Estudo de caso da aplicação de indicadores para gestão de resíduos de serviços de saúde

Estudo de caso da aplicação de indicadores para gestão de resíduos de serviços de saúde

Por Marcos Paulo Gomes Mol

Foi publicado recentemente na Waste Management and Research um artigo sobre a aplicação de indicadores da gestão dos resíduos de serviços de saúde (RSS), elaborado por Fabiana Cristina Lima Barbosa e Marcos Paulo Gomes Mol, servidores da Fundação Ezequiel Dias (FUNED). Este artigo abordou a importância de se aplicar a ferramenta dos indicadores para aprimorar o sistema de gestão e gerenciamento dos RSS.

A gestão de resíduos de saúde representa um grande desafio para os gestores de todo o mundo. A segregação é ação fundamental para permitir a gestão do risco inerente a cada tipo de resíduo. Os indicadores de RSS podem favorecer a compreensão do real status do sistema de gerenciamento de resíduos. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi o de avaliar os indicadores de RSS aplicados em uma instituição pública brasileira, visando melhorar o sistema de gestão e sugerir métodos de aplicação desta ferramenta como alternativa de melhoria contínua ao processo de gestão.

Neste trabalho recém-publicado, os RSS foram pesados ​​a cada trimestre durante sete dias consecutivos, entre 2012 e 2017, de acordo com a metodologia sugerida pela COPAGRESS – Comissão Permanente de Apoio ao Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde de Belo Horizonte/MG. Aos interessados, o manual que apresenta esta metodologia está disponível através do link: http://www.funed.mg.gov.br/wp-content/uploads/2011/09/Manual-COPAGRESS-Indicadores-pdf.pdf

Segundo a RDC ANVISA Nº 222/2018, legislação brasileira que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviço de saúde, os RSS são classificados como: Grupo A: infectantes; Grupo B: químicos; Grupo C: radioativos; Grupo D: comuns; e Grupo E: perfurocortantes. Há, dentre os resíduos de risco biológico ou infectante, uma subdivisão dependendo das características do resíduo, podendo ser enquadrados em subgrupos A1, A2, A3, A4 ou A5. Os resíduos do subgrupo A4 são aqueles que possuem menor potencial de contaminação dentre os infectantes e são os únicos do grupo A que podem ser destinados a aterro sanitário sem descontaminação prévia, de acordo com a legislação vigente no Brasil. A orientação para o gerenciamento dos demais subgrupos inclui o tratamento dos resíduos no estabelecimento gerador antes da disposição final.

Os dados representam médias diárias, mensais e trimestrais dos resíduos gerados. Os indicadores do grupo B (químico) e do grupo E (perfurocortantes) tiveram resultados estatisticamente não significativos, sugerindo resultados distantes da meta estipulado.

A taxa de geração dos RSS foi de 355,3 a 500,7 kg.dia-1, incluindo todos os tipos de resíduos. Considerando apenas os resíduos não infectantes, que podem ser descartados em um aterro sanitário, a porcentagem representa cerca de 75% de todos os RSS gerados. Os outros 25% necessitam ser tratados antes da disposição. O custo do tratamento foi de US$ 0,76 kg-1 para a parcela de resíduos efetivamente perigosos.

Falhas na segregação podem representar aumento dos riscos à saúde, além de despesas desnecessárias aos estabelecimentos geradores. Os indicadores de RSS têm um bom potencial para fornecer gerenciamento de risco adequado em ambientes de serviços de saúde.

Para acessar o texto completo (durante o mês de outubro de 2018 o download estará liberado gratuitamente): http://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0734242X18777797

Marcos Paulo Gomes Mol é Pesquisador da Fundação Ezequiel Dias – Funed

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/10/2018

Estudo de caso da aplicação de indicadores para gestão de resíduos de serviços de saúde, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/10/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/10/19/estudo-de-caso-da-aplicacao-de-indicadores-para-gestao-de-residuos-de-servicos-de-saude/.

 

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