Yang-tsé, artigo de Roberto Naime

 

yang tsé

 

[EcoDebate] A China é uma nação multi-étnica, constituída pela união de 56 grupos étnicos, predominando a origem denominada Han, conforme o site Scientific American pesquisado em 22/08/14 (www.scientificamerican.com) e que foi utilizado para dirimir dúvidas. O rio Yang-tsé é o maior rio da Ásia, com aproximadamente 6.300 km de percurso, se constituindo na via navegável mais utilizada do mundo.

Boa parte desta condição foi obtida com a construção da Barragem de Três Gargantas, a maior que se conhece no planeta. Esta central hidroelétrica é muito importante para o desenvolvimento sócio-econômico do país. Toda grande barragem gera impactos ambientais que nem sempre se consegue atenuar ou mitigar adequadamente. Mas enfim não se conhece a realidade local em detalhe suficiente para realização de observações desta natureza. A intenção é apenas enumerar e ressaltar algumas condutas e atitudes realizadas para compatibilizar as intervenções antrópicas com o meio ambiente. Atualmente existem grandes e relevantes programas de apoio à manutenção do jacaré da China e do chamado esturjão de Yang-Tsé que se encontravam em perigo de extinção.

Existem ainda alguns grandes problemas com a acumulação de sedimentos do rio no barramento, fato que ocorre em todas as grandes barragens. Mas atualmente existem estudos e ações do governo da China para minimizar estes impactos. Com a implantação de várias reservas naturais. Boa parte destes sedimentos era importante pelas acumulações que causava na baía de Shangai. Atualmente existem programas protegendo estes locais, e grande proteção ambiental nesta foz, onde o rio solenemente deságua.

Durante a construção da hidrelétrica de Três Gargantas, uma das minorias étnicas do país, denominada Baha ou Bai – e já de antemão se pede compreensão com as dificuldades linguísticas decorrentes da interpretação de termos próprios do chinês ou do mandarim para a língua portuguesa, para que qualquer incorreção que possa ocorrer, seja entendida – era responsável por procedimentos que geraram os maiores cuidados antropológicos com a efeméride.

Durante toda construção, foram cuidadosamente removidas, com esmero artesanal, as construções com algum significado arqueológico registrado. E também os caixões funerários instalados nas paredes de contenção da bacia hidrográfica, que pertenciam ao povo já designado, e que eram implantados nestes locais. Não se sabe como estas civilizações realizavam tal façanha, mas a grande maioria dos restos mortais situados nestes locais foi removido para museus e outras áreas de preservação.

A plena navegabilidade do rio Yang-tsé, que é menor em extensão e possança apenas que os rios Amazonas e Nilo, foi garantida com a execução de uma das maiores eclusas que se conhece. Eclusas são obras de engenharia hidráulica, através das quais é possível transpor embarcações por canais onde exista diferença de altitude entre os níveis de água, através de sistemas de comportas. Eclusas, são a denominação de ambas as comportas consideradas, que operam como se fossem elevadores movidos por água, possibilitando às embarcações se elevarem ou sofrerem rebaixamento de nível hidrostático.

No Brasil existem poucas dezenas de eclusas, sendo uma das maiores e justificando seu registro, a eclusa de Tucuruí, que interliga diferenças de altitude de aproximadamente 35m. Não se tem conhecimento do total de eclusas instaladas no rio Yang-tsé, mas as informações indicam alterações do nível hidrostático do rio em aproximadamente 125m.

Possibilitar plena navegabilidade do rio Yang-tsé ou algo próximo a isto, é de um valor inestimável para a China, tanto quanto a produção de energia limpa através de fonte hídrica obtida com a hidrelétrica de Três Gargantas. Não se está negligenciando os enormes impactos ambientais que são gerados na construção de grandes barragens. Mas ao contrário, está se demonstrando e se está enaltecendo algumas das saudáveis atitudes tomadas durante a construção da barragem. Remoção de boa parte das edificações, com grande significado arqueológico, e remoção de esquifes de antigas civilizações, além de programas de preservação de espécies em extinção e de amplos estudos para procurar sanar o maior problema deste tipo de obra, que é o aprisionamento de material sólido do rio no barramento.

Existem inúmeros dados curiosos sobre a relevância deste curso de água citados no site da Scientif American (www.scientificamerican.com). O rio Yang-tsé representa aproximadamente 40% dos recursos hídricos disponíveis da China, e irriga aproximadamente 70% da produção orizícola total. Fornece água para populações de mais de 500 milhões de habitantes. Mas o único dado a mais que se deseja citar é que produz aproximadamente 170 milhões de metros cúbicos de sedimentos por ano, e este sedimento é detentor de grande capacidade física e orgânica, possuindo elevada quantidade de nutrientes.

Em um país com uma superpopulação a alimentar, este que é o maior projeto de irrigação abrangente do mundo, não pode ser negligenciado. Assim como aspectos de enchentes, geração elétrica e viabilização de transportes. Evidentemente, existem problemas com resíduos sólidos e lixiviação de adubos químicos além de outros já mencionados. Existem ainda deslizamentos de terra relacionados com a elevação do nível dos rios e outras alterações ecossistêmicas que podem gerar alterações ambientais. Em grandes barragens os problemas costumam começar e depois irem se tornando mais complexos.

Sem entrar no mérito político de qualquer questão, que não vem ao caso e se reconhece “a priori” que não existe qualquer analogia entre os sistemas de apropriação da realidade considerados, lembrando as hidrelétricas da região norte, por exemplo, não deixa de ser alvissareiro observar como ocorre a intervenção estatal na hora de preservar tudo que se faz necessário. É preciso outra abordagem na hora de executar ou mesmo de fiscalizar ações previstas em licenças ambientais em nossa realidade.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

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Publicado no Portal EcoDebate, 21/05/2015

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