UNESCO adverte para risco de aumento dos refugiados ambientais devido às mudanças climáticas e à desertificação

 

ONU

Em mensagem para o Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca, lembrado em 17 de junho, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, lembrou que é cada vez mais claro o papel da mudança climática na migração e no deslocamento de populações em todo o mundo.

 

Combater as mudanças climáticas e seus impactos é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Foto: Flickr/Tobias Sieben (CC)
Combater as mudanças climáticas e seus impactos é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Foto: Flickr/Tobias Sieben (CC)

 

Em mensagem para o Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca, lembrado em 17 de junho, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, lembrou que é cada vez mais claro o papel da mudança climática na migração e no deslocamento de populações em todo o mundo.

“Na atualidade, quantidades enormes de ‘refugiados ambientais’ são normalmente apresentadas como uma das mais dramáticas consequências possíveis da mudança climática e da desertificação”, disse. “E isso só deve aumentar”, completou.

O Secretariado da Convenção das Nações Unidas de Luta contra a Desertificação adverte que, até 2030, 135 milhões de pessoas estarão em risco de deslocamento por causa da desertificação, com a perspectiva de que 60 milhões migrem da África Subsaariana para o Norte da África e para a Europa.

As previsões mostram que as regiões áridas e semiáridas seriam as mais afetadas pela desertificação e pelos movimentos populacionais. Populações rurais, que dependem de meios de subsistência pastoris, da agricultura e de recursos naturais, estarão altamente expostas devido às vulnerabilidades existentes, incluindo pobreza, baixos níveis de educação, falta de investimentos, longas distâncias e isolamento.

“Devemos enfrentar essas tendências, o que significa atuar em dois âmbitos”, disse Bokova. “Em primeiro lugar, devemos administrar a terra corretamente, porque isso é essencial para prevenir sua desertificação e para manter sua produtividade”, disse.

A Reserva da Biosfera da UNESCO de Las Bardenas Reales, na Espanha, mostra que uma gestão consciente de terras áridas, com base na alternância de seu uso entre pastagens, lavouras, permite não apenas a interrupção da desertificação, mas também a possibilidade de se reverter o processo e restaurar terras anteriormente degradadas, lembrou a diretora-geral da UNESCO.

Ela citou o Programa Hidrológico Internacional (PHI) da UNESCO, comprometido com o desenvolvimento de habilidades e com o oferecimento de orientação e ferramentas políticas para combater desafios relacionados às secas e à desertificação, em particular os relativos à gestão dos recursos hídricos, por meio da Rede Mundial de Informação sobre os Recursos Hídricos e o Desenvolvimento nas Zonas Áridas (G-WADI).

“Em segundo lugar, devemos reforçar a resiliência das populações vulneráveis, apoiando meios de subsistência alternativos, para quebrar o círculo vicioso da desertificação e suas consequências socioeconômicas, as quais frequentemente ocasionam a migração”, declarou.

Ao procurar fomentar a educação e o desenvolvimento de habilidades nas áreas de ciência, tecnologia e engenharia, tanto para meninas como para meninos que vivem em países vulneráveis, o Programa Internacional de Ciências Fundamentais (PICF) da UNESCO trabalha para criar novas oportunidades de emprego para os jovens, para reduzir a dependência em fontes de renda condicionadas pelo clima e para oferecer às pessoas um futuro resiliente em seus próprios lares.

“Neste dia, nós devemos reconhecer que a desertificação é um fenômeno mundial e uma ameaça para todas as pessoas. Da mesma forma, devemos começar a agir globalmente para construir um futuro sustentável e estável para todos”, concluiu.

 

Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/06/2017

 

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