Conheça o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, artigo de Roberto Naime

 

Parna da Lagoa do Peixe
NOME DA UNIDADE: Parna da Lagoa do Peixe BIOMA: Marinho Costeiro ÁREA: 36.721,71 hectares DIPLOMA LEGAL DE CRIAÇÃO: Dec nº 93.546 de 06 de novembro de 1986

 

[EcoDebate] O parque nacional da Lagoa do Peixe é uma unidade de conservação federal, que está situada nos municípios de Tavares, Mostardas e São José Norte, no estado do Rio Grande do Sul. O bioma predominante são porções remanescentes da Mata Atlântica. O parque apresenta área total de 34.400 hectares, tendo sido criado pelo Decreto n.º 93.546 de 06 de novembro de 1986.

O parque está aberto toda a semana toda, inclusive nos finais de semana, e a visitação é gratuita. Mas a área não possui serviços de guia, que podem ser encontrados e contratados em cidades próximas, onde existem profissionais autorizados. Entre os meses de outubro a março, ocorrem e se constituem as melhores épocas para visitação do parque. Mas no inverno se encontram mais mamíferos e cetáceos na unidade litorânea.

Esta unidade de conservação tem como objetivo específico a preservação dos recursos naturais voltados especialmente para a proteção das aves migratórias que se manifestam e vivem na Lagoa do Peixe. Tribos de índios da etnia Tupi-Guarani habitavam a região do Parque há mais de 400 anos.

A área foi colonizada posteriormente, por açorianos e o nome da unidade se deve à importância da Lagoa dos Peixes, na verdade uma laguna, dentro do ecossistema, a maior e mais procurada pelas aves para a alimentação.

O parque é considerado um ótimo lugar para a prática de observação de aves. Centenas delas se amontoam nas águas rasas da Lagoa do Peixe. Frequentemente acorrem ao local e podem ser observadas também baleias-francas, principalmente entre os meses de julho e outubro. As praias desertas escondem preciosidades, como o Farol da Solidão e o Farol de Mostardas, que foi construído em 1858.

Na área de abrangência do parque, é possível observar aves como gansos marinhos, cisnes, marrecos, flamingos, maçaricos, gaivotas, mariquita, pula-pula, entre outros. Existem ainda trilhas que podem ser percorridas a passeio terrestre ou com veículos, como a trilha do Talhamar, a trilha da Figueira e a trilha das Dunas, todas relativamente extensas.

O local é conhecido como sendo o paraíso das aves migratórias. O parque está localizado em uma extensa planície costeira arenosa e tem uma paisagem que comporta matas de restinga, banhados, campos de dunas, lagoas de água doce e salobra, assim como praias e uma grande e extensa área marinha.

A Lagoa do Peixe tem profundidade bastante rasa, com cerca de 60 cm de profundidade, possuindo 35 km de comprimento e aproximadamente 2 km de largura. A lagoa é formada por uma sucessão de pequenas lagoas interligadas e tem como funcionalidade propiciar um berçário natural para espécies marinhas como o camarão-rosa, a tainha e o linguado.

Este parque nacional é unidade de conservação que preserva um importante ecossistema costeiro do litoral do país. Na região, vivem algumas comunidades de pescadores, descendentes dos lusitanos, sobrevivendo da pesca artesanal. No verão sobrevivem da pesca do camarão no verão e no inverno da pesca da tainha.

Existem na área da lagoa, catalogadas e reconhecidas, cerca de 182 espécies de aves, sendo 26 delas migratórias do hemisfério norte e 5 do hemisfério sul. Por isso, a observação de aves é uma das principais atividades da região, e sua mais conspícua atração turística.

Os flamingos são provenientes de terras chilenas e argentinas. O maçarico-de-peito-vermelho é originário de regiões a norte da reserva. O parque, ainda possui mamíferos, como a capivara e o tamanduá e um réptil ameaçado de extinção, o jacaré-de-papo-amarelo. Na lista das espécies ameaçadas também estão o gavião-cinza, a gaivota-de-rabo-preto e a sanã-cinza.

Um dos maiores entraves para o pleno exercício da proteção na unidade de conservação é a questão fundiária. Pelos registros e informações, menos de 10% área ocupada pelo parque foi desapropriada. Isto dificulta todas as atividades de proteção e causa uma série interminável de conflitos, de toda natureza.

Algumas atividades conflitantes com a unidade são a ocupação humana, a pesca, a agricultura, a pecuária e a caça. Na região, as principais atividades registradas e tradicionais, são a cultura de arroz e a pesca de camarões e tainhas.

Embora esta área não apresente a exuberância e a majestosidade de reservas situadas puramente na Mata Atlântica e nos cerrados, é impossível não se sensibilizar profundamente com o cotidiano apresentado pelas práticas das aves. Mais do que belezas inspiradas por cênicas plumagens, está o encantamento traduzido pela sensação de plena harmonia e integração com a natureza e o meio ambiente, expresso por uma paisagem que traduz e passa uma sensação de infinitude que não se consegue traduzir em palavras.

A regra básica é conhecer para preservar, e mais do que conservar, se perpassa por experiência única que sempre se mantém na retina pela sua magnificência e originalidade. As atuais e as futuras gerações merecem e tem direito de usufruir de realidade tão instigante e conspícua.

Referências:

http://observatorio.wwf.org.br/unidades/cadastro/297/

https://www.facebook.com/parnalagoadopeixe

http://www.brasil.gov.br/localizacao/parques-nacionais-e-reservas-ambientais/parque-nacional-da-lagoa-do-peixe-2013-rs

http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/biomas-brasileiros/marinho/unidades-de-conservacao-marinho/2259-parna-da-lagoa-do-peixe

Decreto de criação: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1980-1989/1985-1987/D93546.htm

 

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/05/2017

 

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