Fritjof Capra e os transgênicos, parte 2/6, artigo de Roberto Naime

 

Fritjof Capra (Viena, Áustria, 1 de fevereiro de 1939) é um físico teórico e escritor que desenvolve trabalho na promoção da educação ecológica. Foto e informações da Wikipedia

 

[EcoDebate] A eco-alfabetização e eco-concepção são definições que implicam que a construção de comunidades sustentáveis deve ser tornar-nos “alfabetizados ecologicamente” e compreender os princípios organizativos que os ecossistemas têm desenvolvido para sustentar a teia da vida.

Nas décadas vindouras a sobrevivência da humanidade dependerá da nossa eco-alfabetização, nossa habilidade de compreender os princípios básicos da ecologia e viver em conformidade.

Isso significa que alfabetização ecológica deve tornar-se uma habilidade crítica para nossos políticos, lideres de negócios e profissionais em todas as esferas. Da escola elementar à universidade, assim como da educação contínua e do treinamento de profissionais.

Precisamos ensinar aos nossos filhos os fatos fundamentais da vida, que as sobras de uma espécie são o alimento de outra; que a matéria circula continuamente através da teia da vida; que a energia que move os ciclos ecológicos vem do sol; que a diversidade garante a resistência, que a vida, desde o seu primórdio há três bilhões de anos atrás não tomou este planeta pelo combate, mas pela cooperação em rede.

Todos esses princípios da ecologia estão intimamente relacionados. Eles são aspectos diferentes de um singelo padrão fundamental de organização que tem permitido a natureza sustentar a vida por bilhões de anos. A natureza sustenta a vida criando e alimentando comunidades.

Nenhum organismo pode existir no isolamento. Animais dependem da fotossíntese das plantas para suas necessidades de energia, as plantas dependem do dióxido de carbono produzido pelos animais como também do nitrogênio colocado pelas bactérias em suas raízes.

Juntos, plantas, animais e microrganismos, regulam toda biosfera e mantém as condições que conduzem à vida.

Sustentabilidade não é uma propriedade individual, mas características que emergem de uma complexa rede de relações. Sempre envolve comunidades completas. Esta é uma lição profunda que precisamos aprender com a natureza; a forma de sustentar a vida conecta-se à construção e à manutenção de comunidades.

Uma comunidade humana sustentável interage com outras comunidades, humanas e não-humanas, de modo que as capacita a viver e a desenvolver-se de acordo com sua natureza.

Sustentabilidade não significa que as coisas não se alteram. É um processo dinâmico de co-evolução mais do que um estado estático.

No reino humano sustentabilidade inclui o respeito pela integridade cultural e o direito básico das comunidades de autodeterminação e auto-organização. Isto significa que a sustentabilidade ecológica e a justiça econômica são interdependentes. Dois lados de uma mesma moeda

Sustentação da vida significa reconhecer que somos uma parte inseparável da teia da vida, das comunidades humanas e não-humanas e que ampliar a sustentabilidade e a dignidade de qualquer uma delas ampliará todas as outras.

Ser ecologicamente alfabetizado significa compreender como esses valores e princípios de organização estão interconectados. Este é o primeiro passo na estrada da sustentabilidade.

Segue um projeto, um planejamento ecológico. Precisamos aplicar nosso conhecimento ecológico para uma fundamental reformulação de nossas tecnologias e instituições sociais, de forma a cobrir a lacuna atual entre o design humano e os sistemas naturais ecologicamente sustentáveis.

Design, no seu sentido mais amplo, consiste em formatar fluxo de energia e material para propósitos humanos. O design ecológico é um processo no qual nossos propósitos humanos são cuidadosamente mesclados com padrões e fluxos mais amplos do mundo natural.

Os princípios do design ecológico refletem os princípios de organização que a natureza criou para sustentar a teia da vida.

Para exercer projetos neste contexto é necessária uma mudança fundamental em nossa atitude em relação à natureza, uma mudança sobre como descobrir o que podemos extrair da natureza e o que podemos aprender com ela.

Em anos recentes tem havido um aumento dramático de altitudes e projetos ecologicamente orientados, todos estão agora muito bem documentados.

Mais do que nunca, um outro mundo é possível e necessário, compatibilizado com a livre iniciativa. Ocorre enfatizar que nada é contra a livre-iniciativa.

Que sem dúvida sempre foi e parece que sempre será o sistema que melhor recepciona a liberdade e a democracia. Mas uma nova autopoise sistêmica para o arranjo social, é urgente e premente.

Referências:

http://www.pg.cefetpr.br/ppgep/Ebook/cd_Simposio/artigos/comunicacao_oral/art17.pdf
http://www.nossofuturoroubado.com.br/old/0606te%20capra.htm

 

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

 

Nota da redação: Sugerimos que leiam, também, o artigo anterior desta série:

Fritjof Capra e os transgênicos, parte 1/6

 

in EcoDebate, 18/05/2016

"Fritjof Capra e os transgênicos, parte 2/6, artigo de Roberto Naime," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/05/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/05/18/fritjof-capra-e-os-transgenicos-parte-26-artigo-de-roberto-naime/.

 

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Um comentário em “Fritjof Capra e os transgênicos, parte 2/6, artigo de Roberto Naime

  1. Pode ser compatível com a livre iniciativa, mas sera compatível com o capitalismo?

Comentários encerrados.

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