Ação humana, em terrenos urbanos com declives e encostas, é a maior causa de deslizamentos

 

Ação humana, em terrenos urbanos com declives e encostas, é a maior causa de deslizamentos
Constatação é de trabalho de pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, feito a partir de deslizamentos em Campos do Jordão (foto: MCTIC)

 

Ação humana, em terrenos urbanos com declives e encostas, é a maior causa de deslizamentos

Agência FAPESP

De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as alterações no meio ambiente provocadas pela ação humana, em terrenos urbanos com declives e encostas, foram as principais causas que provocaram deslizamentos no município de Campos do Jordão em 2000.

A conclusão é de um trabalho realizado por pesquisadores do Cemaden, publicado na Natural Hazards and Earth System Sciences. Os autores são Rodolfo Mendes, Márcio Roberto Andrade, Javier TomasellaMárcio Augusto E. de Moraes e Graziela Scofield.

Segundo o Cemaden, a pesquisa demonstrou que a ação isolada dos fatores naturais – ou seja, chuvas de alta intensidade, condições geológicas-geotécnicas e geomorfológicas dos terrenos – não foram suficientes para desencadear deslizamentos de terra na área de estudo. Os resultados da pesquisa apontam que a ação humana desempenhou um papel preponderante na deflagração dos eventos de deslizamento naquele ano em Campos do Jordão.

O objetivo do estudo foi avaliar a contribuição relativa dos fatores naturais e humanos para desencadear deslizamentos de terra. O evento em 2000 provocou a morte de 10 pessoas e impactos socioeconômicos e de infraestrutura no município.

Foi realizado um levantamento geotécnico detalhado em três perfis de solo representativos da área, obtendo os parâmetros geotécnicos necessários para a análise de fluxo e estabilidade das encostas. Em seguida, foram feitas análises com modelagem numérica, utilizando o software Geo-Slope, o qual permite analisar a quantidade de água que infiltra nos terrenos e a estabilidade das encostas devido a essa infiltração.

“Os resultados da pesquisa apontam que as interferências humanas nas encostas urbanas são típicas das áreas de risco no Brasil. Concluímos a urgente necessidade de implementação de políticas públicas para restringir a ocupação de áreas com risco de deslizamentos de terra”, disse Mendes, coordenador da pesquisa.

Em 2017, a equipe de Geodinâmica do Cemaden publicou trabalho sobre outro deslizamento, ocorrido em 2016 em São José dos Campos. Nesse estudo também foram avaliadas as interferências humanas nos terrenos como causa principal dos deslizamentos induzidos em encostas urbanas (leia mais em www.cemaden.gov.br/pesquisas-do-cemaden-apontam-fatores-deflagradores-de-deslizamentos-e-o-monitoramento-mais-eficaz/).

“As chuvas associadas aos cortes verticais excessivos nas encostas, vazamentos pontuais em tubulações ou caixas d’água e infiltração de água servida [esgotos domésticos, fossas negras etc.] – além da sobrecarga no topo da encosta cortada pela ação humana – são os fatores indutores mais comuns encontrados nas áreas de risco de deslizamentos no Brasil”, disse Mendes.

Para o monitoramento das áreas de risco de deslizamentos, o pesquisador explica que o sistema de alerta antecipado exige um modelo matemático com dados do monitoramento da chuva associados à umidade do solo, integrado às informações sobre a situação da área alterada pela ação humana.

“Todos esses fatores e informações possibilitarão fornecer os indicativos dos momentos críticos para o início dos deslizamentos, aprimorando a emissão do alerta”, disse Mendes.

O artigo Understanding shallow landslides in Campos do Jordão municipality – Brazil: disentangling the anthropic effects from natural causes in the disaster of 2000 (doi: https://doi.org/10.5194/nhess-18-15-2018), de Rodolfo M. Mendes, Márcio Roberto M. de Andrade, Javier Tomasella, Márcio Augusto E. de Moraes e Graziela B. Scofield, pode ser lido em www.nat-hazards-earth-syst-sci.net/18/15/2018/.

 

Da Agência FAPESP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/03/2018

 

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