Em 2012, a produção primária florestal, silvicultura e extrativismo, do país somou R$ 18,4 bilhões

 

Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2012

 

A silvicultura contribuiu com 76,9% (R$ 14,2 bilhões) e a extração vegetal, com 23,1% (R$ 4,2 bilhões). A produção nacional de madeira em tora foi de 146.804.476 m³, dos quais 89,8 % vieram de florestas plantadas. Entre os principais produtos madeireiros do extrativismo vegetal, apenas a produção de madeira em tora cresceu (5,2%).

A tendência de queda na produção extrativista de carvão vegetal (-14,2%) e lenha (-8,7%) se manteve, devido à fiscalização e à crescente oferta de carvão e lenha provenientes de florestas plantadas: a produção de carvão vegetal da silvicultura (5.097.809 t) cresceu 23,5%, enquanto a de lenha com essa origem (56.761.788 m³) cresceu 9,7% em relação a 2011.

A seguir, as principais informações da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2012. A publicação completa desta pesquisa encontra-se em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/pevs/2012/default.shtm

O coco do açaí, o látex, a cera de carnaúba, a fibra de piaçava, a casca de angico, o coco de babaçu, o pequi, a castanha-do-pará e o urucum são exemplos de produtos extraídos nas florestas naturais do país. Eles são um complemento ou até mesmo a única fonte de renda das populações extrativistas. Para acompanhar o desempenho destas atividades, a pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) investiga 45 produtos (38 oriundos do extrativismo vegetal e sete da silvicultura), em todos os municípios brasileiros.

Silvicultura mantém a predominância sobre o extrativismo

Em 2012, A produção primária florestal somou R$ 18,4 bilhões. A silvicultura contribuiu com 76,9% (R$ 14,2 bilhões) e a extração vegetal, com 23,1% (R$ 4,2 bilhões). A predominância da silvicultura na produção florestal se mantém há mais de uma década, como mostra o gráfico 1.

A predominância da silvicultura na produção florestal se mantém há mais de uma década, como mostra o gráfico

A participação de produtos madeireiros no extrativismo vegetal totalizou R$ 3,3 bilhões (ou 77%) e o de não madeireiros, R$ 983,6 milhões (ou 23%). Na silvicultura, os quatro produtos madeireiros somaram R$ 14,1 bilhões (99%) e os três não madeireiros apenas R$ 133,1 milhões (apenas 1%).

Na produção nacional de madeira em tora (146.804.476 m³), apenas 10,2% vêm do extrativismo vegetal e 89,8 % são oriundos das florestas plantadas. Mais da metade (56,0%) dessa produção de madeira em tora da silvicultura se destina à produção de papel e celulose. Já na produção de carvão vegetal (6.257.504 toneladas) 81,5% vêm da silvicultura e 18,5% da extração vegetal. Finalmente, na produção nacional de lenha (91.075.425 m³), 37,7% vêm do extrativismo vegetal e 62,3% da silvicultura.

Seis produtos concentram mais de 90% do valor da produção extrativa não madeireira

Os produtos não madeireiros do extrativismo vegetal que se destacaram pelo valor da produção em 2012 são: coquilhos de açaí (R$ 336,2 milhões), erva-mate nativa (R$ 155,3 milhões), amêndoas de babaçu (R$ 127,6 milhões), fibras de piaçava (R$ 109,0 milhões), pó de carnaúba (R$ 95,1 milhões) e a castanha-do-pará (R$ 68,4 milhões). Juntos somaram 90,6% do valor total da produção extrativista vegetal não madeireira.

O extrativismo vegetal não madeireiro se concentra no Norte, com destaque para o açaí (93,7%) e castanha-do-pará (96,0%), e no nordeste, principalmente com as produções de amêndoas de babaçu (99,7%), fibras de piaçava (96,2%) e pó de carnaúba (100,0%). A região Sul concentra apenas dois produtos do extrativismo: erva-mate (99,9%) e pinhão (99,0%).

Em 2012, houve quedas na produção da maioria dos produtos da extração vegetal e somente dez deles tiveram alta. As maiores variações ocorreram na produção de sementes de oiticica, no pequi e em outros alimentícios.

Açaí (fruto) – Em 2012, o Pará, maior produtor nacional, produziu 110.937 t de açaí, com alta de 1,57% em relação a 2011. Mas a produção do Brasil (199.116 t) recuou em 7,6%. O maior recuo foi no Amazonas, segundo produtor nacional, por causa da cheia. O aumento do cultivo de açaí também concorreu para a queda da produção extrativista deste fruto. Dos 20 maiores municípios produtores de frutos de açaizeiros nativos do país, 12 são no Pará e 8 no Amazonas. O principal município produtor é Codajás (AM), seguido por Limoeiro do Ajuru, Oeiras do Pará, Ponta de Pedras, Muaná e São Sebastião da Boa Vista, todos no Pará.

