O desmatamento na Amazônia e sua influência no regime de chuvas do Brasil, artigo de Marco Antonio Ferreira Gomes

 

floresta queimada

 

[EcoDebate] No artigo veiculado em 2017 neste site sob o título “A importância dos rios voadores e da floresta amazônica”, foi enfatizado pelo autor deste trabalho o quão é relevante a conservação do bioma amazônico para a manutenção e equilíbrio do regime de chuvas em todo território brasileiro. No entanto, o desmatamento na região amazônica continua sem controle.

Informações recentes, por exemplo, dão conta de que em 1 ano foi desmatada uma área equivalente a 13 vezes o tamanho de Belo Horizonte.

Por mais que vários estudos mostrem que a retirada da vegetação da região amazônica afetará, de forma dramática, todas as formas de vida no Cone Sul, parte do Caribe e até mesmo do Planeta, existe aquele segmento da sociedade que não acredita nas mudanças climáticas, contribuindo e até estimulando essa ação predatória em outros lugares. Tal segmento encontra, ainda, fragilidade na fiscalização contra o desmatamento, motivo pelo qual age de forma contínua e na certeza de que não serão afetados ou impedidos de agir.

A floresta amazônica está sob um sistema extremamente frágil, pois seus solos são pouco férteis e predominantemente arenosos; a floresta se mantem a partir da ciclagem de nutrientes, provenientes da decomposição das próprias folhas das árvores que caem e assim formam uma camada superficial rica em matéria orgânica. Nessas condições, uma vez desmatada a floresta, não ocorre sua regeneração, dando origem assim a uma vegetação típica de solos pobres.

Com a ausência da vegetação de floresta, as massas de ar provenientes do Oceano Atlântico, não serão mais condensadas e exportadas, como ocorre atualmente, seguindo a orientação norte-sul da Cordilheira dos Andes como anteparo até chegar aos estados da região centro-sul. Será então o fim dos chamados “Rios Voadores”. Como resultado, não haverá mais um regime regular de chuvas e o país ficará à mercê de mudanças abruptas de temperatura, aliadas a chuvas escassas intercaladas com temporais, quebrando assim a regularidade que existe atualmente. Ter-se-á então um regime climático implacável, semelhante às regiões desérticas.

Basta lembrar que o Deserto do Saara já teve uma floresta relativamente densa até 5.000 anos atrás. Embora ela tenha desaparecido por influência de fenômenos naturais, principalmente pelo aumento da insolação, de acordo com a corrente de estudos atualmente predominante, é importante saber que sua ausência influencia o modo de vida do povo do Saara, submetendo-o a um regime climático rígido, com privações de toda ordem.

Como brasileiros, principalmente, vamos então nos submeter também a esse regime climático rígido que pode começar daqui a 1 ou dois séculos?

Marco Antonio Ferreira Gomes
Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente

Fonte:
https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/08/24/desmatamento-na-amazonia-aumentou-40-nos-ultimos-12-meses-diz-instituto.ghtml

https://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/amazonia-brasileira-biodiversidade-e-clima-da-floresta-amazonica.htm?cmpid=copiaecola

https://www.bbc.com/portuguese/geral-39374825

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/12/2018

"O desmatamento na Amazônia e sua influência no regime de chuvas do Brasil, artigo de Marco Antonio Ferreira Gomes," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/12/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/12/14/o-desmatamento-na-amazonia-e-sua-influencia-no-regime-de-chuvas-do-brasil-artigo-de-marco-antonio-ferreira-gomes/.

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate, ISSN 2446-9394,

Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Remoção da lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para newsletter_ecodebate+unsubscribe@googlegroups.com ou ecodebate@ecodebate.com.br. O seu e-mail será removido e você receberá uma mensagem confirmando a remoção. Observe que a remoção é automática mas não é instantânea.

2 comentários em “O desmatamento na Amazônia e sua influência no regime de chuvas do Brasil, artigo de Marco Antonio Ferreira Gomes

  1. QUANTO CUSTA 10 MINUTOS DE UM FURACÃO PASSANDO POR SAO PAULO?????????????
    talvez muitos bilhoes de euros,
    se passar so 2 vezes por ano, talvez 1 trilhao.
    este é o valor de se manter a amazonia de pé.
    Ela é um seguro contra furacoes,
    Ela e fonte dos rios voadores que trazem aguas de chuvas para resto do Brasil.
    Ela tem efeito tampão no clima.
    precisa mais???????????

  2. Altair, nem precisa ser um furacão (esses, acho que talvez se iniciem pelo aquecimento global, quando o Atlântico Sul se tornar quente como o mar do Caribe). Quanto custou a seca que tivemos há pouco mais de três anos? E se ela se tornar repetida? E se piorar? E se os MEUS “e ses” forem hipotéticos, mas os dos cientistas que trabalham com isso forem acompanhados de dados, explicações, porcentagens e cenários mostrando o que é provável e o que não é, que mostram que desmatar a Amazônia afeta e muito não só lá, mas o Brasil inteiro? Pena que a maior parte da população não dá a mínima para isso, e prefere cantarolar refrões americanos achando que isso prova que viu a verdade, porque certo mesmo está o Facebook e o Whats App. >_<

Comentários encerrados.

Top