Macapá, capital do Amapá vulnerável às inundações, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

 

áreas vulneráveis à enchentes em Macapá

 

[EcoDebate] A cidade de Macapá – capital do Amapá – com cerca de 466 mil habitantes, em 2016, concentra 60% da população do Estado (782.295 habitantes), segundo o IBGE. Macapá é a terceira maior aglomeração urbana da Amazônia, sendo a única capital cortada pela linha do Equador e fica às margens do rio Amazonas. A Fortaleza de São José de Macapá, inaugurada em 1782, foi construída para proteger a entrada do delta do rio Amazonas e a antiga Província dos Tucujus.

Os canhões da Fortaleza São José nunca deram um tiro. Os invasores nunca apareceram. A cidade de Macapá pôde crescer e passou a concentrar a maior parte do PIB do Amapá. A despeito dos problemas provocados pela crise econômica que atinge todas as regiões do Brasil, a capital do Amapá (embora muito dependente dos recursos federais) é uma cidade dinâmica e que pode avançar bastante se forem resolvidos os problemas de saneamento básico, educação, saúde, emprego, etc.

Porém, a cidade de Macapá e toda a margem do rio Amazonas estão ameaçadas por um outro tipo de invasor que nenhum Forte e nem mil canhões serão capazes de deter. Trata-se de um invasor furtivo, escorregadio e que avança de maneira sorrateira e determinada. No século XXI, Macapá está ameaçada pela invasão das águas salgadas e pelo aumento do nível do mar que vai elevar o nível do rio Amazonas, ampliando o leito do rio e represando as águas das chuvas e tempestades de inverno.

Ou seja, grandes áreas da Amazônia estão ameaçadas pelo aquecimento global, que provoca o degelo do Ártico, da Groenlândia, da Antártica e dos glaciares e é provocado pela emissão de gases de efeito estufa, gerados pela aceleração das atividades antrópicas em todo o mundo.

Na área urbana da capital, existem 620 pontos de risco de alagamento que foram mapeados pela Defesa Civil. Quando ocorre uma tempestade em momento de maré alta, as chamadas áreas de ressaca ficam inundadas. Ocupações irregulares e a especulação imobiliária dificultam as soluções. Uma forma de remediar seria o investimento em obras para aumentar as áreas de drenagem.

Porém, as dificuldades crescem exponencialmente quando se leva em consideração as projeções feitas pelo IPCC e por trabalhos científicos mais recentes que mostram cenários onde o nível do mar pode subir 2 metros até 2100. Neste caso, Macapá teria que lidar com o aumento do nível do rio Amazonas e a inundação das áreas baixas e de ressaca da cidade. Na verdade, a elevação do nível do rio Amazonas poderá atingir amplas áreas do delta e deve afetar inclusive a cidade de Santarém, como mostra o mapa abaixo.

 

áreas vulneráveis às enchentes no rio Amazonas e nos Estados do Pará, Amapá e Amazonas

 

De fato, a orla de Macapá já sofre com a translação das águas do rio Amazonas, provocada pela maré alta. Quando o rio transborda, pouca coisa pode ser feita. Diversas casas construídas nas margens do rio já foram destruídas. As casas e lojas ao longo do canal do centro também sofrem com o transbordamento, como pode ser visto nos vídeos abaixo. A avenida Mendonça Júnior e a Cidade Nova são uma das áreas mais vulneráveis.

A invasão das águas é um processo que vai se agravar ao longo das próximas décadas. Nem a Fortaleza e nem o Santo José serão capazes de deter esta invasão que virá das chuvas que caem do céu e das águas que sobem com a maré lançante. Também não basta rezar contra o dilúvio. O que os macapaenses precisam fazer com urgência é se unirem ao movimento ambientalista nacional e internacional no sentido de lutar contra as emissões de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global. Esta luta deve ser travada em todas as trincheiras locais, nacionais e internacionais.

Videos:

Mare lançante de 2012 https://www.youtube.com/watch?v=Ap-r1vCkb04

Beira Rio sendo alagada https://www.youtube.com/watch?v=UkIxXK6Q78k

Enchente no Aturiá, Macapá/AP  https://www.youtube.com/watch?v=WQTrqiUZWcE

Orla de Macapá embaixo d´água https://www.youtube.com/watch?v=mHunGEftMHM

Periferia de Macapá alagada https://www.youtube.com/watch?v=cshG7Q8yqU8

 

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

 

in EcoDebate, 25/11/2016

Macapá, capital do Amapá vulnerável às inundações, artigo de José Eustáquio Diniz Alves, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/11/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/11/25/macapa-capital-do-amapa-vulneravel-as-inundacoes-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

 

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