Erva-mate – A produção de 2012 (252.700 t) cresceu 10,0% em relação ao ano anterior. O Paraná foi o principal estado produtor, com 193.636 toneladas, seguido por Santa Catarina (36.105 toneladas), Rio Grande do Sul (22.720 toneladas) e pelo Mato Grosso do Sul (239 toneladas). Dos 20 maiores municípios produtores, 18 são paranaenses e o líder é São Mateus do Sul que concentra 14,2% da produção nacional.

Babaçu (amêndoa) – A produção total de amêndoas de babaçu (97.820 toneladas) caiu 4,6% em relação a 2011. O Maranhão é o maior produtor e concentra 93,9% da produção nacional. Essa atividade vem decaindo nos últimos anos. Deixou-se de coletar babaçu para a produção de óleo e, em alguns municípios, o produto é utilizado em fornos de cerâmicas e indústrias. O principal município produtor é Vargem Grande (MA).

Fibras de piaçava – A produção nacional de fibras de piaçava em 2012 (57.762 t) caiu 5,9% no ano. A Bahia, principal produtor, concentra 96,2% da produção nacional e reúne 17 dos 20 maiores municípios produtores. Os municípios baianos de Ilhéus, Nilo Peçanha, Cairu e Ituberá respondem por 84,0% do total nacional.

Pó cerífero de carnaúba – Em 2012 a produção total de pó cerífero de carnaúba, foi de 17.844 toneladas, 4,2% menor que a obtida em 2011. A forte estiagem ocorrida no principal estado produtor e o alto custo da mão de obra foram os responsáveis por esta queda. O Piauí é o principal produtor (11.625 t), com Ceará (5.662 toneladas), Maranhão (513 toneladas) e Rio Grande do Norte (44 toneladas) a seguir. O maior município produtor foi Granja (CE), seguido por Campo Maior (PI). Entre os 20 municípios líderes, 12 são piauienses, sete são cearenses e um está no Maranhão.

Castanha-do-pará – Em 2012, a produção de castanha-do-pará foi de 38.805 toneladas. A baixa produtividade no Amazonas e os baixos preços em Rondônia foram os principais motivos da queda de 7,9% em relação a 2011. Os principais estados produtores foram Acre (14.088 t), Amazonas (10.478 t) e Pará (10.449 t). O município líder é Brasiléia (AC), com 4.169 t.

Sul e Sudeste concentram a produção não madeireira da silvicultura

Os três produtos não madeireiros da silvicultura estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste, sendo que a produção de casca de acácia-negra está toda no Rio Grande do Sul. A produção de folhas de eucalipto concentra-se no Sudeste (90,8%) e a produção de resina, nas regiões Sudeste (56,7%) e Sul com 33,0%. Entre os não madeireiros, somente a produção de resina teve alta (3,0%) em relação a 2011.

Cascas de acácia-negra – A produção de cascas de acácia-negra (103.006 t) recuou 2,4% em relação a 2011. O Rio Grande do Sul é o único estado produtor, sendo Gramado o principal município produtor seguido por Piratini, São Jerônimo, Brochier e Salvador do Sul, entre outros.

Folhas de eucalipto – A estiagem na região do principal município produtor, São João do Paraíso (MG), colaborou para a queda de 18,2% na produção de 2012 (46.474 t). São apenas 17 os municípios produtores: São João do Paraíso, Ninheira, e Berizal (MG), Torrinha, Santa Maria da Serra, Dois Córregos, Brotas, São Pedro, Bauru, Mineiros do Tietê, Bocaina e Jaú (SP), Três Lagoas, Água Clara, e Antônio João (MS) e Ivaté, e São Manoel do Paraná (PR).

Resina – Em 2012 foram produzidos 73.778 t de resina, 3,0% a mais que em 2011. O município líder é Paranapanema (8.574 t), em São Paulo, o estado com a maior produção (37.424 t).

Produção de carvão e lenha provenientes da extração vegetal continua em queda

Os produtos madeireiros do extrativismo vegetal com alta na produção foram a madeira em tora (5,2%) e o número de árvores abatidas do pinheiro brasileiro nativo (14,6%). Os demais produtos tiveram queda: carvão vegetal (-14,2%), lenha (-8,7%) e nó-de-pinho (-2,8%).

A demanda industrial, o preço, o clima, a disponibilidade de mão de obra na coleta de determinados produtos e a atuação de órgãos fiscalizadores – que liberam ou não áreas para agricultura, aplicam multas e fecham serrarias e carvoarias – explicam as oscilações da produção extrativista.

