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O desaparecimento de insetos é mais grave do que se pensava

 

abelha morta

 

O desaparecimento de insetos é mais grave do que se pensava

No início deste ano, saia à luz um estudo elaborado a partir de dezenas de relatórios sobre o estado das populações de insetos em todo o mundo, que revelava que 41% das espécies desse grupo estão em declínio e que um terço se encontram em perigo de extinção por causa da ação humana e da crise climática.

A reportagem é de Elena Martínez Batalla, publicada por La Vanguardia, 01-11-2019. A tradução é do Cepat.

IHU

Agora, um novo trabalho publicado na revista Nature, constata que, em alguns ambientes, onde há uma década viviam 100 borboletas, abelhas, vespas, libélulas, mosquitos e moscas, agora sobrevivem apenas 33, o que mostra que o desaparecimento das espécies desse grupo é ainda mais grave do que se pensava.

O estudo, elaborado por uma equipe internacional de pesquisadores liderados por cientistas da Universidade Técnica de Munique, destaca que a perda de espécies é maior perto de terras de cultivo intensivo, onde apenas 33% dos insetos sobrevivem em comparação a uma década atrás. No entanto, a diminuição é também importante nas florestas, onde foi perdida 40% da biomassa de insetos, nos últimos dez anos.

Para a preparação do estudo, os pesquisadores monitoraram um segmento das populações de insetos dos estados alemães de Brandemburgo, Turíngia e Baden-Württemberg, entre 2008 e 2017.

No total, coletaram mais de um milhão de insetos, de 2.700 espécies diferentes, em 300 ambientes diferentes. Graças a isso, conseguiram demonstrar que muitas dessas espécies estão em declínio e que as menos abundantes, há uma década atrás, não são mais encontradas hoje em algumas regiões estudadas.

“Uma diminuição nessa escala, em apenas 10 anos, nos surpreendeu completamente: é assustador, mas se encaixa na imagem apresentada em um número crescente de estudos”, afirma Wolfgang Weisser, professor de Ecologia Terrestre e um dos principais autores do trabalho, em um comunicado da Universidade Técnica de Munique.

Os insetos são o grupo de invertebrados mais diversificado do planeta, engloba 75% dos seres vivos que conhecemos e conta com quase um milhão e meio de espécies descritas. No entanto, se as espécies que fazem parte desse grupo continuar desaparecendo no ritmo atual, os insetos poderão se extinguir em apenas um século, algo que comprometeria nossas vidas muito mais do que pensamos.

E, embora continuem sendo desconhecidos por amplos setores da sociedade, os insetos são essenciais para a agricultura – cerca de 80% das plantas que cultivamos dependem de sua função polinizadora -, participam da decomposição e, portanto, na reciclagem de matéria orgânica – sem eles, teríamos um planeta cheio de cadáveres – e são também frequentemente usados para o controle de pragas.

A cada ano, são descritas cerca de 10.000 novas espécies de insetos, as mesmas que são dizimadas ou extintas anualmente devido à perda de seu habitat natural, à contaminação dos rios e à presença no campo de neonicotinóides, que são um tipo de pesticida que foi desenvolvido nos anos 1980 e que afeta a maneira de se mover e se comunicar de insetos como as abelhas.

Mas, os insetos não são os únicos, também estamos enfrentando uma extinção em massa de espécies de todos os tipos, porque somente nos últimos cinco séculos a ação humana desencadeou uma onda de extinções, ameaças e declínio de populações animais comparáveis em taxa e magnitude às cinco extinções em massa que a Terra experimentou ao longo de seus mais de 4,5 bilhões de anos de história e que deixaram o planeta com apenas 10% das espécies que já existiram.

Artigo científico de referência
Seibold, et al., Arthropod decline in grasslands and forests is associated with landscape-level drivers, Nature, October 2019. https://doi.org/10.1038/s41586-019-1684-3

 

(EcoDebate, 04/11/2019) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

 

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