Câmara recebe 1.4 milhão de assinaturas propondo o Desmatamento Zero no país

 

Caixas com as assinaturas obtidas pelo projeto de lei chegam à Câmara. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

Uma grande manifestação em defesa do meio ambiente marcou, nesta terça-feira (7), a entrega aos parlamentares ligados à causa socioambiental do projeto de lei de iniciativa popular, que contou com 1.4 milhão de assinaturas, propondo o Desmatamento Zero no Brasil. O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), que foi o primeiro a receber as assinaturas, afirmou que somente uma grande mobilização popular como esta coordenada pelo Greenpeace poderá deter os ataques à legislação, como ocorreu com as mudanças no Código Florestal que permitiram desmatar em áreas de proteção ambiental e de preservação permanente.

“Setores atrasados do agronegócio são hoje maioria na Câmara, mas não representam o sentimento da sociedade, como ficou claro hoje. Criando uma massa crítica, com mobilizações como esta, poderemos aprovar proposições que garantam o respeito aos direitos difusos da sociedade”, afirmou Sarney Filho.

Participaram da cerimônia, realizada no salão verde da Câmara e depois estendida à Comissão de Legislação Participativa, onde as assinaturas foram entregues em várias caixas, crianças, dirigentes de ONGs, representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e artistas, como Maria Paula, Caio Blat, Jorge Pontual, Paulo Vilhena e Valesca Popozuda. As assinaturas foram coletadas pelo Greenpeace durante três anos.

O dirigente do Greenpeace, Paulo Adário, comemorou o resultado da campanha. “Esta será a Lei Áurea do Desmatamento, porque, a partir dela, não será mais possível derrubar uma árvore nativa no país. Ao aprová-la estaremos lutando a favor das florestas e protegendo a água, que está desaparecendo devido aos desmatamentos”, afirmou.

Para marcar o momento, ativistas do Greenpeace realizaram uma intervenção artística no Salão Verde do Congresso, com a montagem de um mural de 2,16 metros de altura por 6,71 metros de comprimento, formada por mais de seis mil fotos enviadas pelas pessoas que colaboraram com a campanha com a mensagem “Desmatamento Zero já!”.

Crianças

Na Comissão de Legislação Participativa, a sessão foi presidida por uma criança que recebeu oficialmente as assinaturas. Artistas presentes se manifestaram contra os desmatamentos. “Chega de bla-blá-bla-“, afirmou Valérica Popozuda. “Não queremos mais nenhuma árvore derrubada no país”, reforçou Maria Paula, ex-Casseta e Planeta.

O representante da CNBB, dom Guilherme Werlang, falou sobre o compromisso do Papa Francisco com o meio ambiente em sua encíclica recente, “Laudato Si”, e do compromisso da Igreja de estar junto de todos que lutam contra a corrupção, eleições limpas e em defesa do meio ambiente e populações tradicionais.

“Espero que o projeto possa mobilizar e sensibilizar o Congresso Nacional. É um momento importante para que possamos continuar pressionando, não apenas por pequenas mudanças e costuras de apêndices, mas por uma mudança profunda”, afirmou Dom Guilherme.

A líder indígena Sônia Guajajara defendeu que o êxito da campanha do Desmatamento Zero mostra que “os parlamentares devem legislar sobre questões de interesse da sociedade e não sobre os seus próprios interesses”.

Informe da Liderança do PV, in EcoDebate, 09/10/2015


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3 comentários em “Câmara recebe 1.4 milhão de assinaturas propondo o Desmatamento Zero no país

  1. Por melhor intenção que este gesto represente, o desmatamento é uma utopia que todos gostaríamos de ter e sonhar. É um projeto e uma fala desconectada da realidade de um Brasil que todos conhecemos.
    É uma utopia que merece os aplausos dos sonhadores, mas jamais chegaremos ao desmatamento zero.
    Vale a pena lembrar Disraeli:
    “Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando eles são corruptos, as leis são inúteis”.
    Gostaria que fosse diferente, mas vivo no Brasil.

  2. Parece que ninguém entendeu nada. Tentarei explicar:
    1) o desmatamento faz parte de um processo de destruição do meio ambiente promovido pelo regime capitalista, o qual se utiliza, com o apoio das religiões, do incentivo ao crescimento da população de seres humanos;
    2) se, de fato, existe a intenção de proteger o meio ambiente, deve-se atuar no início do processo, ou seja, erradicando o capitalismo e, em decorrência, virá uma série de outras medidas corretivas e reparativas, como redução da população humana e muitas outras.

    Falar de desmatamento zero sem pensar nas medidas prévias que devem ser adotadas para sse atingir esse objetivo é coisa de quem não sabe o que está falando ou, então, de quem sabe o que diz e fica fazendo o jogo do faz de conta.
    Enquanto a população humana estiver crescendo ou se mantiver com a dimensão atual, a devasstação ambiental e as grandes e devastadoras alterações climáticas serão inevitáveis.
    E o pior é que há, por aí, um tal de Francisco que anda falando o monte de besteiras que não levam a nada, pretendo, apenas, promover a igreja que comanda.

  3. Muito boa essa movimentação. No entanto, é preciso estar atento às manobras desses deputados, que depois de aprovarem o absurdo código florestal, agora querem atacar o SNUC para favorecer os negócios de mineração no país, destruindo parques, reservas e outras unidades de conservação.

Comentários encerrados.

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