Incêndios das serras de Jacobina são debelados

 

Incêndios das serras de Jacobina são debelados

 

[Por Gervásio Lima, para o EcoDebate] – Milhares de litros de água, dois aviões, um helicóptero, viaturas, carros pipa, mais de uma centena de vôos, dezenas de pessoas envolvidas diretamente, vinte e um dias de ação ininterrupta e, o pior, uma grande área natural devastada, esses são alguns números da operação de combate e as consequências dos incêndios na região de Jacobina.

As queimadas nas serras de Jacobina iniciaram no dia 18 de novembro, depois que uma moradora do bairro da Bananeira colocou fogo em um lixo em seu quintal e as chamas se alastraram, devastando a vegetação nativa da serra que leva o mesmo nome do bairro e parte da Serra do Leader, onde fica o Parque Municipal da Macaqueira. Neste segundo momento de queimadas, as regiões mais atingidas foram as das serras da Jaboticaba, Piancó, Itaitu e do Parque das Sete Passagens.

Na tarde de terça-feira (29), o major Tarcísio, do Grupamento do Corpo de Bombeiros de Juazeiro, que coordenou os trabalhos, anunciou o fim da operação. Os últimos focos de fogo, chamados fogo de turfas, aqueles que queimam por debaixo da terra, que existiam na serra da localidade de Jaboticaba foram extirpados.

Segundo o major o trabalho de voluntários e brigadistas foram essenciais para evitar uma tragédia maior. “Quando chegamos para ajudar no combate aos incêndios encontramos equipes de brigadistas e voluntários trabalhando intensamente nas áreas mais atingidas. Esse trabalho contribuiu bastante para o sucesso da operação. Sem essas ajudas o desastre ambiental seria maior”, destacou o militar.

Os aviões Air Tractor e o helicóptero tiveram o papel lançar água sobre os focos de incêndios. As aeronaves (que tiveram um custo de 6 mil reais/hora), contratadas pelo Governo do Estado e pela mineradora Yamana Gold, que explora ouro em uma das áreas atingidas pelo incêndios, foram os principais equipamentos utilizados na operação. Os Air Tractor´s, derramavam 1,3 mil litros de água em cada voo (uma média de 20 por dia) e o helicóptero transportava as equipes de brigadistas até os locais afetados e com um bambi bucket, uma espécie de bolsa acoplada, com capacidade para 650 litros de água, ajudou também no combate as chamas.

Conforme dados fornecidos pela empresa Mendonça Pipas, responsável em abastecer as aeronaves, entre os dias 24 e 28 de dezembro foram utilizados mais de 125 mil litros de água. Já o transporte da água até o Aeroporto de Jacobina foi realizado em carros pipas da Prefeitura da cidade.

As perdas ambientais de fauna e flora são lastimáveis. Os incêndios que consumiram a vegetação nativa de parte das áreas de proteção ambiental da região estão sendo considerados como o maior desastre que já se teve conhecimento. As iminentes queimadas em Jacobina são fruto não somente da ignorância humanas, mas, principalmente, da falta de uma política voltada exclusivamente para a proteção ambiental da cidade, com ações preventivas, a partir de campanhas educativas e fiscalizadoras, além da implantação de um grupamento florestal permanente.

Decisão Judicial – A Justiça determinou no dia 20 de dezembro, à empresa Jacobina Mineração e Comércio (JMC) e ao Governo do Estado da Bahia, uma série de providências com o objetivo de reforçar as ações para debelar os focos de incêndios que afetaram a região dos municípios de Jacobina, Miguel Calmon, Mirangaba e Caém. A decisão foi proferida em atenção à ação cautelar ajuizada pelo Ministério Público estadual, por meio do promotor Pablo Almeida. O juiz plantonista Luís Henrique Araújo, determinou que a JMC e o Estado disponibilizassem, cada um, equipes e equipamentos como helicóptero e aeronaves com capacidade de realizar lançamentos de água sobre os focos de incêndio,

O descumprimento geraria multa diária de, respectivamente, 500 mil e 100 mil reais. Segundo a decisão, a apuração do MP mostrou que, no último dia 7, um foco de incêndio deflagrado no interior de propriedade da JMC não foi devidamente controlado pela empresa e acabou se propagando, atingindo o Parque Estadual das Sete Passagens, uma unidade de conservação ambiental integral, além de ter se aproximado de um paiol de explosivos e da área de armazenamento de combustíveis da própria mineradora. Por ter atingido uma unidade de conservação e pelo foco ter sido no interior da empresa, cujo empreendimento foi licenciado por órgão estadual ambiental, o magistrado considerou que “tanto a empresa Jacobina Mineração e Comércio, como o Estado da Bahia são responsáveis no combate ao intenso incêndio que assola a região”.

Por Gervásio Lima, jornalista e historiador, in EcoDebate, 31/12/2015

 

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