O longo caminho da transição energética, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

 

“Devemos deixar o petróleo antes que ele nos deixe”
Faith Birol (Economista chefe da IEA)

 

Renewables Global Status Report (GSR)”, de 2018

 

[EcoDebate] A edição do relatório “Renewables Global Status Report (GSR)”, de 2018, da Renewable Energy Policy Network for the 21st Century (REN21) revela o quanto falta para o mundo percorrer na transição energética. A figura acima, com dados de 2016, mostra que os combustíveis fósseis ainda dominavam a matriz energética mundial e representavam 79,5% do consumo global. A energia nuclear representava 2,2% do total, ficando as renováveis com 18,2% (fontes modernas com 10,4% e fontes tradicionais com 7,8%). Entre as energias modernas, a eólica e a solar somam menos de 1,7%.

Assim, apesar das tendências positivas, o ritmo da transição energética não é suficiente para se atingir os objetivos estabelecidos no Acordo de Paris, visando manter o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius. Sem dúvida, é preciso acelerar a transição energética, com aumento das energias renováveis que aproveitam as grandes reservas de vento e sol.

De fato, a instalação de energias renováveis tem batido todos os recordes. Somente em painéis solares foram instalados quase 100 gigawatts (cerca de sete usinas de Itaipu) em 2017. Em turbinas eólicas o aumento foi de cerca de 55 GW. Em alguns países do mundo, as energias eólica e solar já são responsáveis por um terço à metade da eletricidade consumida. Entre 2012 e 2017, a capacidade instalada em renováveis mais do que dobrou globalmente.

Mas a despeito de todos os avanços, o petróleo, o carvão e o gás natural continuam dominando a matriz energética global e as renováveis (excluindo a lenha e o carvão vegetal) respondem por apenas 10,4% do consumo total de energia da humanidade. O crescimento em relação ao ano de 2016 foi se somente de 0,2%. As chamada “renováveis modernas” incluem as hidrelétricas, que são renováveis, mas causam represamento dos rios, interrupção da mobilidade dos peixes e grandes danos ambientais para as bacias hidrográficas.

O Brasil conta com grande participação das hidrelétricas, mas sofre com a crise hídrica, a falta de chuvas e o baixo investimento nas nascentes dos rios. Na energia eólica o país está entre os 10 maiores produtores. Mas na energia solar – que é a fonte que mais cresce no mundo – o Brasil está muito atrasado e desperdiça o seu potencial solar que poderia, sozinho, abastecer todo o país, acabando com a dependência aos combustíveis fósseis.

Referências:
REN21. 2017. Renewables 2018 Global Status Report (Paris: REN21 Secretariat).
http://www.ren21.net/wp-content/uploads/2018/06/17-8652_GSR2018_FullReport_web_final_.pdf

 

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/09/2018

"O longo caminho da transição energética, artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 3/09/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/09/03/o-longo-caminho-da-transicao-energetica-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

 

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2 comentários em “O longo caminho da transição energética, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

  1. O grande problema não é energético. O grande problema, cuja solução se houver, dependerá da ocorrência de um colapso social, econômico e ambiental planetário, é do regime predominante na Terra.

Comentários encerrados.

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