Pesquisa revela o impacto do crescimento urbano na biodiversidade de aves nas cidades da Amazônia

 

Região metropolitana de Belém possui apenas 20% das espécies de aves listadas, segundo estudo inédito desenvolvido por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi. Falta de áreas verdes e crescimento da cidade são as principais causas. Pesquisa também revela presença de aves migratórias e ressalta a importância desses animais nos serviços ecossistêmicos.

 

O beija-flor-de-veste-preta foi uma das espécies estudadas. Crédito: Museu Goeldi
O beija-flor-de-veste-preta foi uma das espécies estudadas. Crédito: Museu Goeldi

 

Estudo inédito desenvolvido por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi registrou a presença de 99 espécies de aves na cidade de Belém (PA), o que representa apenas 20% das 492 espécies já listadas para a região metropolitana. Para chegar a esse número, os cientistas percorreram, durante um ano, o mesmo trajeto de cinco quilômetros. As aves ouvidas ou avistadas eram registradas no aplicativo eBird.

Os resultados dão pistas sobre a capacidade de adaptação das aves ao ambiente urbano e as ameaças que a cidade oferece para a biodiversidade amazônica. Além disso, chama a atenção para os serviços ecossistêmicos realizados por aves, que contribuem para o bem estar dos habitantes das cidades.

De acordo com o estudo, a presença de poucas espécies de aves em Belém está relacionada à falta de grandes espaços verdes na cidade. “Belém tem poucas áreas verdes, e as que ainda resistem à urbanização estão cercadas de casas e prédios, o que impede a dispersão e a colonização de espécies, afetando principalmente aquelas que são dependentes de florestas”, afirma o pesquisador Alexander Lees, agora na Manchester Metropolitan University, na Inglaterra.

Ele cita, por exemplo, apenas 3,4% de cobertura vegetal num dos distritos percorridos durante a pesquisa, no sudoeste de Belém.

Migração

O estudo constatou ainda maior diversidade de aves entre janeiro e abril, quando há grande presença de espécies migratórias, principalmente aquáticas, do hemisfério norte, como gaivotas, talha-mar e maçaricos. Das 99 espécies registradas ao longo do ano pelos cientistas, 66 eram residentes, nove eram migrantes de áreas boreais da América do Norte, 12 eram migratórias austrais e 12 eram migrantes intratropicais.

De acordo com a pesquisadora Nárgila Moura, as áreas próximas ao rio podem funcionar como local de descanso para as espécies que estão migrando e que tenham Belém na sua “rota de viagem”. “A região também recebe espécies migratórias do sul da América do Sul, chamadas de migratórias austrais. Essas espécies vão passar o inverno em áreas como a Praça Batista Campos ou outras áreas verdes”, explica.

Apenas cinco espécies de aves exóticas, como pombo-doméstico e pardal, foram registradas no estudo. Porém, a abundância dessas espécies foi maior que dos outros grupos nativos.

O estudo ressalta a importância das aves na prestação de serviços ambientais, que podem melhorar o bem estar das pessoas nas áreas urbanas. Esses serviços incluem o controle de pragas, como insetos e ratos, e a decomposição de detritos.

Fonte: MCTIC

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 10/05/2017

 

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