Água é melhor em área protegida do que em comunidade rural no litoral do PR

 

Esse foi o resultado da análise feita por alunos da rede pública no rio Morato, que nasce na Reserva Natural Salto Morato e corta a Vila Morato, em Guaraqueçaba/PR

 

Reserva Natural Salto Morato (PR). Foto Adrian Moss / Fundação Grupo Boticário

 

O rio Morato, que nasce na Reserva Natural Salto Morato e corta a comunidade do Morato, em Guaraqueçaba, no litoral do Paraná, ‘esconde’ dois tipos de água em sua extensão de 12 quilômetros. Na parte próxima à nascente, dentro da Reserva, área natural protegida inserida na Mata Atlântica, a água é transparente, limpa e de boa qualidade para as espécies que dela sobrevivem ou que nela habitam. Na parte em que o rio corta a comunidade, onde vive cerca de 200 pessoas, a água apresenta elementos que indicam menor qualidade, segundo os critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Isso se deve aos diferentes usos da terra e hábitos da população que, fora dos limites da reserva, acabam por influenciar na qualidade de água.

Esse foi o resultado do trabalho realizado por alunos de escolas de ensino público de Guaraqueçaba, que analisaram a água do rio Morato em dois pontos distintos: em uma área dentro da reserva e em uma área fora da reserva, próxima à na comunidade de Morato. Os alunos fazem parte do programa Guardiões da Natureza, ação realizada pelo Batalhão da Força Verde da Polícia Militar Ambiental do Paraná cujo objetivo é formar e educar alunos sobre conservação da natureza.

O trabalho consistiu em avaliar a qualidade da água, observando a quantidade de elementos químicos como nitrito, comparando os resultados com os parâmetros estabelecidos pelo do Conama. Para isso, os alunos participantes usaram kits, doados pela Fundação Grupo Boticário, administradora da Reserva Natural Salto Morato, com reagentes e réguas que permitiram uma análise simples, mas de eficácia comprovada. A atividade foi conduzida pela bióloga Maiara Elias, integrante do programa de voluntários da reserva, o qual possibilita a profissionais vivenciarem o dia a dia de unidade de conservação, desenvolvendo uma série de ações, entre elas atividades de educação ambiental.

Na coleta realizada dentro da reserva, a água apresentou índices de nitrito abaixo de 7,5 mg/l, valores dentro do permitido. Já a coleta que foi feita fora da reserva apresentou índices de nitrito com variações entre 7,5 mg/l a 15 mg/l, fora dos parâmetros estabelecidos pelo Conama. O teste do nitrito é um parâmetro simples, mas de fundamental importância na verificação da qualidade da água para consumo, pois sua presença é um indicativo de contaminação recente, procedente de material orgânico vegetal ou animal.

“A atividade mostra de forma clara o papel que as áreas protegidas exercem para garantir água de boa qualidade”, afirmou Marion Bartolamei Silva, coordenadora de Áreas Protegidas da Fundação Grupo Boticário. Segundo Marion, os resultados desse trabalho serão apresentados à população da comunidade próxima à Reserva NaturalSalto Morato para conscientizar sobre os efeitos nocivos que o despejo de esgoto, lixo e outros dejetos causam à água. “Queremos envolver os moradores para que eles preservem esse recurso natural indispensável à vida, mas que corre o risco de ficar escasso”, disse.

Colaboração de Maria Luiza Campos, NQM, in EcoDebate, 11/01/2016

 

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3 comentários em “Água é melhor em área protegida do que em comunidade rural no litoral do PR

  1. Meus parabéns aos alunos de Guaraqueçaba. É preciso que iniciativas dessa natureza chamem a atenção para o estado calamitoso em que se encontram nossos rios.
    7,5 mg/L de nitrito é uma concentração muito elevada. Para se ter ideia disso, basta consultar a Resolução 357 do Conama, onde se lê que um rio, para ser considerado de classe 3, não pode ter concentração de nitrito superior a 1,0 mg/L.

  2. Belo trabalho de conscientização para as crianças. E muito bacana o Ecodebate publicar isso, imagino a alegria dos pequenos em ver que seu trabalho escolar virou matéria de jornal.

  3. Somente uma observação em relação ao penúltimo parágrafo onde se lê sobre a contaminação por nitrito: “(…) pois sua presença é um indicativo de contaminação recente, procedente de material orgânico vegetal ou animal”. Deve ser acrescentado aí contaminação por adubos solúveis, principalmente uréia, muito comum em áreas agrícolas. Não conheço a comunidade acima referida, mas o uso de adubos solúveis é tão corriqueiro que suponho não ser diferente neste local.

Comentários encerrados.

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