Economia circular: soluções possíveis para cidades inteligentes, artigo de Cris Baluta

 

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Imagem: Euronews

[EcoDebate] Mais de 75% da população estarão vivendo em cidades a partir de 2050, segundo projeções. Além disso, há perspectivas de progresso contínuo do envelhecimento populacional, o que deve gerar um aumento de 70% na geração de resíduos até 2025. Mas, não distante, agora em 2020, devido ao isolamento social decorrente da COVID-19, já estamos vivendo essa realidade – o aumento da geração de lixo.

Pesquisa da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) estima que, por conta das medidas de quarentena e distanciamento social, poderá haver um crescimento relevante na quantidade gerada de resíduos sólidos domiciliares, entre 15 e 25%. No caso dos resíduos hospitalares em unidades de atendimento à saúde, o número aumentou consideravelmente, de 10 a 20 vezes.

Diante desses dados, as boas práticas de gestão se tornam ainda mais importantes. Devemos, de forma imediata, nos atentar para a economia circular. Assim, conseguiremos amenizar impactos ambientais e tornar as nossas cidades mais inteligentes.

Dentro dessa visão de EC nota-se que novas tecnologias, compartilhamento, geração de valor, entre outros, vão muito além da restauração do capital natural e social, a economia circular trará novas facilidades e conveniências às nossas vidas, nos deixando mais próximos de um equilíbrio ambiental.

Esse conceito deve fazer parte do repensar em relação às nossas cidades. É preciso fazer com que cidadão e as empresas tenham a mesma prioridade. Por meio da economia circular, há grandes possibilidades de inovação e crescimento. Precisamos urgentemente otimizar a utilização de recursos, isso pode ser feito pelo compartilhamento das mais diversas situações e materiais.

O fato é que tanto a economia circular quanto as cidades inteligentes devem passar pelo tema ambiente construído, mobilidade e produtos. Não se deve ter dúvidas de que o momento é agora, ou seja, essa é a hora de formar uma economia compartilhada e que funcione para todos. Temos que compartilhar responsabilidades, uma vez que acabamos de entrar na última década da Agenda 2030. Isso fará uma grande diferença a todos nós.

Seria, então, a economia circular uma das soluções possíveis para as cidades inteligentes? Provavelmente sim, pois a colocação em prática do conceito de EC trará grandes fatores de mudanças e novos modelos econômicos, sairemos de um modelo linear de produção e consumo para grandes avanços, no que se refere ao aumento da eficiência do uso de recursos.

Uma das projeções é de que o tamanho da classe média global dobre até 2030, isso representa aproximadamente 5 bilhões de pessoas. Com isso, pode haver uma consequente aceleração das economias de consumo, porém com a aplicação da EC, é possível ter a redução das externalidades negativas.

Hoje, estamos vivendo em um modelo de geração de valor, em que, infelizmente, o desperdício é uma constante. Então, a partir do momento que a população colocar em prática a economia circular poderemos trabalhar em prol da valorização da reciclagem de materiais, da recuperação energética e da introdução de matérias-primas provenientes do processo de EC em nossas cadeias de valores.

O caminho para uma nova economia está sendo construído e de forma mais acelerada do que imaginamos. Dessa forma, temos que tratar os nossos negócios de modo racional, gerindo nossos riscos, porém com o objetivo de acelerar essa transição.

Podemos reafirmar que a EC é uma das soluções para as cidades inteligentes, assim como a tecnologia da informação. Ambas devem ser implantadas a fim de possibilitar novos negócios e serviços e, com isso, avanços mais eficientes em relação ao compartilhamento de conhecimento. Esse compromisso gera resultados positivos, tanto para as nossas cidades quanto aos seres humanos, trazendo mais conforto e sustentabilidade para o futuro que projetamos.

*Cris Baluta é conselheira e coordenadora do Grupo de Intercâmbio de Experiências em Meio Ambiente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Paraná), CEO da Roadimex Ambiental Ltda e Fundadora do Instituto Ser (Sustentabilidade, Engajamento e Realização).

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/06/2020

[cite]

 

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