‘Impactos de fenômenos climáticos como El Niño serão cada vez mais imprevisíveis’

 

Avaliação é do secretário-geral da ONU, que alerta sobre severidade de La Niña, que deve surgir no fim do ano; em evento sobre o clima, Ban lembra que secas e enchentes afetaram a vida de 60 milhões de pessoas este ano.

 

Ban Ki-moon nesta terça-feira no debate de alto nível sobre os impactos do El Niño. Foto: ONU/Eskinder Debebe

 

Por Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Um debate de alto nível sobre os impactos do El Niño foi promovido esta segunda-feira na ONU com a participação do secretário-geral da organização. Em Nova York, Ban Ki-moon lembrou que a força do fenômeno natural afetou a vida de 60 milhões de pessoas este ano.

São moradores da América Central, do Chifre da África, do sul do continente africano, das Ilhas Pacífico e do sudeste da Ásia. Essas regiões enfrentaram fortes secas ou grandes enchentes, que destruíram comunidades e meios de subsistência.

La Niña

Segundo Ban, os próximos eventos do clima devem ser “mais imprevisíveis, mais frequentes e mais severos”. Ele mencionou o La Niña, previsto para sugir no fim deste ano e terminar em 2017.

O chefe da ONU falou sobre a visita que fez recentemente à Etiópia, onde o El Niño afetou milhões de pessoas, testando a resistência da população. Com os impactos na produção agrícola, a insegurança alimentar e a desnutrição atingiram os etíopes.

Retrocesso

Para Ban Ki-moon, responder a esse desafio vai além das ações humanitárias, uma vez que os eventos extremos do clima causam retrocesso nos ganhos obtidos no desenvolvimento dos países.

O secretário-geral teme que fenômenos do clima ligados à mudança climática possam colocar em risco o alcance da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.
Financiamento

Ban avalia ser essencial tirar lições dos impactos do El Niño e “prevenir, preparar e diminuir os efeitos da mudança climática”. Elementos “humanitários, de desenvolvimento e de resiliência climática” precisam ser incorporados na resposta a esses eventos, segundo o secretário-geral.

O chefe da ONU também falou sobre a importância de se investir na redução do risco de desastres naturais. Durante a passagem do El Niño, vários governos disponibilizaram recursos financeiros para aliviar os impactos causados pelo fenômeno.

Por sua vez, agências humanitárias aproveitaram a doação de US$ 120 milhões do Fundo Central da ONU de Resposta a Emergências, Cerf, para ações em 19 países.

Ban Ki-moon aproveitou para fazer um pedido a governos, doadores, sociedade civil, setor privado e agências humanitárias e de desenvolvimento. Ele quer mais apoio aos seus dois enviados especial para El Niño e Clima: Mary Robinson e Macharia Kamau.

 

in EcoDebate, 20/07/2016

 

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