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Alimentação Macrobiótica, artigo de Roberto Naime

 

alimentação macrobiótica padrão
Alimentação Macrobiótica Padrão. Fonte da imagem: Instituto Macrobiótico de Portugal – https://www.institutomacrobiotico.com/

Alimentação Macrobiótica, artigo de Roberto Naime

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Existe por vezes a concepção de que a Macrobiótica e o vegetarianismo se regem pelos mesmos princípios, o que não é verdade.

O

Alimentação Macrobiótica

, sendo predominantemente de origem vegetal, não é necessariamente vegetariano, pois o uso de produtos animais, principalmente peixe é aceitável.

Os seus praticantes consideram este método, uma alimentação adequada ao meio ambiente, acompanhando o ritmo das estações do ano e respeitando a evolução físico-psíquica e biológica de cada um, bem como o seu próprio nível de discernimento. Esta dieta pode parecer com grande apelo ao misticismo, mas tem por base, o conhecimento das leis naturais que regem o universo sendo o reflexo da ordem do universo.

Os cereais integrais, particularmente o arroz, os vegetais, as leguminosas e algas marinhas são os alimentos básicos da cozinha macrobiótica, obedecendo a sua preparação ao princípio universal de antigas culturas e movimentos místicos religiosos que professam os conhecimentos milenares do “Yin e Yang”, adequado ao equilíbrio do Homem-Natureza e ao ritmo das estações. Outros alimentos, tais como as frutas e produtos animais, são incluídos em maior ou menor quantidade consoante a época do ano, clima, circunstância e condição ou atividade individuais.

A palavra Macrobiótica foi utilizada por filósofos gregos como Hipócrates e na era moderna, inicialmente no século XVIII por Christoph Von Hufeland, professor de medicina alemão e médico pessoal de Goethe, que escreveu o livro “Macrobiótica, ou a Arte de prolongar a Vida”, onde prescreveu recomendações muito semelhantes às da “macrobiótica moderna”.

Nos finais do séc. XIX um médico do exército japonês, Sagen Ishisuka, que se curou duma doença de rins intratável pela medicina moderna adotando um regime alimentar baseado em cereais integrais e vegetais, fundou a primeira organização macrobiótica e foi extremamente famoso no Japão nos finais do século XIX e início do século XX.

Para Ishizuka, todos os problemas de saúde e sociais tinham como origem uma alimentação deletéria e numa nutrição inadequada. Citava o desequilíbrio entre sódio e potássio nos alimentos e considerava que todos os problemas poderiam ser corrigidos adotando uma prática alimentar de acordo com a constituição biológica humana, em especial com a utilização de cereais integrais e de vegetais como alimentos hegemônicos.

O trabalho de Ishizuka foi continuado e desenvolvido por George Ohsawa, escritor americano de ascendência nipônica, que acreditou ter sido a alimentação macrobiótica, a qual atribui a cura da tuberculose que sofria.

Nos anos 30 este escritor trouxe os seus conhecimentos e ensinamentos para a Europa, em especial para a França e Bélgica. Ohsawa prescrevia segundo a condição individual, pois para ele praticar macrobiótica era comer de acordo com as necessidades em constante mutação de cada indivíduo, segundo suas características e peculiaridades, inclusive contextuais.

Nascia assim uma nova era da nutrição, em estreita relação com a filosofia Zen. Foi denominada dieta macrobiótica, do prefixo grego, “macro”, que significa grande e “bio” que é vida, por acreditarem que todos que a seguissem teriam uma longa vida sem doenças.

A dieta macrobiótica está fundamentada num conceito da filosofia chinesa, segundo a qual existem na natureza duas forças opostas que se complementam. A diretriz yin que é a força feminina, e o princípio yang, que representa os caracteres masculinos. Os discípulos da macrobiótica acreditam que a saúde e a harmonia do corpo e do espírito dependem do equilíbrio entre estas duas forças.

Uma vez que os alimentos são oferecidos pela natureza, também eles são portadores das forças “yin e yang”. Os macrobióticos procuram um aumento do bem-estar físico através da ingestão de alimentos que tenham um bom equilíbrio das duas forças, ou seja, que não tenham a hegemonia de nenhum dos polos. Os alimentos que têm este equilíbrio são denominados alimentos neutros, e representam a base da alimentação macrobiótica.

Alimentos neutros, ou seja, com um bom equilíbrio entre yin e yang são os cereais integrais como arroz, aveia, cevada, milho, centeio, trigo, trigo sarraceno e painço, as sementes de gergelim ou sésamo, de girassol, de abóbora, linhaça, e os legumes.

Os alimentos yin são álcool, açúcar, mel, café, chás, ervas aromáticas e especiarias, óleos, azeite, gorduras sólidas e vinagre, sucos de legumes e de frutas frescas.

Existe ainda um grupo de alimentos que, apesar de manter características de yin, não são de forma tão típicos e demarcados quanto os anteriores. São por isso chamados de alimentos yin intermediários, e situam-se entre os alimentos yin e os alimentos neutros. São frutas frescas ou secas, algas, cogumelos, legumes de folhas verdes, leguminosas como feijões, soja, ervilhas e lentilhas e iogurte.

Os alimentos com caráteres tipicamente “masculinos” ou yang são as carnes vermelhas, carnes de caça em geral, ovos, queijos curados e sal.

Alimentos que se situam entre os predominantemente yang e os neutros são os alimentos yang intermediários como carnes brancas, pescados incluindo crustáceos e moluscos, queijos frescos, leite e natas.

Ao aderir a uma dieta macrobiótica é suposta uma evolução ao longo de 7 níveis. Os primeiros níveis para um principiante consistem, basicamente, em eliminar os alimentos yin e yang e manter um consumo preferencial de alimentos neutros e intermediários.

Gradualmente vão sendo eliminando também os alimentos intermediários até que seja alcançado o nível 7, que consiste em comer apenas arroz integral, que é definido pelos macrobióticos como o alimento perfeito.

Este extremo da macrobiótica é raramente conseguido, e pelas deficiências nutricionais que acaba representando, por ser pobre em calorias totais, proteínas, gorduras, vitamina B12, vitamina D, ferro, não deve ser incentivado. Várias mortes foram registradas por esta forma radical da macrobiótica.

Considerando o aspecto nutricional a dieta macrobiótica, nos seus princípios básicos e em níveis pouco avançados, apresenta benefícios inegáveis para a saúde. Por ser pobre em calorias e gorduras saturadas e rica em fibras pode ajudar a reduzir o risco de obesidade, colesterol elevado, hipertensão arterial, diabetes e favorecer a regularidade intestinal.

No entanto, à medida que se eliminam determinados alimentos como leite e derivados, leguminosas, produtos derivados da soja e frutas, as carências nutricionais podem se tornar graves. Como tudo na vida, o segredo está na busca de equilíbrio, na manutenção de homeostase ambiental e na busca de satisfação e plenitude.

 

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Aposentado do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

 

Referências:

http://www.centrovegetariano.org/Article-147-Alimenta%25E7%25E3o%2BMacrobi%25F3tica.html
http://www.e-macrobiotica.com/

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/11/2019

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