catalogação, metodologia de coleta não destrutiva de sementes, conservação e protocolo de produção de mudas. Haverá plataforma online para que os dados gerados estejam disponíveis e para que todas as mudas plantadas estejam georreferenciadas.

Para citar um exemplo interessante, temos no Rio de Janeiro uma espécie denominada Terminalia Acuminata, chamada comumente de Guarajuba. A Guarajuba é uma espécie nativa do nosso município que, por não ter sido vista na natureza desde 1932, foi considerada extinta na natureza em 2003, havendo apenas dois exemplares no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Ela era uma espécie conhecida, desde longa data pelos brasileiros, constando no Flora Brasiliensis, o primeiro e maior tratado ambiental de 1857.

Em 2015, técnicos do Reflorestamento da Prefeitura do Rio de Janeiro, identificaram algumas árvores dessa espécie em Guaratiba e, desde então, estes indivíduos são monitorados e suas sementes são coletadas e introduzidas nos nossos viveiros e projetos de reflorestamento. Assim como a Guarajuba, diversas outras espécies integrarão o Projeto Bandeira Verde, que certamente será um marco para a Biodiversidade no Brasil.

O grande valor do CB27 é a capacidade de colaboração e integração entre as capitais, especialmente no tema ambiental, que desconhece fronteiras municipais. Temos ainda, a importante contribuição do ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade e da Fundação Konrad Adenauer. Aprendemos muito, a cada dia, com a troca de experiências, com erros e acertos e, agora, o Bandeira Verde surge, de forma que todas as capitais possam contribuir e se beneficiar mutuamente da biodiversidade existente no território de cada participante.

Bernardo Egas é secretário de Meio Ambiente da Cidade do Rio de Janeiro e Presidente do CB27 – Fórum dos Secretários de Meio Ambiente das Capitais Brasileiras

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/06/2020

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