Bandeira branca, amor… artigo de Montserrat Martins

 

Ritmo de Besame Mucho arrasta foliões em Santa Teresa no Rio. Foto de Isabela Vieira/Agência Brasil

 

[EcoDebate] Com desemprego e inflação pulando juntos, esse vai ser o Carnaval mais contido dos últimos anos. Com menos dinheiro para gastar com viagens e hospedagens, as pessoas procuram soluções mais “caseiras” para passar os dias de folia, trocando “onde eu queria estar” por “onde eu posso ir”.

O paradoxo é porque o Carnaval, em si, é uma festividade de caráter eufórico, onde as pessoas que participam pulam muito, bebem muito, ficam muito, gastam muito. Ter de conter gastos, ter de se adaptar à crise financeira, é uma água no chope carnavalesco.

Sendo uma vez por ano, é claro que quem gosta vai de qualquer jeito, tem quem economize o ano todo para esse momento. Quem não gosta aproveita para descansar e fazer outros programas, sem esquecer, é claro, que nem todos tem feriadão e muitas pessoas trabalham essa época, algumas no comércio, sujeito a ter menos ganhos esse ano.

Vai ser ainda mais fantasioso viver a folia, comparado com o que as pessoas estão passando na vida real. Com o desemprego que já atingiu milhões de pessoas e ameaça outros tantos milhões, tem clima para euforia? É preciso fazer uso daquela “licença poética” e esquecer o mundo lá fora por um tempo, para mergulhar na euforia nesses dias.

Imortal criador da “Escolinha do Professor Raimundo”, o humorista Chico Anysio tinha também seus traços depressivos, como se viu numa resposta dele sobre o carnaval: “É como aquela música ‘quanto riso, ó quanta alegria, mais de mil palhaços no salão… o chato é você ser um deles‘…”.

Hoje prevalece o funk sobre as marchinhas clássicas, que os jovens pouco conhecem. Elas eram mais inocentes, de ironia mais sutil. A que mais combina com este ano é aquela do “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí…”.

Mas como tudo tem um lado bom – menos o Pink Floyd que tem os dois lados bons, como diz o Humberto Gessinger – esse ano pode ser um bom exercício para aprender a se divertir gastando menos. Afinal as maiores alegrias não se pode comprar, como estar com as pessoas que se gosta, as boas amizades, as brincadeiras em família ou em turma. Bebidas ou lugares podem ter seu charme, mas em última instância a felicidade depende das boas companhias, do bom humor. E se lhe pedirem o que você não pode gastar, cante “bandeira branca, amor, não posso mais…”.

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade.

 

in EcoDebate, 08/02/2016

Bandeira branca, amor… artigo de Montserrat Martins, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 8/02/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/02/08/bandeira-branca-amor-artigo-de-montserrat-martins/.

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Inclusão na lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Caso queira ser incluído(a) na lista de distribuição de nosso boletim diário, basta enviar um email para newsletter_ecodebate+subscribe@googlegroups.com . O seu e-mail será incluído e você receberá uma mensagem solicitando que confirme a inscrição.

O EcoDebate não pratica SPAM e a exigência de confirmação do e-mail de origem visa evitar que seu e-mail seja incluído indevidamente por terceiros.

Remoção da lista de distribuição do Boletim Diário da revista eletrônica EcoDebate

Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para newsletter_ecodebate+unsubscribe@googlegroups.com ou ecodebate@ecodebate.com.br. O seu e-mail será removido e você receberá uma mensagem confirmando a remoção. Observe que a remoção é automática mas não é instantânea.

2 comentários em “Bandeira branca, amor… artigo de Montserrat Martins

  1. Também “combina com este ano”; “esse ano não vai ser igual aquele que passou…”

Comentários encerrados.

Top