Cortinas e poluição urbana, artigo de Carlos Augusto de Medeiros Filho

 

cortinas

 

[EcoDebate] As cortinas dos quartos e da cozinha, lá de casa, ficaram parcialmente deterioradas e precisaram ser trocadas. Sempre que as retirávamos para lavagem e agora também para a substituição, percebíamos a desagradável acumulação de poeira muito fina e negra em porções das cortinas. Essas sujeiras correspondem as persistentes, danosas e quase imperceptíveis fuligens que contaminam o ar da cidade, constituindo uma das formas mais evidentes de poluição urbana.

Em um ambiente urbano, metais podem ser liberados a partir de inúmeras fontes antropogênicas. Impactos significativos sobre o ambiente urbano normalmente incluem atividades relacionadas com o tráfego (queima de combustíveis fósseis, desgaste de peças de veículos e vazamentos de óleos de motor contendo metais), atividades específicas da indústria, eliminação de resíduos urbanos, incineração e aterros sanitários e a corrosão de materiais de construção (Peploe & Dawson, 2006).

A dispersão e a distribuição de metais dependem do tamanho das partículas e das propriedades do material superficial. A suspensão para o ar de partículas finas representa uma grande preocupação da saúde, uma vez que elas podem ser facilmente inaladas e incorporadas ao pulmão humano (Luo et al., 2012). Contaminação de metais são especialmente pronunciadas próximo a rodovias que recebem contaminantes de descargas de veículos (Pb, Mn), desgastes de pneus (Zn, Cd), corrosão de chapas de metais soldadas (V, Ce, Ni, Cr) e a combustão de óleos lubrificantes ( Cd, Cu, V, Zn, Mo). Acrescenta-se a presença de elementos do grupo da platina, como Pd, Pt e Rh, associados com conversores catalíticos (Chambers et al., 2016).

Mesmo morando a uma razoável distância de uma via movimentada, o registro de pó negro nas cortinas é um aviso constante da contaminação do ar e consequentemente, pela precipitação, do solo e água. A sujeira nas cortinas também deixa um recado simples e direto da necessidade de se estudar e avaliar a geoquímica urbana e as possíveis contaminações de metais decorrentes das atividades humanas.

Referências Bibliográficas

Chambers, L.G.; Chin, Y; Filippeli, G.M.; Gardner, C.B.; Herndon, E.M.; Long, D.T.; Macpherson, G.L.; McElmurry, S.P.; McLean, C.E.; Moore, J.; Moyer, R.P.; Neumann, K.; Nezat, C.A.; Soderberg, K.; Teutsch, N.; Widom, E. 2016. Developing the scientific framework for urban geochemistry. Applied Geochemistry 67 1-20.

Luo, X.; Tu, S.; Zhu, Y.; Li, X. 2012. Trace metal contamination in urban soils of China. Science of the Total Environment 421–422, 17–30.

Peploe, R., Dawson, A. 2006. Environmental impact of industrial byproducts in road construction – a literature review. Land Transport New Zealand Research Report 308. 38 pp.

Carlos Augusto de Medeiros Filho, geoquímico, graduado na faculdade de geologia da UFRN e com mestrado na UFPA. Trabalha há mais de 30 anos em Pesquisa Mineral.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/02/2017

"Cortinas e poluição urbana, artigo de Carlos Augusto de Medeiros Filho," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/02/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/02/17/cortinas-e-poluicao-urbana-artigo-de-carlos-augusto-de-medeiros-filho/.

 

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Um comentário em “Cortinas e poluição urbana, artigo de Carlos Augusto de Medeiros Filho

  1. Imagine no mal que estas poeiras/fumaças urbanas causam na saúde humana. Enquanto não houver investimento em tecnologias limpas os grandes centros estarão reféns deste problema.

Comentários encerrados.

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