Carvão vegetal da extração vegetal – Em 2012 a produção nacional de carvão vegetal do extrativismo foi de 1.159.695 t, ou 14,2% a menos que em 2011. Maranhão (346.277 t) e Mato Grosso do Sul (259.616 t) concentraram 52,2% da produção. Grajaú (MA) (92.295 t) continua sendo o principal município produtor seguido por Aquidauana (MS) (35.000 t). Entre os 20 maiores produtores, seis municípios são maranhenses, cinco do Mato Grosso do Sul, cinco baianos, um piauiense, um paraense e um paranaense.

Lenha da extração vegetal – Foram extraídos das matas nativas 34.313 637 m³ de lenha em 2012, 8,7% a menos que em 2011. A Bahia (7.257.950 m³) foi o maior produtor, com Ceará (3.855.195 m³), Pará (3.150.592 m³), Maranhão (2.764.706 m³), Pernambuco (2.170.136 m³) e Mato Grosso (2.168.714 m³) a seguir. Juntos, os seis estados produziram 62,3% do total nacional. Xique-Xique (BA) foi o município líder. Entre os 20 principais municípios produtores, nove estão na Bahia, cinco no Pará, quatro em Pernambuco, um no Acre e um no Maranhão.

Madeira em tora da extração vegetal – Em 2012 a produção de madeira em tora oriunda do extrativismo vegetal cresceu 5,2% em relação a 2011. Foram produzidos 14.925.501 m³, principalmente no Pará (4.877.005 m³), Mato Grosso (4.050.383 m³) e Rondônia (2.386.044 m³) responsáveis por 75,8% do total. Portel (900.000 m³) no Pará, Porto Velho (876.934 m³) em Rondônia e Aripuanã (532.105 m³) no Mato Grosso, são os três municípios líderes.

Produção de carvão da silvicultura cresce 23,5% e a de lenha, 9,7%

Dos produtos madeireiros da silvicultura, apenas a madeira em tora para papel e celulose teve queda na produção (-2,6%). O Sudeste foi responsável por 87,3% da produção de carvão vegetal, 40,8% da madeira em tora para papel e celulose, 25,8% da lenha e de 34,6% da madeira em tora para outras finalidades produzidas no Brasil em 2012, já o Sul respondeu por 64,8% da lenha, 30% da madeira em tora para papel e celulose e 58,8% da madeira para outras finalidades.

Carvão vegetal da silvicultura – A produção de carvão vegetal da silvicultura, em 2012, foi de 5.097.809 toneladas, 23,5% superior à obtida em 2011. Minas Gerais foi o maior produtor (4.335.499 t) respondendo por 85,0% da produção nacional, seguido por Maranhão (312.296 t) e Bahia (155.856 t). O município de João Pinheiro (MG), com uma produção de 362.439 m³, é o maior produtor nacional. Minas Gerais concentra 18 dos 20 maiores municípios produtores (exceto dois municípios maranhenses, Bom Jardim e Açailândia).

Lenha da silvicultura – A substituição da lenha do extrativismo pela da silvicultura vem incentivando a produção desta última que, em 2012, cresceu 9,7% em relação a 2011, chegado a 56.761.788 m³. Rio Grande do Sul (14.510.329 m³), Paraná (13.923.812 m³), Santa Catarina (8.321.977 m³), São Paulo (7.060.277 m³) e Minas Gerais (6.898.329 m³) são os principais produtores, com 89,3% do total nacional. Salto do Itararé (PR) foi o município líder.

Madeira em tora para papel e celulose da silvicultura – A produção de madeira em tora para papel e celulose caiu 2,6% em 2012. Dos 73.837.128 m³ obtidos, São Paulo produziu 19.167.439 m³, com Bahia (14.691.841 m³), Paraná (9.861.953 m³), Santa Catarina (9.839.386 m³) a seguir. O município líder é Brasilândia (MS), seguido por Caravelas e Mucuri (BA).

Madeira em tora para outras finalidades da silvicultura – Em 2012 foram produzidas no Brasil 58.041.847 m³ de madeira em tora para outras finalidades, com alta de 16,2% em relação a 2011. O Paraná contribuído com 19.191.900 m³ (ou 33,1% do total), com São Paulo (11.900.773 m³), Santa Catarina (9.648.887 m³), Minas Gerais (7.768.014 m³) e Rio Grande do Sul (5.276.105 m³) a seguir. Itapetinimga (1.810.320 m³) e Botucatu (1.196.306 m³) em São Paulo; Porto Grande no Amapá (1.648.911 m³); Telêmaco Borba (1.531.989 m³), General Carneiro (1.360.000 m³) no Paraná e Estrela do Sul (1.400.00 m³) em Minas Gerais são os seis municípios maiores produtores.

Fonte: IBGE

EcoDebate, 09/12/2013


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