Fragmentos menores de florestas tropicais desaparecem mais rapidamente que blocos florestais maiores

 

desmatamento

Em um dos primeiros estudos a explicar explicitamente a fragmentação em florestas tropicais, os pesquisadores relatam que fragmentos menores de florestas antigas e áreas protegidas sofreram perdas maiores que fragmentos maiores, entre 2001 e 2018.

Da American Association for the Advancement of Science (“AAAS”)*

Os resultados sugerem que as florestas tropicais provavelmente continuarão encolhendo se esforços em larga escala para proteger blocos de floresta natural não forem implementados rapidamente.

Matthew Hansen et al. enfatizam que estratégias de conservação distintas são necessárias para combater o desmatamento em grandes blocos florestais, em comparação com regiões menores e mais fragmentadas. Neste último caso, os esforços devem se concentrar na conexão de pequenos fragmentos florestais, dizem os autores, para restabelecer uma ampla cobertura de árvores.

Isso seria importante na América Central, África Ocidental e Sudeste Asiático, onde blocos florestais naturais contíguos estão ausentes. Por contraste, é necessária uma abordagem destinada a conservar grandes florestas existentes para a Bacia Amazônica, Bacia do Congo, Bornéu indonésio e a ilha da Nova Guiné, afirma Hansen e colegas.

Embora muitos estudos anteriores tenham documentado a fragmentação de florestas tropicais, nenhum incorporou medidas de fragmentação com dados que documentam explicitamente a extensão espacial da perda de florestas, uma vez que as mudanças na cobertura das árvores geralmente não são incluídas no protocolo de monitoramento.

Para entender melhor como a fragmentação afeta a perda de cobertura florestal, Hansen e colegas analisaram primeiro mapas de cobertura de árvores tropicais para o ano 2000, identificando fragmentos com pelo menos 10 quilômetros quadrados de extensão. Os pesquisadores então calcularam a perda de floresta por fragmento nos 18 anos seguintes, calculando a perda como uma porcentagem do tamanho do fragmento. Pedaços menores de floresta sofreram perdas proporcionalmente maiores, com os 36.282 fragmentos menores (abaixo de 675 quilômetros quadrados) perdendo 11,5% de sua cobertura de árvores a cada ano, enquanto os 22 maiores trechos (acima de 75.000 quilômetros quadrados) perdem 2% a cada ano.

Hansen e colegas observam que as áreas florestadas em grande parte gerenciadas para fins econômicos não sofreram declínios relacionados ao tamanho dos fragmentos, uma vez que os recursos foram investidos para proteger as terras.

Referência:

The fate of tropical forest fragments
BY MATTHEW C. HANSEN, LEI WANG, XIAO-PENG SONG, ALEXANDRA TYUKAVINA, SVETLANA TURUBANOVA, PETER V. POTAPOV, STEPHEN V. STEHMAN
Science Advances 11 Mar 2020:
Vol. 6, no. 11, eaax8574
DOI: 10.1126/sciadv.aax8574

 

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/03/2020

[cite]

 

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