Agroecologia e Aptidão Agrícola das Terras: Convergências para a Sustentabilidade, por Lauro Charlet Pereira e Marco Antônio Ferreira Gomes

artigo

AGROECOLOGIA E APTIDÃO AGRÍCOLA DAS TERRAS: CONVERGÊNCIAS PARA A SUSTENTABILIDADE.

Lauro Charlet Pereira1

Marco Antônio Ferreira Gomes1

1Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente

E-mail: lauro.pereira@embrapa.br ; marco.gomes@embrapa.br

[EcoDebate] A preocupação com as questões ambientais têm crescido, sobretudo a partir da década de 60, quando se iniciou a “revolução ambiental” nos Estados Unidos. Na verdade, trata-se de um tema de grande relevância, visto que, independente da classe social ou condição econômica, atinge a todos. Dentre os momentos de maior preocupação com o meio ambiente, tanto no âmbito internacional quanto nacional, destacam-se: A reunião de Estocolmo, em 1972; a criação da Comissão de Brundtland, em 1983; o lançamento do relatório “Nosso Futuro Comum”, em 1987 e a Conferência das nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – CNUMAD – Rio 92 (CAVALCANTI, 1995). Os conceitos de agroecologia e agricultura sustentável consolidaram-se nesta Conferência, quando foram lançadas as bases para o desenvolvimento sustentável do planeta.

A Agroecologia deve ser entendida como ciência ou um conjunto de conhecimentos e métodos, que permite estudar, analisar e avaliar agroecossistemas dentro de princípios da sustentabilidade (CAPORAL E COSTABEBER, 2002). Busca, portanto, uma agricultura sustentável alicerçada em itens, como:

– manutenção a longo prazo dos recursos naturais e da produtividade agrícola;

– o mínimo de impacto adverso ao meio ambiente;

– melhor compatibilização entre as atividades produtivas com o potencial dos agroecossistemas;

– redução no uso de insumos externos e não renováveis, com potencial danoso à saúde ambiental e humana;

– satisfação das necessidades humanas de alimentos e renda;

– atendimento das necessidades sociais das famílias e das comunidades rurais.

Quanto ao Sistema de Aptidão Agrícola das Terras, por sua vez, este refere-se a uma metodologia de classificação das terras para o uso agrícola. Trata-se de uma classificação técnica, ou interpretativa, onde as terras são agrupadas de acordo com as suas potencialidades, relacionadas com os seus respectivos tipos de uso (RAMALHO FILHO & BEEK, 1995).

Portanto, numa análise comparativa, verifica-se nitidamente a relação estreita entre Agroecologia e Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras, como norteadoras para o desenvolvimento da agricultura sustentável.

Sob a ótica agroecológica, a avaliação da aptidão agrícola reveste-se de grande importância, visto que historicamente a ocupação das terras tem ocasionado problemas ambientais, decorrentes não só do uso indevido de áreas frágeis, mas também da sobreutilização de terras (uso do solo acima de sua capacidade produtiva). Sabe-se que em muitos casos, o uso de uma área não é conduzido de forma compatível com o potencial dos agroecossistemas (aptidão agrícola), resultando em problemas de degradação dos solos e a consequente perda de competitividade do setor agrícola, além da deterioração da qualidade de vida da população.

FONTES

CAVALCANTI, C. (Org.). Desenvolvimento e natureza: estudos para uma sociedade sustentável. São Paulo: Cortez; Recife, PE: Fundação Joaquim Nabuco, 1995.

CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia: enfoque científico e estratégico para apoiar o desenvolvimento rural sustentável. Porto Alegre: EMATER/RS, 2002.

RAMALHO FILHO, A.; BEEK, K. J. Sistema de avaliação da aptidão agrícola das terras. 3. ed. Rio de Janeiro: Embrapa-CNPS, 1995.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/12/2017

[cite]

 

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