Temer o Temer? artigo de Montserrat Martins

 

opiniao

 

[EcoDebate] Uma pesquisa telefônica com eleitores feita pela Ideia Inteligência mostrou que 55% da população prefere novas eleições, contra apenas 12% favoráveis à posse de Temer em caso de impeachment e 33% que não souberam responder. Realizada nos últimos dias de março, a pesquisa entrevistou 10.002 pessoas em 82 municípios. A margem de erro é de 1,45 ponto percentual para mais ou para menos.

Com a ansiedade e com as pressões populares para tirar Dilma e o PT do governo através do impeachment, é somente agora que muitas pessoas começam a imaginar como seria um governo do PMDB do Temer: é para se ter esperanças, ou para se temer? Foi num clima político anti-petista que o Rio Grande do Sul trocou do governo, colocando no cargo o candidato local do PMDB, e seus índices de aprovação são ainda mais baixos que o do seu antecessor.

Na linha sucessória, no caso do Impeachment tal como hoje está posto no Congresso, o segundo mandatário do país passaria a ser o Presidente da Câmara, ou seja, o próprio Eduardo Cunha, flagrado com dinheiro ilícito na Suíça. Sabendo-se das afinidades políticas de Temer e Cunha, o que podemos esperar de um “novo” governo que está derrubando o anterior via Congresso, sem eleições, e que será liderado por comandantes também implicados com a corrupção?

A alternativa concreta que existe – mas da qual raramente se fala – é o processo que está no TSE, por crime eleitoral da chapa Dilma e Temer, o que obrigaria a novas eleições. Juridicamente, esse processo é muito mais bem fundamentado que aquele que está no Congresso referente às pedaladas fiscais, pois o processo que corre no TRE tem como provas por exemplo a delação premiada de membros da Odebrecht sobre formas de financiamento eleitoral às margens da lei, em favor da chapa Dilma-Temer.

Qualquer conversa séria sobre política flagra a contradição entre tirar um governo por clamor contra a corrupção e lhe substituir por outro com o mesmo problema. Mas já há setores sociais dispostos a festejar um governo Temer como se fosse o de um “estadista”, de um homem “conciliador”, experiente e apto a conduzir o país com competência administrativa. Essa versão dos fatos já está em capas de revistas semanais e poderá ser encontrada, após a possível posse, também em telejornais. Ignorar o processo que está no TSE (que impediria um governo suspeito de ser substituído por outro suspeito), será uma omissão grave da política brasileira, mostrando que por trás das denúncias de corrupção podem haver outros interesses – não declarados – que impliquem na tomada de poder, sem resolver o motivo alegado; com o que, a população estaria apenas sendo usada e ludibriada.

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e ex-presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade.

 

in EcoDebate, 06/04/2016

[cite]

 

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5 comentários em “Temer o Temer? artigo de Montserrat Martins

  1. A única solução verdadeira é a realização de novas eleições. Mas o processo no TSE esbarra na inacreditável lentidão dos ritos da nossa Justiça, que precisam ser seguidos para a legalidade do resultado. Mas os pedidos de impeachment contra o Temer, que cometeu os mesmos atos da Dilma, estão começando a deixar claro que derrubar a Dilma sozinha não vai resolver nada e estão escancarando o oportunismo do PMDB e sua galera, que não estão preocupados com “responsabilidade fiscal” e sim com uma fatia ainda maior das “boquinhas” e “boconas”.

  2. Parabéns pelo artigo…sou do RS e posso confirmar tudo que manifestas…

    Abs…

    RNaime

  3. As instituições e o arcabouço jurídico que temos para se sair das crises no presidencialismo estão funcionando. Não vejo como a população estar sendo “ludibriada”.

    Temos uma crise de desgoverno e de corrupção a nível federal como nunca se viu na história do país e que acabou por contaminar grande parte da sociedade brasileira. A presidenta em exercício compactua e tem o seu sustentáculo político nos setores etnocida, ecocida e economicida do Congresso Nacional.

    As instituições estão funcionando e se o TSE também funcionar, inquebrantável e altaneiro, sem ceder a pressões daqueles setores acima citados e, obviamente, se houver motivo fundamentado para cassação da chapa, teremos novas eleições, cujo resultado não se sabe ainda qual será.

    Quanto a Temer, ele é o vice-presidente que deverá assumir em caso de impedimento. Sem preconceito, pode-se olhar com atenção o seu passado político e ver se é possível vislumbrar alguma esperança de que ele possa, pelo menos, levar a nave do país para um lugar seguro, até as eleições de 2.018.

    Uma coisa é certa: se nada acontecer, nem impeachment, nem cassação, a nave vai implodir.

  4. Algumas palavras de alento.

    1. Se toda a pressão que é feita para a retirada da Presidente Dilma do governo cessar, e ela cumprir integralmente seu mandato, e, em 2018, houver eleição presidencial, nem assim o Brasil encontrará a estabilidade socioeconômica e ambiental, nem no período anterior à posse do novo Presidente eleito, nem no posterior;

    2. Se a Presidente Dilma for afastada do cargo por qualquer meio – renúncia, impedimento, golpe civel-militar, etc. – então, se abrem várias possibilidades, entre as quais se encontram as duas com maior probabilidade: a) o vice-Presidente Michel Temer assume o cargo; b) as forças armadas assumem o cargo.

    Em nenhuma das inúmeras possibilidades que essa hipótese traz, o Brasil encontrará a estabilidade socioeconômica e ambiental, nem antes nem após o suposto afastamento da Presidente.

    Justificativa:

    O Brasil está sofrendo um ataque dos poderes econômico-político internos e externos, como acontece em outros países da Améerica do Sul, e não tem como fugir desses ataques.

    Comparando com as décadas 1960 e 1970, quando ocorreu processo selhante ao atual, mas que, após serem feitos os reparos tidos como necessários, foi dada nova possibilidade a esses países do sul de se manterem “autônomos” e ajoelhados diante dos grandes impérios. Mas, ao que parece, esses países não compreenderam bem a mensagem, e, portanto, agora, o ataque será em caráter definitivo, pois as grandes potências econômicas, internas e externas, se sentem ameaçadas, e nova oportunidade de recomposição não será dada.

    Atualmente, a escassez de recursos naturais em todo o planeta exige medidas drásticas e irrevogáveis das potências econômicas.

    Essa é a minha modesta avaliação da situação atual. Desculpem-me quem tiver uma visualização diferenciada.

Comentários encerrados.

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