Troca de saberes sobre melhores práticas agroecológicas marca Oficina de Construção e Manutenção da Saúde do Solo

 

Aluno do Ifam aplica fertilizante orgânico durante roda de conversa que ensinou a produzir o biofertilizante – produto utilizado como adubo foliar, fertilizante do solo, defensivo natural e estimulador de germinação de sementes
Aluno do Ifam aplica fertilizante orgânico durante roda de conversa que ensinou a produzir o biofertilizante – produto utilizado como adubo foliar, fertilizante do solo, defensivo natural e estimulador de germinação de sementes

 

Aprender, ensinar, trocar e compartilhar foram verbos muito conjugados durante a II Oficina Museu Vivo de Construção e Manutenção da Saúde do Solo, realizada pela Embrapa Amazônia Ocidental e Instituto Federal do Amazonas (Ifam), em Manaus (AM). A atividade integrou a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Amazonas deste ano e reuniu cerca de 200 participantes, entre agricultores, pesquisadores, técnicos, professores, estudantes e outros interessados em conhecer melhor práticas agroecológicas utilizadas para construir e manter a fertilidade e saúde do solo.

O agricultor e estudante de Agroecologia, Antônio Carlos da Rocha Mendes, resumiu bem a relevância da Oficina e das práticas agroecológicas abordadas durante o evento. Conforme ele, existe a necessidade de criar espaços para debater formas mais sustentáveis de produção de alimentos. “A Agroecologia vem trazer os conhecimentos tecnológicos e tradicionais juntos, resgatando o que tínhamos no passado, valorizando a cobertura do solo, valorizando as sementes crioulas”, completou.

No primeiro dia, 28 de outubro, a Oficina aconteceu no Ifam, Campus Manaus Zona Leste. No local, os participantes compartilharam saberes e experiências científicas, tradicionais e populares em rodas de conversa que abordaram cinco temas: Vida do Solo, Agroflorestas e Adubação Verde, Cobertura do Solo e Matéria Orgânica, Compostagem e Biofertilizante.

A agricultora que faz parte da Associação de Produtores Orgânicos do Amazonas (Apoam), Maria das Graças Silva da Costa, ficou feliz em aprender a fazer o biofertilizante. “Gostei de todas as rodas de conversa, mas fiquei contente em aprender a fazer o biofertilizante. Sempre precisamos aprofundar os conhecimentos, e estes conhecimentos que tive aqui vão ser muito úteis para o nosso trabalho”, disse a produtora, que ainda completou: “estes aprendizados me mostram cada vez mais como é importante produzir alimentos que não prejudiquem a minha família e meus clientes”.

As práticas agroecológicas de construção da saúde do solo na Amazônia são baseadas na lógica de funcionamento da floresta amazônica, onde a cobertura florestal mais biodiversa do planeta se desenvolve sobre solos mineralogicamente pobres. Assim, a saúde do solo agrícola é trabalhada a partir de métodos que tenham como modelo os processos ecológicos que ocorrem naturalmente na floresta, como a ciclagem de nutrientes por meio das folhas e galhos que cobrem o seu chão, a biodiversidade, a rica e ativa biota do solo, a presença de plantas que fixam nitrogênio do ar e a presença de árvores. “Todos os agricultores que queiram construir uma nova agricultura, que produza alimentos saudáveis, que não degrade o solo e que seja sustentável, têm na floresta amazônica um exemplo de metodologia a ser seguido”, destacou a pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental, Elisa Wandelli.

As práticas agroecológicas respeitam as formas de vida e prezam pela preservação dos recursos naturais, melhoria da qualidade de vida dos agricultores e valorização dos saberes locais. Tudo isso sem a aplicação de insumos químicos e agrotóxicos. Para o engenheiro agrônomo José Barbosa, a Agroecologia aponta um novo caminho para a produção de alimentos de mais qualidade. “Como nós sabemos, o Brasil é o maior consumidor do mundo de agrotóxicos e isto causa sérios problemas ambientais e para a saúde”, reforçou.

Uma das participantes da Oficina foi Ricardina Lima. Ela conta que seu sonho é ter uma terra, onde aplicará todos os conhecimentos que aprendeu durante a Oficina. “Não se pode queimar nenhuma folha, porque a gente pode matar os nutrientes que já existem na terra. Nestes três dias aprendi uma riqueza de informações, e quando eu tiver minha terra já vou estar cheia de sabedoria para cultivar sem queimar, que aí vou ter uma terra que vai produzir por muito mais tempo”, opinou.

Circuito Agroflorestal

Nos dois últimos dias da Oficina Museu Vivo de Construção e Manutenção da Saúde do Solo, 29 e 30 de outubro, aconteceu o roteiro intitulado “Circuito Agroflorestal”, quando os participantes visitaram experiências agroecológicas em propriedades de agricultores da Apoam e em instituições como a Escola Agrícola Rainha dos Apóstolos e o campo experimental do Distrito Agropecuário da Suframa, pertencente à Embrapa.

A agricultora Cléia Nunes da Silva apresentou a sua propriedade aos participantes. Ela explicou como começou, quais práticas agroecológicas utilizou para construir a saúde e fertilidade do solo no local e destacou a importância que dá aos alimentos orgânicos. “Tenho muito orgulho de trabalhar com produtos orgânicos. Produzo alimentos saudáveis para minha família e para os meus clientes. Assim sei que estou fazendo a minha parte para melhorar o mundo”, disse.

O agricultor Nilton Santos gostou dos aprendizados que teve durante a Oficina. Segundo ele, sua missão agora é ser um multiplicador destes conhecimentos. “Vamos voltar para a nossa comunidade, no Rio Negro, e vamos contar para os nossos colegas como trabalhar sem queimar, vamos tentar fazer a compostagem, e se tiver outra Oficina queremos voltar para aprender mais”, finalizou.

Colaboração de Felipe Rosa, da Embrapa Amazônia Ocidental, para o EcoDebate, 12/11/2013


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