Entre um Personagem e um Diretor: Trump e a Economia, artigo de Agostinho Celso Pascalicchio

 

artigo de opinião

 

[EcoDebate] Dois princípios do Partido Republicano devem permanecer durante o governo Trump: a valorização do dólar e o maior nacionalismo americano refletido por medidas protecionistas sobre as empresas e favorável ao emprego dos norte-americanos. No primeiro, Trump parece ser o “Personagem” e no segundo poderá ser o “Diretor”.

A valorização do dólar norte americano, com a alta dos juros básicos, já vem sendo anunciada e aguardada desde o começo deste ano, ou seja, ainda no governo de Barack Obama. O Federal Reserve (FED) ou Banco Central dos Estados Unidos, bem como diversos analistas econômicos, vem indicando para esta possibilidade de alta nos juros durante todo este ano. Como esta decisão sobre o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos afeta o Brasil?

Os Estados Unidos são considerados a economia mais segura do mundo e um aumento da taxa de juros, ainda que de pouca magnitude, provocará a saída de recursos financeiros dos outros países para o EUA. Haverá uma migração de dólares para aquele país, provocando uma desvalorização de todas as outras moedas.
Sobre o Brasil, além da desvalorização do Real, poderá haver uma redução nos recursos destinados aos investimento e aplicações financeiras. Esta perspectiva de alta de juros do dólar norte-americano, mesmo com Trump, parece não estar ameaçada. Ele deverá ser o personagem neste processo.

Adicionalmente, para o Brasil, o aumento da taxa de juros americana também causará um aumento dos custos para as empresas que têm necessidade de buscar recursos no exterior para se financiar, captar recursos, ou adquirir produtos ou matérias-primas importadas, como, por exemplo, a indústria farmacêutica.

Estas empresas terão de pagar mais pelos recursos externos ou pelos produtos importados. O custo do capital das empresas sobe e ocorre uma inflação causada pela desvalorização do Real. As empresas do país vão repassar os custos mais elevados de captação do dinheiro ou de produção de seus produtos para o consumidor brasileiro.

A pressão de alta sobre a taxa de câmbio (pressão para a desvalorização do Real) causa um aumento da inflação. Os produtos ficam mais caros. Por precaução, o Banco Central do Brasil poderá não reduzir os juros. Poderá haver uma dificuldade em reduzir os juros do país.

A cautela mostrada por esta instituição com relação a abaixar a taxa básica, já por diversas vezes, indica que ela não deseja correr riscos desnecessários sobre o desejo de controlar a alta dos preços. O comportamento do Banco Central do país parece mostrar que ele poderá abaixar os juros somente se houver significativos e fortes sinais de redução da inflação no país.

O Trump como diretor será aquele que deverá orientar o maior nacionalismo- ou protecionismo- sobre a economia norte-americana. A intenção deste movimento nacionalista e protecionista ao estimular a economia daquele país poderá causar três providências sendo duas imediatas: a redução dos tributos sobre empresas – para reduzir o preço dos produtos americanos- e a redução das taxas cobradas sobre os indivíduos- para aumentar o seu poder de compra. A terceira providência é a de elevar as tarifas de importação ou impor novas medidas protecionistas contra a importação de produtos acabados. A intenção é a de propor medidas de repatriação das empresas norte-americanas instaladas pelo mundo, particularmente na China.

Qual o efeito da retomada da indústria norte-americana sobre o Brasil? As exportações brasileiras no período de janeiro a outubro de 2016 totalizaram US$18, 9 bilhões. Os EUA é um importante comprador de matérias-primas brasileiras. Pode ser que a recuperação industrial norte-americana estimule o comércio bilateral brasileiro com este país e aumente a participação das exportações para os EUA.

Agostinho Celso Pascalicchio é economista da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

 

Colaboração de Lucas Berti, in EcoDebate, 22/11/2016

[cite]

 

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