MPF apura danos causados pelo aumento da cota de 72 para 74 metros do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí

 

Usina Hidrelétrica Tucuruí
Usina Hidrelétrica Tucuruí. Foto Eletronorte

 

O aumento da cota do reservatório da hidrelétrica de 72 para 74 metros estaria causando problemas para a comunidade indígena Parakanã

O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) realizou vistoria na Terra Indígena (TI) Parakanã, em Novo Repartimento, sudeste do estado, no final de outubro, para averiguar os impactos da elevação da cota do reservatório da hidrelétrica de Tucuruí. Com a finalização da construção da segunda etapa da hidrelétrica, em 2006, a cota do reservatório passou de 72 para 74 metros.

Na visita, o procurador da República Paulo Rubens Carvalho Marques foi informado pelos indígenas da aldeia Paranatinga que as constantes subidas das águas têm causado o apodrecimento e consequente queda de árvores, provocando, além da destruição da vegetação, uma série de consequências para o modo de vida indígena, como a mudança dos hábitos alimentares.

Os índios relataram também que a invasão da água traz outras consequências graves que põem em risco as famílias da TI. Com a queda das árvores, a ausência de sombra faz com que os peixes se desloquem para outros locais do rio, atingindo a pesca de subsistência.

A queda dos açaizeiros, também provocada pelo aumento das águas, interfere diretamente na produção econômica da aldeia, notabilizada pelo comércio de açaí. Segundo os indígenas, a caça é outro costume que acaba sendo afetado, já que os animais fogem para outros locais em razão da constante variação das águas.

Outro problema grave, resultado do acréscimo da cota do reservatório, é o considerável aumento da quantidade de mosquitos, com o inevitável risco de transmissão de doenças.

Embora a Eletronorte – responsável pela hidrelétrica – já tenha elaborado um relatório sobre os impactos da elevação da cota na vegetação da área, o procurador da República aguarda a finalização de nota técnica que aponte quais os impactos que afetaram especificamente o modo de vida da comunidade indígena Parakanã.

A partir da análise desse documento, que se encontra em fase de elaboração pela antropóloga do MPF Maria Fernanda Paranhos de Paula e Silva, o MPF em Tucuruí vai decidir quais serão os próximos passos da apuração.

Fonte: Ministério Público Federal no Pará

EcoDebate, 11/11/2013


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