A reciclagem no Brasil em 2014, artigo de Antonio Silvio Hendges

reciclagem

[EcoDebate] Reciclagem são os processos de transformação dos resíduos sólidos, alterando as suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas para a sua utilização como insumos e matérias primas em novos produtos. A reciclagem é uma das prioridades estabelecidas pela Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos. O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 publicado pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – Abrelpe traz as informações sobre a reciclagem no país dos produtos previstos para logística reversa e a responsabilidade compartilhada e na coleta seletiva de alumínio, papéis e plásticos. O documento da Abrelpe afirma que as associações que representam os setores da reciclagem não atualizam periodicamente as informações. Como exemplo, os dados públicos sobre o vidro mais atualizados são de 2008.

Entre os produtos previstos na logística reversa e em acordos setoriais já estabelecidos, a pesquisa da Abrelpe avalia os resíduos e embalagens de agrotóxicos, embalagens de óleos lubrificantes e pneus inservíveis, que possuem sistemas compartilhados e gerenciados por entidades específicas mantidas pelos setores industriais, distribuidores e organizações representativas dos respectivos setores.

Embalagens de agrotóxicos – O Sistema Campo Limpo é coordenado pelo Inpev – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, formado em 2001 para realizar a gestão das embalagens destes produtos de acordo com a legislação brasileira específica deste setor – Lei 9.974/2000 e Decreto 4.074/2002. Este sistema tem como conceito a responsabilidade compartilhada entre as indústrias, distribuidores, agricultores e poderes públicos, coordenando as ações para a destinação ambientalmente adequada e promove atividades e programas de conscientização e educação dos usuários.

O Brasil é atualmente o maior mercado mundial dos defensivos agrícolas, mas também é o país que mais destina adequadamente estas embalagens com 94% das primárias (que entram em contato direto com os produtos) e 80% do total com destino ambiental correto.

Ordem

País

Porcentagem

Brasil

94%

Alemanha

76%

Canadá

73%

França

66%

Japão

50%

EUA

33%

Tabela 1 – Destinação adequada das embalagens primárias de agrotóxicos.

Fonte – Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 – Abrelpe.

Em 2014, foram recolhidas e destinadas adequadamente 42.645 toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos no Brasil, com crescimento de 6% em relação ao ano anterior de 2013 com 40. 404 toneladas. Neste sentido, a logística reversa destas embalagens tem demonstrado bons resultados, estando razoavelmente consolidada em sua cadeia de responsabilidades, incluindo-se a colaboração dos produtores rurais.

Ano

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

Quantidade

(toneladas)

17.881

19.634

21.129

24.415

28.771

31.266

34.202

37.379

40.404

42.646

Tabela 2 – Destinação adequada das embalagens de agrotóxicos

Fonte – Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 – Abrelpe.

Embalagens de óleos lubrificantes – O Programa Jogue Limpo foi criado em 2005 por fabricantes de óleos lubrificantes do Rio Grande do Sul associados ao Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes – Sindicom e posteriormente transformado no Instituto Jogue Limpo, que coordena a responsabilidade compartilhada e a logística reversa destas embalagens. Em 2012, este foi o primeiro Acordo Setorial assinado com o Ministério do Meio Ambiente para garantir os Termos de Compromisso assumidos com catorze Estados – RS, SC, PR, SP, RJ, MG, ES, BA, SE, AL, PE, PB, RN, CE – e o Distrito Federal. São 42.000 pontos geradores cadastrados em 2.950 municípios onde estes resíduos são efetivamente recolhidos e destinados corretamente.

Em 2014 foram coletadas 80 milhões de embalagens de óleos lubrificantes que equivalem a quatro mil toneladas de materiais plásticos recicláveis. Não foram divulgados os dados dos anos de 2012 e 2013, mas a pesquisa informa que desde 2008 foram destinadas corretamente 330 milhões de embalagens destes produtos.

Ano

2008

2009

2010

2011

2014

Quantidade (em milhões de unidades).

12

14

23

40

80

Tabela 3 – Destinação adequada das embalagens de óleos lubrificantes.

Fonte – Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 – Abrelpe.

Pneus inservíveis – Em 1999, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos – ANIP iniciou o Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis e em 2007 foi instituída a Reciclanip, entidade que coordena e gerencia a logística reversa dos pneus inservíveis no Brasil. O sistema está implantado em todas as regiões do país e foi impulsionado pela Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA nº 416/2009 que estabelece a obrigatoriedade de pontos de coleta nos municípios com mais de cem mil habitantes.

Desde o início do programa em 1999, foram reciclados 536 milhões de unidades que equivalem a 2,68 milhões de toneladas. Os postos de coleta que em 2004 eram 85, em 2013 estavam implantados em 824 locais adequados ao descarte dos pneus inservíveis. Os últimos dados do ano de 2013 indicam o recolhimento e destinação adequada de 404 mil toneladas.

Ano

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

Quantidade

(t x mil)

145

136

123

136

160

250

312

320

338

404

Tabela 4 – Destinação adequada dos pneus inservíveis.

Fonte – Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 – Abrelpe.

Quanto à coleta seletiva, o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 considera o alumínio, papeis e plásticos que são os segmentos principais nesta atividade, com informações fornecidas por associações representativas destes setores da reciclagem.

