Moral da tropa, artigo de Montserrat Martins

 

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[EcoDebate] Exigir sacrifícios da população é o que se faz em épocas de guerras, quando vidas estão em risco, o país está ameaçado, coisas que tornem sacrifícios pessoais compreensíveis. Os governantes que alegam não ter dinheiro para pagar aposentados (governo federal) ou até os servidores na ativa (governo gaúcho) teriam que ter moral, então, para convocar a todos para a “guerra” contra a escassez de recursos.

Perdoar a dívida de países africanos seria simpático se o mesmo Governo Federal não estivesse arrochando os Estados na cobrança da dívida destes, aliás, questionável judicialmente. Visitar o Obama seria bom se fosse para melhorar algo além da própria imagem da Presidenta, se fossem sinceros ao menos os propósitos assumidos perante Obama, de diminuir o desmatamento por exemplo.

Já o Governador do RS conseguiu “roubar a cena” das contradições da Presidenta, ao não honrar sequer os salários dos seus servidores. Nesse primeiro semestre de governo, no entanto, o Governador e sua comitiva já estiveram na Europa, de onde não trouxeram nenhum investimento para o Estado, a não ser lembranças e fotos do passeio. Já fez a proeza, também, de alugar um helicóptero particular para ir num aniversário de político no litoral, além de seguir contratando centenas de CCs. Ser “republicano” seria valorizar funcionários de carreira.

Falta “cortar na carne” das próprias equipes, comitivas, cargos, pois até agora os sacrifícios são apenas para os outros. Você espera que policiais, professores, servidores dos hospitais, se sintam “convocados” a economizar para o Estado, enquanto o Governador e sua equipe recebem em dia e seguem tendo as mesmas regalias de sempre? Enquanto isso, todo o comércio entra em recessão.

Para convocar para uma “guerra contra o déficit” o primeiro aspecto a ser cuidado é a “moral da tropa”. Análogo a pais capazes de se sacrificar pelo bem dos filhos, até mesmo dar a sua comida a eles, o que se espera dos comandantes é o exemplo do sacrifício. Só o exemplo vindo de cima é capaz de “unir a tropa”. Ao contrário, se os superiores não fazem tudo o que podem pela população, desmotivam as pessoas e esvaziam o discurso retórico de “unir a todos por uma causa comum”.

A Justiça já deu liminares para SP e RJ renegociarem a dívida com a União; a OAB-RS ajuizou no STF na Ação Originária 2059/2012, na qual o Estado ainda não ingressou como parte, para rever cláusulas e valor da dívida. O Governo pediu apenas ao STF que evite o congelamento de recursos do Estado. E mais, o Governo agora em agosto não está usando os depósitos judiciais, colocados ao seu dispor, para pagar mais que os 600 e poucos reais que oferece aos funcionários. Enfim, falta fazer todos os esforços, de verdade, para convencer que se importa mesmo com a população.

Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade.

 

in EcoDebate, 31/08/2015

Moral da tropa, artigo de Montserrat Martins, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/08/2015, https://www.ecodebate.com.br/2015/08/31/moral-da-tropa-artigo-de-montserrat-martins/.


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Um comentário em “Moral da tropa, artigo de Montserrat Martins

  1. Quanto aos compromissos assumidos sobre o clima com Obama… o editorial da Folha de São Paulo de sexta passada mostrou uma conta curiosa, que resumo aqui:

    –> Dilma prometeu que teríamos uma matriz energética total (não só eletricidade mas também outros usos, como transporte) com 20% de fontes renováveis, excluindo hidrelétricas, em 2030.

    –> Hoje temos 27% de fontes renováveis na nossa matriz energética (entre energia eólica, solar e de biomassa… uma quantidade razoável de energia renovável vem do uso de etanol nos veículos. Só na matriz de eletricidade, aí teríamos 13%).

    Quem for petista roxo pode dizer que a Dilma se confundiu, e prometeu aumentar a matriz de energia elétrica para 20%.

    Quem for realista pode achar que Dilma só fez mais uma promessa completamente inócua porque era fácil e parecia bonito.

    Quem for pessimista pode achar que Dilma disfarçadamente prometeu dar mais atenção aos combustíveis fósseis e desfazer a parte boa do caminho que já fizemos com o país.

    Confesso que quanto a este governo sou pessimista.

Comentários encerrados.

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