Resistência antimicrobiana: Mundo está ‘perdendo habilidade de proteger pessoas e animais de infecções’

 

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Alerta é do secretário-geral da ONU, afirmando ainda que a resistência antimicrobiana representa uma ameaça “fundamental e de longo prazo à saúde humana, à produção sustentável de alimentos e ao desenvolvimento”.

Segundo Ban Ki-moon, “a propagação de infecções resistentes a antibióticos de animais em fazendas para carne e pessoas foi documentada”. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

“Resistência antimicrobiana representa uma ameaça fundamental e de longo prazo à saúde humana, à produção sustentável de alimentos e ao desenvolvimento”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em uma reunião de alto nível sobre o tema nesta quarta-feira.

O encontro, realizado às margens dos debates da 71ª Assembleia Geral da ONU, reuniu ainda os chefes da Organização Mundial da Saúde, OMS, Margaret Chan, da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, José Graziano da Silva, e da Organização Mundial da Saúde Animal, Monique Eloit.

Sem Precedentes

A resistência antimicrobiana acontece quando bactérias, vírus, parasitas e fungos desenvolvem resistência a medicamentos que anteriormente eram capazes de curá-los.

Nesta quarta-feira, líderes mundiais “assinalaram um nível de atenção sem precedentes para combater a transmissão dessas infecções.

Pela primeira vez, chefes de Estado se comprometeram a uma abordagem coordenada para combater as causas do fenômeno em diversos setores, especialmente saúde humana e animal e agricultura.

Realidade

Ban destacou que não se trata do que “pode acontecer no futuro”; é uma “realidade muito presente, em todas as partes do mundo, em países desenvolvidos e em desenvolvimento, em áreas rurais e urbanas, em hospitais, fazendas e comunidades”.

“Estamos perdendo a habilidade de proteger tanto pessoas quanto animais de doenças potencialmente fatais”, alertou o secretário-geral.

Exemplos

O chefe da ONU citou alguns exemplos. Segundo Ban, a previsão é de que mais de 200 mil recém-nascidos morram a cada ano de infecções que não respondem a antibióticos disponíveis.

Uma epidemia de febre tifóide resistente a diversas drogas está se espalhando, pela água, em partes da África.

Ban alertou ainda que a resistência a drogas que combatem o HIV/Aids está crecendo, citando também resistência encontrada em alguns países em casos de tuberculose e malária.

Mecanismos Genéticos

O secretário-geral afirmou ainda que “a propagação de infecções resistentes a antibióticos de animais em fazendas para carne e pessoas foi documentada”.

Ele alertou que, além disso, perigosos novos mecanismos genéticos para transmitir a resistência estão surgindo e se espalhando rapidamente através do mundo.

Ban ressaltou que estas tendências estão minando as “conquistas duramente conquistadas” sob os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, incluindo contra HIV/Aids, tuberculose, malária e saúde materno-infantil.

Para o secretário-geral, não será fácil, mas é possível reduzir a resistência antimicrobiana.

A reunião de alto nível desta quarta-feira foi organizada pelo presidente da Assembleia Geral, Peter Thomson.

 

in EcoDebate, 26/09/2016

 

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