Alumínio – Os dados mais recentes indicam que em 2012 o Brasil produziu 1.436 mil toneladas de alumínio, considerando-se a produção primária, a reciclagem e as importações e desconsiderando-se as exportações. O consumo per capita no ano anterior de 2011 foi de 7,4 kg/habitante.

Em 2012, foram recicladas 508 mil toneladas correspondentes a 35,2% do consumo doméstico registrado neste ano, sendo a média mundial de 30,4% o que referencia o país quanto à eficiência na reciclagem deste material. As latas de envase de bebidas são o destaque com 97,9% recicladas, correspondente a 260 mil toneladas retornando à indústria. Neste segmento o Brasil é líder mundial e referência importante quanto à coleta seletiva e logística reversa destas embalagens.

País/ano

2007

2008

2009

2010

2011

2012

Brasil

96,5%

91,5%

98,2%

97,6%

98,3%

97,9%

Japão

92,7%

87,3%

93,4%

92,6%

92,5%

n/d

Argentina

90,5%

90,8%

92,0%

91,1%

n/d

n/d

Estados Unidos

53,8%

54,2%

57,4%

58,1%

65,1%

67,0%

Média da União Europeia

62,0%

63,1%

64,3%

66,7%

n/d

n/d

Tabela 5 – Reciclagem das latas de alumínio no Brasil e em países selecionados.

Fonte – Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 -0 Abrelpe.

Papel – Em 2013 o Brasil produziu 10,4 milhões de toneladas deste produto. O cálculo da reciclagem é realizado pela divisão da taxa de recuperação de papéis com potencial de reciclagem pela quantidade de papéis recicláveis consumidos no mesmo período. O último dado disponível é de 2013 e indica reciclagem de 45,7%.

Na reciclagem de papéis o Brasil está aquém dos principais destaques mundiais: Correia do sul – 91,6%; Alemanha – 84,8%; Japão – 79,3%; Reino Unido – 78,7%; Espanha – 73,8%; Estados Unidos – 63,6%; Itália – 62,8%; Indonésia – 53,4%; Finlândia – 48,9%; México – 48,8% e Argentina – 45,8%. Mas está na frente da China – 40,0%; Rússia – 36,4% e Índia – 25,9%.

Ano

1990

1995

2000

2005

2010

2012

Porcentagem

36,5%

34,6%

38,3%

46,9%

43,5%

45,7%

Tabela 6 – Taxa de reciclagem de papéis no Brasil.

Fonte – Panorama dos Resíduos Sólidos em 2014 – Abrelpe.

Plásticos – Os dados da reciclagem de plásticos consideram os fornecidos pela indústria de reciclagem mecânica que transforma os descartes pós consumo em granulados para uso na produção industrial de novos artefatos. Em 2012, no Brasil existiam 762 empresas nesta atividade. O consumo de transformados plásticos no Brasil em 2014 foi de 7,24 milhões de toneladas com um decréscimo de 2,6% em relação ao ano anterior de 2013, considerando-se o total produzido nacionalmente e o importado, desconsiderando-se as exportações.

O índice de reciclagem mecânica – IRmP (resíduo reciclado + resíduo exportado para reciclagem)/Resíduos plásticos gerados – em 2012 no Brasil foi de 20,9%.Como comparação, a média da União Europeia foi 25,4%. O plástico mais reciclado no país é o polietileno tereftalato – PET que em 2012 retornou 58,9% para a indústria de novos artefatos, principalmente embalagens.

Ano

1994

1996

1998

2000

2002

2004

2006

2008

2010

2012

IRmP PET

18,8%

21%

17,9%

26,3%

35%

47%

51,3%

54,8%

55,8%

58,9%

Tabela 7 – Índice de Reciclagem Mecânica – IRmP dos resíduos pós consumo de polietileno tereftalato – PET no Brasil.

Fonte – Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil em 2014 – Abrelpe.

Antonio Silvio Hendges, Articulista no EcoDebate, professor de Biologia, pós graduação em Auditorias Ambientais, assessoria em Educação Ambiental e Sustentabilidade – www.cenatecbrasil.blogspot.com.br

 

in EcoDebate, 04/09/2015

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3 comentários em “A reciclagem no Brasil em 2014, artigo de Antonio Silvio Hendges

  1. A Lei nº 12.305/2010, que instituu a a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), não passou de uma ficção atgé os dias atuais não entrou vigor e não tampouco foi revogada o seu prazo de tem sido prorrogado constantemen te. Estava fixado para para 31/12/2015, porém já se fala em nova prazo 2018. Isto é o relexo que uma lei mal feita. Senão vejamos
    A lei como teve vício de origem em sua aprovação pelo Congresso Nacional, em uma manobra não tanto recomendável pelo relator o então senador Demóstenes Torres, que em combinação com outros senadores suprimiu do projeto original o dispositivo que só permitia incineração do lixo se não houvesse outra possibilidade – reaproveitamento, reciclagem, aterramento, e não devolveu à Câmara, como manda legislação, mandou direto para o presidente Lula, que o sancionou.
    Portanto, nos dias atuais tem uma lei que não entrou em vigor e no seu bojo muito mal definido a política para reciclagem como também o envolvimento dos catadores doas lixões espalhados pelos muicípios brasileiros.

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