Observatório ABC entrega documento aos presidenciáveis com propostas para a Agricultura de Baixo Carbono

 

agricultura mecanizada

 

O monitoramento da emissão de gases-estufa é um dos pontos chave para o sucesso do Plano ABC (agricultura de baixa emissão de carbono) e deverá constar no programa de governo do próximo presidente. Esta é uma das conclusões do documento coordenado pelo Observatório ABC que foi entregue aos principais candidatos à presidência da república, com propostas de aprimoramento ao Plano ABC.

O documento “O Brasil e uma agricultura de Baixa Emissão de Carbono: agenda para os Presidenciáveis” foi formulado por meio de consultas públicas com diversa participação da sociedade e apoio final de 13 instituições ligadas ao assunto.

As propostas surgiram a partir da análise dos resultados do Plano ABC, apresentados em estudos realizados pelo Observatório, e aponta a ausência de monitoramento e a falta de assistência técnica ao agricultor como as principais lacunas do Plano.

“Sem monitoramento, é impossível comprovar a redução das emissões de gases de efeito estufa e a eficácia das tecnologias financiadas pelo Programa”, afirma Célio Porto, consultor do Observatório ABC. O documento sugere a criação de um programa de inteligência climática na agricultura, para indicar áreas prioritárias para a implementação das ações de governo a partir dos riscos das mudanças no clima, e também, o desenvolvimento de pesquisas para aferir o impacto de cada subatividade financiada pelo Programa ABC, avaliar a relação custo/benefício de cada uma e eleger prioridades.

Outra questão importante é a inclusão de tecnologias mais adequadas ao bioma amazônico. “As tecnologias contempladas pelo Plano foram estabelecidas a partir do modelo produtivo das regiões Sul e Sudeste e não levam em consideração as particularidades de algumas regiões do País”, esclarece Porto.

Para o Observatório, o caminho para a disseminação da agricultura de baixo carbono é investir em uma mudança de cultura no campo, por meio da capacitação de operadores de crédito, técnicos e extensionistas rurais. O Governo também deve assegurar juros atrativos em relação a outros programas de governo, desburocratizar o acesso aos recursos, incluir no Programa ABC a cobertura dos custos da assistência técnica.

O documento ainda aponta que é preciso melhorar a articulação entre os diversos órgãos federais, a coordenação do Plano ABC com outras políticas públicas, e envolver o setor privado no fomento e na difusão do plano.  Outra sugestão é que se crie algum tipo de benefício para os agricultores que adotarem as tecnologias independentemente de financiamentos do Programa ABC, como forma de reconhecer e estimular sua contribuição para a redução de emissões de carbono. A regulamentação do pagamento por serviços ambientais pode ser uma alternativa.

Importância da disseminação da Agricultura de Baixo Carbono

Individualmente, a agropecuária é o setor que mais contribui para as emissões de gases-estufa do Brasil, que é responsável por 3% das emissões globais. Do total emitido por todos os setores da economia brasileira, a agropecuária representa 30%. O Plano ABC prevê a redução da emissão por meio da disseminação de seis tecnologias: recuperação de pastagens (a principal meta); integração lavoura-pecuária, lavoura-pecuária-floresta e sistemas agroflorestais; fixação biológica de nitrogênio; sistema de plantio direto; tratamento de dejetos animais e florestas plantadas.

A maioria delas já é adotada na agropecuária brasileira, mas de forma ainda muito incipiente, com baixa adesão nas regiões de fronteira agrícola do Centro-Oeste e no Norte-Nordeste.  O desafio do novo governo é acelerar a disseminação e adoção dessas ações e tecnologias, de forma a alcançar escala que resulte nas reduções de emissões almejadas.

O documento foi elaborado pelo Observatório ABC com apoio das seguintes instituições: ABAG, ABIEC, Agroicone, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Arefloresta, FAPE-DF, Imaflora, Imazon, ICV, IPAM, Famato, GTPS e Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal.

 

Colaboração de Kellen Leal, para EcoDebate, 11/09/2014


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